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domingo, 3 de abril de 2016

PATERNAGEM ( DE TANTO AMAR) O SER ÚNICO QUE HÁ EM CADA UM!

De fato, o paternal é o ser mais evoluído de todos os tempos, pois humildemente é aquele que foi alvo de um suposto poder em si mesmo sobre os outros e a natureza,  abdica dessa mentira e assume que nada sabe e estar aberto, através do amor, a aprender a aprender,   tentando parafrasear Morin.
O homem que decide ser paterno, passa de genitor (o que gera), vai além do pai (que mantém socioeconomicamente) e chega à paternidade, que não contente em apenas dividir as demandas com a companheira, consciente exercitará o cuidar, a paternagem, que cuida pelo menos de duas pessoas: a mulher, que geralmente, mesmo que é de fato mais forte, é historicamente tolhida por tudo e todos; e pode cuidar do filho que de acordo com a criação executará o desejos de seus genitores. 
Mas Atualmente,é a mulher que sustenta imponente a logica dessa sociedade, basta ver quantas jornadas elas têm, hoje além de manter todas as demandas da casa, dos filho e do companheiro, tem que trabalhar, além de cuidar de si mesma; é neste contexto, mesmo que quase impossível, que se  pode desenvolver a paternagem, pois a sociedade está se destruindo e não sabemos qual seu destino sem o real amor.
Esse desenvolvimento vai de filhote macho,  ao evoluir do homem, genitor, pai, paterno e, enfim chegar à paternagem, o que carece de um auto conhecimento. Isso em ter consciência e assumir que igualmente a todo ser humano sofre, padece dor e precisa de cuidado. Todavia, muitos sabem disso mas não aceitam, outros sofrem e desconhecem e, muitos, agridem e nem percebem, por estarem sofrendo, assemelhando tal qual animal acuado ataca para se proteger. A maioria  vive na defensiva.
Aquele que se abre a paternagem se verá como ilhado, a princípio, pelo menos, devido a dor de conviver, ao se auto responsabilizar pela forma que nos tratam; pois ser humilde a partir do perdão e aprender a amar verdadeiramente como o outro é e não como nós desejamos, em suma, porque os três (genitores e o a pessoa no TEA), desenvolvem uma forma padecedora de lidar com as diferenças entre si, onde o TEA vira apenas um sintoma do adoecimento dos três, nisso com certeza, o filho no TEA é o mais, se não único sadio, deste contexto.
Por outro lado na paternagem, aceitando-se ilhado, poderá através da humildade, facilitar o diálogo baseado no perdão e para além precária forma de amar. Esse diálogo será o caminho de saída da defensiva, em se aceitar como errante, mas que era querendo acertar.
Neste processo havermos de perceber três variáveis antropologicamente construídas.
Uma, é aquela que, em um processo inconsciente ou não, a imagem do homem, é imagem da autoridade e este é alvo, direta ou indiretamente, de nossos rancores advinda deste poder por quase sempre ser atuado de forma arbitrária e impeditiva de prazer estremo. Lembremos que desde cedo, o menino tudo pode, enquanto ela quase nada, apenas ser alvo.
A outra variável é que diante de todas mulher lidamos com as frustrações de origens, também inconscientes, ora desamparos devido que ela nunca nos protegerá de tudo; sentimento de preterido, porque ela um dia busca prazer para além de nós etc., são diversos exemplos, mas quase todos as colocam com alvo de nossas dores.
E a maior, no meu ver, variável é a necessidade de sermos nós mesmos, psicologicamente, que temos que matar os pais idealizados (perfeitos) ( perfeição,  das variáveis anteriores por exemplo), isso é o parricídio e o um auto infanticídio, ou seja, matar os resquícios dos desejos de nossos pais em nós, caso contrário, sobretudo, no infanticídio, ficamos presos querendo agradecer ao desejos infindos dos outros, substitutos de nossos pais. Isso fica evidente em casos que nos surpreendemos quando vemos que nossas mulheres parecem ou são o extremo contrário de nossas mães e, no caso das mulheres os pais delas. Mas não é regra tem homens que são preso ao desejo do pai e mulheres ao da mãe. E até a ambos. Cada caso, em si com suas complexidades.
Enfim, busquei enfatizar o processo do como nasce o filho no filhote, para esse fazer nascer o homem, como ser consciente e humildemente na impotência da condição humana e não arrogante de não aceitar os pais como errantes. Caso não assumimos o parricídio achamos que eles são heróis e nós iguais, nos achamos prontos, o que impede nossa permanente evolução.

Mas se aceitarmos os limites deles, os nossos serão meios para buscarmos melhorias perenemente e caminhar para uma postura mais assertiva ante nossos sonhos, desejos e projetos baseados no no caminho que eles levam ou não, no amor se for de modo mais divino, o modo de viver. Pois, como mentem o amar é muita sacrificial, quando guiados pelos sonhos
 Mas, viver é a condição humana através de amar incondicionalmente e a todos em suas formas únicas de ser e estar em evolução. Amar é uma liberdade biopsicossocioespiritual.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

O ESTRANHO VAZIO DEIXADO PELO DESEJO DO OUTRO: SOLIDÃO ( TEMA DO CICLO DE PALESTRA EM NATAL)


Se na primeira palestra dialogamos sobre inteligência emocional das mães de filhos com o Transtorno do Espectro Autista - TEA, que elas usam para saber lidar com tamanha demandas junto às pessoas com o Espectro e, devido a tantas responsabilidades muitas são acolhidas pela solidão e tantas outras, talvez a maioria, pelo frio do abandono. 

Mas que, as que são acolhidas pela solidão, se se perceberem biopsicossocioespiritualmente, poderão aproveitar do momento particular, para encontrar na saudade do futuro, reencontro com seus sonhos de menina, paixões de moça e desejos de mulher, vida para além de esposa e mãe.

Todavia,  as que deixadas ao abandono, podem ser resgatadas em suas
demandas (facilmente confundidas com o próprio autismo), afim de se separarem deste rótulo e para poderem enxergar a si e ao seu filhote, assim não mais se sentirá só, poderá libertar a si e a ele, da discriminação adoecedora. 
Com esta introdução, caminhamos nesta segunda palestra até a agressiva invasão do desejo do outro sobre cada um de nós. Para exemplificar, basta lembrarmos como que para alguns, os desejos de nossos pais podem ser difíceis de satisfazer. Imagina,  um casal de médicos, pode desejar que o filho também o seja, porém, quando este se ver dono de seus desejos, pode não se encontrar feliz em cumprir tal compromisso, por assim dizer,o prazer dos genitores. 

Para além deste contexto, é, pelo menos, duplamente frustrante, para pais de um filho com o TEA. 

Pois, sabe-se que nem todos entre eles, são favorecidos em seus desejos, por estes serem avassaladores e, até porque poucos são entendidos, para serem ajudados, então como realizar o desejo dos pais?
No caso da mãe, pensaremos pelo viés do contexto socioafetivo e familiar. Sabe-se das históricas e antropológicas distorções do "famigerado instinto materno" citando uma mãe, onde culpam a mulher por boa parte das mazelas dessa sociedade. 

Essa culpa referente ao filho com TEA se personifica mais evidentes em relações frágeis, famílias desenformadas e de afetos desestruturantes. Estas, evoluem, assim, para o isolamento da genitora em cuidar quase que exclusivo do filho, chegando ao ponto de esquecer de seus desejos de mulher, assim é (de)negada o gozo de sentir desejada e desejante. Basicamente, algumas delas, nem se percebem que elegeu, de alguma maneira, erroneamente o companheiro, aquele que a deixou imersa ao demandas do  autismo, abandonada, porque o TEA se tornou instrumento de sacrifício e escravidão aplicado por alguns "parceiros"  e "certas famílias". Coloco entre parenteses, para reforçar que muitos deles nem percebem que assim agem.
Conscientes  ou inconscientes, agem como juiz e algoz dessas mulheres, que as julgam, condenam e as executam. Ciclo silencioso de real violência sexista, hoje com nome eufêmico, doméstica.
Enfim, neste segundo encontro vamos pensar um pouco como (re)voltar para se sentir, morando em um corpo de desejos que alimentam o bem estar na alma e, mesmo que esta sociedade não aceite, elas são donas também de uma espiritualidade, fonte única  para retomar aos sonhos, desejos e prazeres para além de esposa e mãe. 
E onde está o desejo violento do outro contra a mãe de uma pessoa com o TEA? 
Está em  negar a realidade dela como dona de desejos, prazeres através de sua vida própria, quem nega isso, abre-se para o real adoecimento e demais sofrimentos, do que chamei de sacrifício e escravidão.
E este é o pano de fundo de nosso próximo diálogo!

domingo, 8 de novembro de 2015

Novos pais, na pós modernidade: A ESCOLA EO TRABALHO


A demanda dos pais e família trazida a nós terapeutas, denotam não só certa carência de entendimento do desenvolvimento humano dos filhos. 
Percebo que, quando a demanda chega a escola, fica evidente, neste segundo socializador, que as intimidades da família  percebem-se, como  sintomas de cada família. 
No sentido do comportamento da criança deixar transparecer a carência dela e dos membros de seu núcleo familiar. Isso, ser chamado de sintomas que se trabalhados trazem benesses ao biopsocossocioespiritual de cada membro do núcleo, mas lamentavelmente, boa parte destas famílias, veem no comportamento das crianças, situações desviantes e,  muitos   'patologizam' tais necessidades afetivas dos filhotes.
Nasce assim, dois outros pais, que me parecem evidentes, adoecedores, quando contribuem para o distanciamento das intimidades e, também, para cegar ante as diferenças peculiares de cada atípico.
Refiro-me, ao fato de um novo casal, por a sim dizer, o pai trabalho e a mãe escola. Estes, como  toda relação afetiva, fruto desta sociedade pós moderna, vive a busca desenfreada de um suposto poder, o destino silencioso e escravizante de vidas, mortífero de almas e  limitador espiritual, o materialismo.
Por ele, a mãe escola, que supostamente educa, ensina nossa subordinação ao mercado de trabalho e nada pensa quanto a vida e o bem estar, portanto, a qualidade de vida fica violada pela subordinação mecânica do trabalho.
Enquanto o pai trabalho, crer-se suficientemente capaz-nos de trazer felicidade e prazer. Todavia, através do consumir, compramos o material que alivia a dor, mas não compra paz ou prosperidade das relações amável a nossas diferenças. Impede o essencial: evoluir através da inteligência emocional, ou seja, do amar.
Esta é uma escravidão, ao desejo de ter e não amar. É o mau do século, não é em vão que a depressão terá em breve afligido um quarto da população mundial.
 E o que é a depressão, senão, nada mais que o desamparo do desamor, que é a indiferença, pois a falta de amor, não é a raiva ou o ódio e, sim ser indiferente ao próximo. 
Neste contexto  a pessoa que sofre a indiferença, geralmente é alvo do descaso daquela pessoa em que ela mais depositou seus sonhos e desejos.
E o que tem, nesta dialética,  as demandas da pessoa com e no espectro autista?
Cabe-nos que a pessoa com autismo é atendida geralmente em suas necessidades, quase que exclusivamente, por pessoas que sofrem por parte das pessoas que elas supõem amar, a mais cruel indiferença. 
Estas são as mães, que sofrem caladas de desamparo afetivo. E por isso, a maioria se jogam quase que as cegas para atentar para o filho com espectro: Umas afim de se retirar da própria solidão assumem para além do filho, o autismo dele; há aquelas que desejam expurgar um fantasma da culpa; também têm as que para não enfrentar os olhares preconceituosos da sociedade negam suas vidas e amam o filho que não percebem que os atrapalham mais que os ajudam etc. e quase todas não entende o sentido maior da palavra não: amar. Não a sí mesma, não aos adoecedores, não à indiferença, não aos supostos limites que alguns técnicos ajudam a condenar os atípicos.
E pelo lado do filhote, tem quem veem pouco motivo de viver, efetivamente, com este mundo de pessoas em sua maioria desamparadas, que talvez seja mais seguro ficar ensimesmados, por isso, falamos de autismos, no plural. Sobretudo, porque a relação amoroso, afetiva e intima cada dia está ficando em desuso,justificando a quem fale na sociedade pós moderna como autística. 
Mas ainda no contexto dos filhos, penso que a corrida desenfreada  para que eles falem, esquecem que nem sempre falar significa se comunicar, se fosse assim os surdos não interagiam com o mundo.Como se o corpo, também, não  falasse a linguagem  das emoções. 
 Como também, alguns dos que vivem dentro do que se chama espectro não seria ótimos profissionais por serem concentrados,  repetitivos, discretos, sinceros, objetivos, técnicos e habilidosos (...). Sempre úteis  ao mercado de trabalho, porém  ao bem estar  do autista tenho lá  minhas dúvidas.
Mas, ainda, esquecem, alguns pais, que falar, educa-se e poder trabalhar não significa nada quanto ao futuro, no que concerne a segurança e independência. Sobretudo, porque esse mundo sempre violou e viola os diferentes, sempre agride aos que não são manipulados, sempre matou os deficientes e até entre os tidos "normais", na realidade os que aprenderam sobreviver como comuns, existem guerras sanguinárias e silenciosas. 
Mas são assim que vêem os atípicos, diferentes,  (in)domináveis quando possuem inteligência emocional evoluída, mas,  querem tratá-los, como peças, quando são habilidosos manual, intelecto e mecanicamente.
Os pais e familiares nem sempre entende que a educação e o trabalho apenas nos aliena e nos coloca em série, como iguais e sem sentimentos, como supõe que os autistas são imunes aos afetos que os circundam. E, esquecem que eles mesmos, os pais, são e foram vítimas desse mundo manipulador, ao viverem apenas através do trabalho, como único caminho para uma suposta felicidade.
Porém, lá no fundo sabem que não se é feliz, se estar, mas não se tem felicidade sem paz; não se ama, se não tiver uma alma sadia; não se vive temendo a morte, sobrevive ante o medo.
 Quero dizer que tendo quatro dimensões bio-psico-sócio-espiritual e em quatro fases infância, juventude e adulta e da sapiência, elas respectivamente,  ensina-nos como devemos evoluir.
Um dia fomos só corpo (infância) e aprendemos que precisávamos apenas nos nutrir; depois descobrimos o prazer de sermos alguém, nasce nossa psique, através de nossas escolhas e não dos sonhos de nossos pais; dai surge a necessidade de ser ou ter no social ( fase adulta)  isso para assumirmos a nós mesmo, mas, onde ficamos presos a esta lógica do poder ter, através do capitalismo, esquecemos sonhos, é o que define o bem estar ou a morte precoce, até chegar a sapiência ou amargura na fase idosa, onde o espiritual cobra seu preço.
Estas quatro fases se dão mais satisfatoriamente se podermos ver e entender que somos biopsicossocioespiritual desde sempre, isso para não ficarmos colados apenas as demandas do corpo. Somos mais que isso. Pois, se  ficamos apenas pensando no alimenta, seja do básico comer, como  beber, ouvir, olhar, falar, sexo etc viveremos, na vida , viciosamente. 
No corporal (biológico), não perceberemos nada evolutivo nos nossos autistas, que tem outras formas de lidar através de seu biopsicossocioespirtual com suas quatro fases de vida. Especulo que eles negam,sobretudo, essa forma limitada  de se relacionar com esse mundo ( apenas com o corpo), especialmente por ser cômodo não se afetar, por o discriminar e o colocar como doente. Não é em vão que eles não querem ouvir, se não querem e tem aparelho fonador intacto,pode falar, mas para que assumir compromisso com este mundo cheio de contradições? Eu sei, o quanto que sofro, por saber sentir o mundo que me circunda, imerso em suas dores e vícios para calar seus sofrimentos.
Onde a educação, não ensina para o bem estar e o trabalho, enfim, é a maior prova disso.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

CORAÇÃO DE MÃE:"Escutando seu coração, partilhamos sonhos, encontramos flores no aroma que restou"



O BLOG OLHAR AZUL DA COR DO MAR
CONVIDA: 
CORAÇÃO DE MÃE"Escutando seu coração, partilhamos sonhos, encontramos flores no aroma que restou"
TEMAS: "Solidão não é abandonar: A linguagem da emoção" & "Que sonha a Coruja? Sonho que não se sonha só, não vira pesadelo"
A proposta deste momento de partilha que será realizada na Cidade de Natal/RN, no dia 31/10/15,  é para aquelas vidas que desejam não continuar a serem furtadas aonde os novelos que o Espectro do Autismo tem as levado. Para tanto o momento dialógico abordará:
TEMA 1:
A solidão:
1. Como diferente de saudade e quando bem dosada tem-se ensinamento na solidão;
2. Mas é interessante ter saudade do futuro, para recuperar o sonhado; 
3. No contexto do filho autista, a suposta solidão, ou mundo exclusivo dele não pode ser entendido necessariamente com sofrimento.  
Abandono:
1. Abandono  praticado contra a mãe e o filho é uma lamentável prova de violência psicológica;
2. O filho precisa de um pouco de solidão para aprender com a falta, mas não, se sentir  abandonado;
Linguagem Emocional:
A linguagem das emoções, tanto expressado pelo filho em cada sinal comportamental,  do qual supormos que eles sofrem em sua vida peculiar, o singular prova que somos muitos diferentes ao lidar com tantas poluições de informações do mundo pós moderno.

TEMA 2:
Conceito de Coruja:
1.A coruja, símbolo da amizade com a sabedoria, ela sonha no diurno, mas no caso da mãe que sonha o sonho do filho autista precisa, voltar aos seus sonhos e voltar a suas projeções;
2.É necessário resgatar os seus sonhos, desejos, projetos que foram adiados ou esquecidos com o surgimento do autismo;
3. Para quem sabe deixar o filho descobrir os seus;
Inteligência Emocional:
1.Para reconhecer das linguagens emocionais tanto do filho, do esposo, família e de si mesma as virtudes, além das necessidades;
2.Saber ser só e como trabalhar essa realidade para sair dela, se é necessário e possível;
3. Inteligência Emocional para encontrar meios do auto resgatar, para além de mãe, esposa e mulher: Desejosa, desejada no estado faltante sublime.
4. Seres sublimes, empáticos e empoderados;
5. Biopsicossocioespiritual da mãe e do autista;
6. Política Participativa do Psicodrama.

SERVIÇO:
LOCAL: Hotel Arituba, Natal, Rio Grande do Norte
DIA:31/10/15
HORAS: 14 horas

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

PORQUE A INDIGNAÇÃO NÃO CONVENCE NOSSA VEIA POLÍTICA PARTICIPATIVA

Estive sentido-me a acuado como se fosse provocado pela palavra INDIGNAÇÃO, usada na proposta do último concurso por mim proposto neste blog. 
Pode parecer um desabafo, mas não o é; medo do não sucesso da proposta, pouco menos; receio de ter provocado erradamente uma reflexão, nunca, pois sempre se buscar tirar das zonas de conforto aqueles que,sei, que tem muito mais a dar, para além do seu universo já conquistado é para mim um dever.
Mas o que isso tem a ver com as pessoas autistas, ou ainda, as suas mães e a sua família? Tudo! Pois, a pessoa autista não me parece encontrar estímulo nesse modo que vivemos; suas mães tão, quase todas, angustiadas para ofertar um mundo seguro a eles, que não podem, se super dimensionam e, poucas delas, conseguem ter uma vida para além do espectro, tornam-se, muitas vítimas dele e, confundem-se com o comportamento peculiar e único do filho. Isso não é mal, mas não sei até onde.
E eis o que aprendo disso tudo, eu que não me conformo em não contribuir com as pessoas que me afetam e, inevitavelmente me procuram tanto no grupo da rede social, como na clínica ou em conversas informais.
 Enfim, o concurso tem sido um meio a mais de me afetar. Assim, tenho me perguntado porque nenhuma pessoa ainda não buscou acionar o blog, como meio de mobilização, quanto a tantos impasses, omissões e desmandos dos que fazem as políticas públicas de saúde, educação, assistência social entre outras, no tocante à atenção a pessoa autista.
Para mim nada é por acaso e, serve-nos de propósito de reconhecer que nada sabemos, até que muitas mães falem comigo no particular  e, até nos grupos fechados, do incômodo que as acometem e como se mobilizam em suas dores. É apenas isso que elas precisam para repor as energias e voltarem a luta, batalha mais que cotidiana, perene.
Parece-me que não há mais nada que fazer, apenas imensuravelmente buscar no incansavelmente labutar, uma nova visão, para ver o filho em pequenos passos em direção, a que cada uma supõe ser evolução.
Elas tão humildes se contentam como o pequeno sinal de mais vida sinalizado por cada filho. Elas sabem sonhar para com ele; sabem amar por ele; desejar por cada um,  não se sabe onde começa ela e inicia ele.
Então sei. não acertei, mas apenas inexoravelmente elas e eles continuam a me ensinar: paciência, venha aqui e olhe, escute, veja, sinta cada imenso evoluir deles. Não é provocando a estes sistemas omissos e bem mal intencionados a falhar, que vamos dar suavidade a causa, parece que elas sabem que encontraram outras fontes de angustia e ansiedades.
Então, é lá que tenho que está, bem perto de cada uma delas e vivendo com eles, sobretudo, que assim, aprenderei mais humildade que nada sei e, que de cada um, só saberei vivendo com eles sentido com todos os sentidos afetados por cada biopsicossocioespiritual autista, e em ação de transformação desse universo. Assim, eles e elas, me cativarão em suas resiliências, ou seja, inteligência emocional, testemunhas que são mais belas, suas vidas, que suponho.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

BIOPSICOSSOCIOESPIRITUAL - PSÍQUICA


Dando continuidade ao conteúdo da pesquisa “O Autismo que Estamos Vivendo”, apresentamos as demandas psíquicas, mas antes,  temos a esclarecer que nossa visão do mundo é holístico, sempre biopsicossocioespiritual:
Comungamos do impacto do ser humano sobre ele mesmo. Então, alertamos que mesmo sendo psicanalista de base lacaniana, saliento que isso jamais será limitador para entendermos a vida, é, apenas um instrumento de aproximação, pois vida é ilimitada e nunca será contida por qualquer teoria ou abordagem , a condição humana é por si só, holístico, ou seja, multifacetada, única e complexa em seu contexto diverso.
Enfim, após termos visto através da lente biológica, onde pontuamos qual corpo, o do autista que expressa emoções pouco interpretadas e, que é, por isso, canal de angustias, mas não passa de reflexas de sinapses neuroquímicas (des) harmonizando-se com os estímulos externos sentidos intensamente.
Nós diferentes dos atípicos, comumente interagimos verbalmente mais com os seres humanos, os atípicos menos com o verbalizado e mais com as emoções (biopsicossocioespirituais) expressas por cada um de nós e, além disso, se afetam com o universo mais diretamente, com todos os sentidos simultaneamente. Talvez por termos um mundo poluído de imagens, sons (barulhos), mentiras sociais, cegueira afetivas etc. os atípicos pouco interagem do nosso modo, porém vivem intensamente com suas mães, aquelas que os entendem por não estarem tão adoecidas como nós, emocionalmente imaturos.
Nas demandas psicológicas, foram feitas quatro perguntas. Sobre as habilidades desenvolvidas pelos autistas, as satisfações deles percebidas pelos parentes, quanto tempo eles as praticam e se eles têm objetos fixos.
A primeira resposta, das habilidades, parecem causar certos contentamentos sociais às mães, sobretudo, aquelas da pós modernidade as tecnologias (3 citações) e somada com o modelo intelectual medieval, a memorização (3 citações) que se soma à musicalidade (5), fazem-me pensar a relação intergeracional latente, entre o contemporâneo ( os filhotes)  e o passado( genitores), para aliviar da discriminação sofrida ou seria apenas certo auto preconceito?
Enquanto, habilidade como língua estrangeira, matemáticas, lógica (razão); e a imaginação, criatividade, desenho e outras artes (emoção). Razão pode ser parte do discurso sinalizando adulto imposto aos filhos. Talvez elas queiram no  seu intelectualismo, equilibrar o medo das semelhanças com a déficit intelectual; enquanto expressões da emoção, pode ser sinal das carências, que não nos enganemos, quase todas ficam “autistas” junto aos seus autistas. Mas, lembro, que a aptidão da música, pode ser reflexo da satisfação dos autistas advindas da harmonia.
Estes detalhes são sim, preconcebidos por mim, mas partem também da minha pequena experiência clínica, do sofrimento com que lido diariamente em setting terapêutico e do não dito devido ao sofrimento inconsciente. E por isso quase sempre negado, mas sentido na alma.
O meu discurso, ficará visto menos preconcebido se, por exemplo, vermos que as habilidades alcançadas demonstram a interação (emocional), por razões peculiares a cada caso. Tanto que ao se indagar o prazer dos familiares ante a satisfação do filhos nas atividades desenvolvidas, as respostas são surpreendentemente reveladoras do vazio em que parte delas se encontram:
Nunca observei o "sentido prazeroso/ para alcançar/ as habilidades sociais” esta fala denota que não consegue emocionalmente comunicabilidade; isso visto também em “Não consigo avaliar/ prazer dele em estar na piscina (sobre a habilidade) Muito Feliz/nós ajudando (sobre a satisfação familiar)”, percebamos que a declarante não pode avaliar, mesmo a família em contentamento, mas  não  ela não se apercebe do ganho afetivo. Se o filhote tivesse uma habilidade supostamente útil  (socialmente) como os outros autistas, talvez ela percebesse evolução, elegendo o olhar do outro como seu juiz, para o alegria e para a dor? 
Mas nada tão sofrido por uma delas, ante a satisfação da criança ela diz, “Difícil saber”, não há como quantificar a impotência que, possivelmente, ela carrega devida a falta dos frutos do seu desejo projetado no filho, ainda quando não era tido como autista. Estas falas, correspondem um terço das entrevistadas.
Estas senhoras carentes de acolhimento seu discurso denota  personalidades nascidas da falta, o autismo pode está cegando-as do filho sonhado e precisam reescreverem as duas biografias: A dela e do filho. Aqui fica nítido o quanto pesa um diagnóstico, pois ele pode condenar ou limitar o que a natureza sabiamente levaria com o apoio do amor sociofamiliar, se acolhido a frutificar pela batuta do altruísmo, pois o equilíbrio que sempre traz o desenvolvimento. 
Não é assim que somos, seres a vir a ser? Porque não seria assim também os autistas?  Precisamente sei, elas têm horas que pensam estar em pesadelos e que irão acordar; outras que um belo dia o filho a acordará para o hoje. Mesmo que esse não venha, eles acordarão com o vigor desse amor, precisamos apenas através da inteligência emocional para ouvir/ver no corpo, sons, gestos, olhar fugidios expressando emoções.
Outra genitora afirmou “há frustração pois não são todos que se recorda” se referindo que o filho parece esquecer os nomes de animais que tanto ama. Ela, quanto aos avanços socioafetivos do filho, parece não perceber que as frustrações são os grandes socializadores para o amadurecimento: corte embrionário; desmame; não ser mais criança etc. Mas, é claro, que ela provavelmente demostre sua frustração (reativa) pode ser medo de um possível traço do espectro similar ao retardo mental.
Por fim, outras afirmaram “demostra prazer satisfação (4), ou seja, 45% das entrevistadas que sentem prazer para além da vivência trabalhosa, parece não presas ao autismo, vivem o filho e a mãe que espero também a esposa, mulher, sonhadora, etc. Mas veremos se isso ocorre de fato.
Quanto ao tempo de atividade dos filhos o que elas mais responderam que “Se deixarmos o dia todo (3)” e outra resposta interessante é “Ela é uma caixinha de surpresa”, necessidade do filho autista em manter estável seu meio ambiente interno e externo, que chamamos homeostase (equilíbrio que a natureza rege). Mas, obviamente, o autista não equilibra as influências externas, por isso a caixinha de surpresa torna-se a de Pandora trazendo sofrimento ao filho. 
Curioso é que quatro das pesquisadas afirmaram que buscam modelar os comportamentos, será que os papeis psíquicos na relação mãe e filho é substituído por frustração e autismo adoecendo a ambos? Duro, mas temos que concordar que muitos de nós ficamos paralisados diante dos comportamentos atípicos, ou aceitamos que eles fiquem o dia todo no seu mundo e nos convide, ou os bitolarmos em comportamento sem afeto. Parece que precisamos nomear o autismo: perseguir e curar. Mas não nos ceguemos, pois também quatro delas, não tinham diagnóstico autismo e pior, ou melhor, não se tem uma única forma de único tratamento.
A quarta e última pergunta quanto a fixação em objetos, 45% delas afirmaram que eles não se fixam em algo, dá-me suporte para enfatizar que eles são muitos voláteis aos diversos estímulos. Por outro, nós típicos adoecemos na mesmice. Os atípicos parecem não se permitir adoecer na rotina, porém, sabe-se que a medida que crescem parece se atrelar a ela, só quando descobrem um prazer, talvez por já está mais seletivo quanto as influência que internalizam ou porque descobrem o "mais do mesmo" da forma de vida adulta.
Em suma, falei da homeostase, o equilíbrio que a natureza tende a nos direcionar e que serve de base para concluir dizendo que se assim também somos, nós precisamos apenas não sobrecarregar os autistas com nossas angustias e medos e, sim buscar nosso fortalecimento, através da inteligência emocional, para perceber quais as virtudes dos filhotes e as dar maior vazão a elas; sentir nas atipias meios de sobrevivência ante o caos que esse mundo de estímulos enlouquecedores (basta ver os autistas em contato com a natureza como melhor interagem); e, por fim, se não sufocarmos e invadirmo-los com tantas intervenções técnicas,  pois  - lembro que apenas uma declarante afirmou um trabalho interdiciplinar - que na maioria nem sabem ao certo que estão fazendo, eles evoluíram mais harmonicamente. Sobretudo, porque buscar cura incessantemente é o mais adoecedora e desencadeadora de tantos transtornos, as chamadas comorbidades, que jogamos sobre os filhos, mas na realidade estaremos tratando em nossos filhos apenas nosso discurso, pois poucos profissionais também escutam e percebem as linguagem emocionais dos atípicos.
Portanto, psiquicamente nos cuidemos, pois a angustia é nossa, se assim agirmos, estaremos sendo pais, mães e filhos e não três autistas. Mesmo os que teimam em dizer que os filhos são os sintomas dos pais, não para culpar a estes, mas para os lembra de que são adultos sim, mas nem sempre inteligentes emocionais, sobremodo porque estamos em evolução diante dos filhos muito mais ainda.
Indaguemos pois como desenvolver a inteligência emocional?
 Leiam as demais publicações e entenderemos.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

PESQUISA BIOPSICOSSOCIOESPIRITUAL - BIO1

Este texto é o primeiro fruto da pesquisa composta por quatro eixos de perguntas, biológicas,psíquicas, sociais e espirituais  a fim de vislumbrar um visão do autismo que vivem nove (9) mães no convívio dos seus filhos.
  Das quais faremos  considerações para pensarmos o autismo empiricamente sem conceitos teóricos, porque, parecem-me que as  teorias focam-se nas faltas.  Em detrimento a isto, meu objetivo, não é só no que os autistas têm, mas  que  onde os pais devem  focar: Nos avanços de cada filho, pois, preocupo-me com a precária qualidade de vida das mães e  filhos,  limitadas devido ao espectro.
Para tanto, iniciamos com as questões biológicas,onde ficam as marca das dores advindas das três dimensões do todo, biopsicossocioespitual, entretanto, destas marcas restam o mais importante, o aprendizado, advindo do sofrimento e o surgimento de resiliências, ou seja,  a adaptação ao incomum, aceitando a diversidade e aprendendo com o preconceito negando as violências silenciosas da discriminação.
É uma preocupação gerar filhos quando a idade dos genitores é avançada, sobretudo, quando as mulheres estão acima dos 40 anos. Nesta pesquisa, porém, isto não houve relevância ao desenvolvimento do autismo, pois a média de idade foi de  30 e  34 anos de idade, respectivamente, mães e pais.
Idade dos Pais
Mulher
Homem
23
25
22
27
27
27
27
30
30
Cerca de 28
32
36
35
38
35
39
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53.


A  saúde dos casais na época da concepção do filho também era boa. Apenas uma esposa teve que usar progesterona somada ao fato de sangramento durante a gravidez; em outro casal o pai teve camidéia, somada a ameaças de abortos e usos de medicamentos no fim da gestação; e o terceiro casal a mãe teve endometriose*  e o pai varicocele. Todavia, não temos como vincular esses dados ao autismo.
A maioria das colaboradoras afirmaram perceber precocemente algo da atípico nos filhos (1 ano e meio em média), porém a maioria dos diagnósticos foram tardios (acima dos 3 anos em média), somado ao despreparo dos profissionais desde o diagnóstico às intervenções que não não dialogam entre si, onde apenas uma delas sinalizou a interdisciplinaridade e, uma única neuropediatra foi responsável pelo diagnóstico. São fatores que provam quanto é angustiante a vida dessas senhoras lidar solitárias com as demandas de seus filhos.
Sinais incomuns
Diagnóstico idade
2 meses
1 ano
6 meses
2 anos
9 meses
2  e 3 meses
9 meses
2 e 8 meses
1 ano e 8 meses
5 anos
2 ano
6 anos
Aos: 4;
8  anos

Tardio

Um outro estressor para as mães é a demanda alimentar do recém- nascido,
metade delas apontou certa dificuldade em alimentar os filhotes e curiosamente apenas uma mãe citou amamentação.
Quanto a qualidade do sono, que é reflexo de vida delas e dos filhos, três  filhos tiveram dificuldades para dormir e destes dois usaram remédio, mas evoluíram, atualmente, apenas um  tem dificuldades, mesmo que três usam remédios para dormir. Mas precisam em sua maioria de estímulos, outros dormem e acordam cedo e um único se deixar dorme além da conta, Em informação posterior, uma das genitoras relata que seu filho tem se colocado altamente agressivo para não ir dormir.Talvez, o dormi a noite, quando o mundo está mais calmo, para o autista que tem hiper ou hipersensibilidades, é contraditório.

Conclusão Preliminar

Os dados me estimulam a enfatizar que as mães são as pessoas mais conhecedoras do autismo. Então tais conhecimentos devem ser valorizados, elas se favorecidas, melhor acolhidas ante sua prática,  estimuladas a cuidarem de si poderão obter melhor qualidade de vida a si e ao autista.
 Pois, os  dados apontam que desde cedo as mães internalizam responsabilidade de cuidar dos filhos a partir dos complicadores do sono e da alimentação, onde inferimos que isto somado ao tardio diagnóstico, ou seja, um lapso temporal de indagações, medos e sofrimentos, justificam elas se negarem em nome do filho, aos poucos até a estes esquecem e vivem em função do autismo.
Sobretudo, porque, após o diagnóstico (que é incerto, como veremos) a família cai em um emaranhado de teses, propostas e intervenções que não dialogam entre si, pelo contrário, parecem brigarem entre si; profissionais mais interessados em enquadrar, como objetos de pesquisa, as pessoas as suas teorias de enorme foço de desconhecimento; tanto que a pediatria que deveria ser protagonista neste processo, como veremos, apenas uma neuropediatra chegou a dar o diagnóstico.
Na próxima sessão do biológico veremos que em tantos despreparos, inclusive, possíveis violações éticas, ajudam a estas mães afundarem ainda mais neste  adoecer. 





Endometriose: Localização da mucosa uterina fora do útero, causando dor.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Quem acusa Freud de culpar aos pais, o traduz erradamente: Do Biopsicossocioespiritual, o Psíquico!

Se no biológico, expressamos no corpo, somaticamente, nosso sofrer devido à falta de amor a diversidade que o autista representa, por exemplo; isso devido ao social, onde aprendemos a negar a verdade que somos todos atípicos, e com essa negação, de tanto sofrer adoecermos e sem querer, contaminamos o filho psicologicamente, e, assim a espiritualidade, que nos integra conosco e com o mundo, também adoece.
Neste contexto  biopsicossocioespiritual, o nosso psíquico une-nos recursos internos afim de não sofremos com as regras onipresentes, onipotentes e oniscientes do social. Mas o autista para não adoecer, com a todo o universo, comunica-se intensamente.
Este psíquico (alma) tem por maior responsabilidade mostrar do que precisamos para evoluir, para além do que o social nos faz medíocres. É na alma que espiritualmente unimo-nos à humanidade para além das mazelas biopsicossociais, estas existem, porque na sociedade determinam nossos desejos e se não tomarmos conta de nosso destino continuaremos sofrendo.
Porém, das mazelas vividas as jogamos ao inconsciente, temos nelas nosso melhor para evoluirmos, porém, a sociedade mente dizendo o contrário. Fazemos isso aos autistas por imaturidade. Ao recusarmos peculiar condição dele, o condenamos ao adoecimento, quando, por exemplo, o sufocamos com tantas intervenções, sentindo a invasão, eles ficam mais“em(si)mesmado”.E como o social nega às diversidades e as diferenças ficamos presos a nossas fraquezas e delas não conseguimos evoluir por não as conhecer.
Platão, psicologicamente, no Mito da Caverna, ensina-me a existência da mentira do ideal, onde poucos saem da caverna do desconhecimento, a maioria fica escrava do desejo que o filho fosse ideal “normal” e esquecem que no real, ninguém de perto é normal e, assim não transformam conhecimento em liberdade.
E por isso, a maioria das pessoas escraviza o filho, crentes que ao sair da caverna a luz (conhecimento) ferirá sua visão e do filho, pois sentem-o impotente, como tratam todos os autistas. Parece que precisam deles infantilizados, parecendo usá-los como razão para viverem sonhos perdidos. Ambos, escravos do autismo.
Até quando haverá a necessidade de fuga do princípio da realidade e ser consumado pelo princípio do prazer, a caminho à morte viva?
A realidade é que nós nos negamos em nome de um ideal de nossos pais, do desejo destes. Aqueles que achamos e, erroneamente, culpamos-os buscando a quem responsabilizar por nossa sobrevida: Deus, Estado, família, pais e etc. Fugas   que impedem nossa liberdade de sermos mais que o desejo de nossos pais.
Tem que ter, portanto, uma necessidade de parricídio psicológico para desenhar nossa biografia. Um desatar da relação que impede ir além do crescer para desenvolver-nos. Precisamos cortar o cordão umbilical dos nossos pais que, também, projetamos carências em nossos filhos. Mas a natureza psicológica tende ao equilíbrio, que nos leva ao social livre do medo limitador de nossa evolução. Ou seja, fortalecer nossa inteligência emocional para sairmos dos desejos dos nossos pais a nossa essência íntima, a ser, por cada um, descoberta.  E assim, evoluir com os autistas.
Repito, eles sabem disso e vivem intensamente, apenas não entendemos a linguagem deles e projetamos inconscientemente neles nossos medos, não há culpas, portanto, a mudanças a ser atuadas.



sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Psicodrama: Moreno, ajuda a mostrar como no social aprendemos a mentir. Do biopsicossocioespiritual, a dimensão mentirosa

Dando continuidade ao biopsicossocioespiritual, chegamos ao social onde somos menos verdadeiros, e temos que deixar a mentira para evoluir. No psiquiatra norte americano J. L. Moreno, os papéis sociais, como o do pai, mãe e filho faz-nos refletir como lidar com o autismo de maneira mais verdadeira.
Moreno, em sua Psicodrama, diz “o desempenho dos papéis é anterior ao surgimento do eu. Os papéis não emergem do eu; é o eu quem, todavia emerge dos papéis”. Fica, assim, nítida a imposição social dos genitores, determinando seus sonhos sobre a vida psicossocial do filho.
No caso do autista também é assim, mesmo que os comportamentos atípicos expressem liberdade, e quando diagnosticado temos de estar atento na sociedade para não o colocar como doente através de nosso sonho frustrado e em desespero deseja-se cura.
Mas, imaginemos a agressividade e adoecedor tantas especialidades, quase todos, tratando os autistas como cobaias.
Todavia devemos barrar esse adoecer, senão, não se percebe que devemos ir ao mundo do autista sem o rotular e dar a ele apenas o papel de filho como qualquer outro, ou então, impomos ao filho nosso desespero e sofrimento. Essa nossa dor , não só remonta nossos sonhos frustrados com o autismo, mas também, os pais revivem suas faltas de quando filhos.
Ainda segundo Moreno, “Antes e imediatamente após o nascimento, o bebê vive num universo indiferenciado (...) a matriz da identidade (...) lócus donde surgem, os papeis”. Papéis dados pelos pais, imersos em sonhos compensadores de suas faltas revividas diante do autismo, que diante dele não conseguimos deixar de ter sentimentos complexos e, nessa confusão somos levados a sentimentos que não sabemos nomear.
Geralmente essa falta de nome deriva de dúvidas de medo, culpa raiva, impotência etc. e assim podemos perceber o autismo, no plano social, como doença. Mas, sabe-se que todo  filho é o ponto fraco dos pais, pois denunciam as mazelas intimas do casal.
Assim, temos que ver o nome que damos ao “autismo”, que como qualquer outra realidade psicossocial, temos os dilemas para desenvolver nossas potencialidades em viver amando o que estamos sendo, uns autistas, outros esquizofrênicos, usuários de drogas, violentos, ou depressivos(...), enfim todos temos os dilemas a evoluir, pois tudo são possibilidades de exercitar nossa vitalidade. Temos que lembrar dos nossos limites, que precisamos um do outro amparados e amados.
Para concluir o social, temos que nomear o autismo, pois os pais desejam se eternizarem nos filhos. Então, é indispensável que atentemos para não os colocar no lugar de nosso sofrimento, este que se alimenta dos preconceitos e discriminações sociais. Sobretudo, porque se eles inconscientemente, lembram nossos limites, devíamos  agradecê-los, pois sempre temos a evoluir.


Se evolui percebendo como ele está sendo, no mundo dele, assim ele pode aceitar o nosso. Assim, temos que nos apresentar sem nossos limites, porque o autista vive verdadeiramente, mas o social não está preparado para a verdade, dela os pais têm quer serem mensageiros, ela expressa o amor incondicional à diversidade humana.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O Espiritual, a dimensão agregadora e inclusiva do biopsicossocioespiritual

Continuando a refletir, cito agora as demandas das dimensões do biopsicossocioespiritual, partirei da mais agregadora e fomentadora do ser humano à pureza autista, um exemplo da evolução da condição humana.
A fim de contribuir para essa percepção e vivência, que é mais coerente com nossa rica estrutura, o espiritual sinaliza nossa evolução ou inércia ou degradação. A condição humana é sentida em essência no espiritual, sem ele imaginemos um desalmado, socialmente agressivo e biologicamente violento, nele o espirito não exala paz; a alma não ama nada além do seu desejo, relaciona-se com pessoas e o meio socioambiental como objetos para o seu gozo através do corpo, o qual é uma arma.
Porém, para a maioria as demandas reprimidas no inconsciente. Nasceram das frustrações na relação junto a pessoas significativas, o que doe jogamos fora da consciência. Como diante do inevitável, como a morte, voltamos ao sofrimento originário, nisso alguns dizem que somos condenados por algum determinismo sobrenatural: Azar, carma, condenação, etc.
O que pesa, neste contexto, é a dor se eternizando. Assim, o que chamamos de destino é tirado de nosso livre arbítrio.  Lembro-vos que geralmente dizemos: No final seremos felizes, sinalizando que era necessário adiar o prazer, mas o fim está a morte.
Por isso, hoje não se adia o prazer, que é buscada intensamente, loucura na pós modernidade. Até a racionalidade ante certos fenômenos da natureza fica atordoada diante tamanha inverdade criada pela satisfação imediata.
Entretanto, se há a necessidade de mentiras quanto as divindades, difere de quem cultiva o espiritual que colhe sapiência e a evolução. Pois a espiritualidade promove destinos para além do inevitável e imponderável.
Para mim, o desenvolvimento da espiritualidade é o processo responsável pelo bem-estar evolutivo da de nossa condição de vida de se internalizar: Nada somos sem amar-nos, através da interação amável, trocando virtudes.
Exemplo de fruto da espiritualidade o amor, do qual os mais racionais cegam-se passionalmente. Outro exemplo é finitude, a qual a ciência explica, porém, o fatalismo nunca, ninguém poderá dizer quando morrerá.
Então porque não crer e promover evolução através da espiritualidade, como o autista é exemplo de pureza espiritual, portanto, tem mais virtudes psíquicas que nós, socialmente sofre menos que nós e, biologicamente precisamos estudar mais, porém, só a tolerância a dor pode ser sinal evolutivo.
No espiritual evidenciamos nossa onipresença, onisciência e onipotência, como o cristão no livre arbítrio desenha determina-se bom ou mal sem saber o amanhã, o autista, age intensamente, pois sente que tudo converge ao bem. Ele sabe que natureza é equilíbrio, por isso ele se deleita em interagir intensamente com ela. Nada há mais espiritual que a natureza que expressa a humildade através da incompletude e co-dependência e, o autista sabe disso, então se comunica intensamente através de sua pureza. E assim é livre psiquicamente e socialmente temos que viver e, favorecer sem subestimar suas virtudes aprendendo sua comunicação saberemos destes valores e saberemos que nós é que somos por eles acolhidos.


A MORTE PEDE CARONA: ADULTOCENTRISMO E INFANTICÍDIO, NÃO SÓ SOFRIDOS PELAS PESSOAS NO TRAÇO AUTÍSTICO

Repensando sobre tudo que contribuem para a despersonificação de cada ser, penso que a partir da impossibilidade de alguns entre os ad...