segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

AUTISMOS

Existe uma verdade em meios a tantos desencontros e até mentiras sobre o autismo. Talvez a única verdade seja a de que todos os manuais de psicopatologia carecem de provas científicas contemporâneas e, sobretudo porque, pecam em não escutar quem menos pior conhece cada uma dessas pessoas, geralmente as mães.

Elas provam que tais manuais através de certos profissionais, que temem sair de suas zonas de conforto (que chamo de conflitos), pecam por saber/sentir algo que algo está errado, mas continuam a tentar bitolar a condição humana a reduzindo a uma, ou outra teoria. A verdade é que nada sabemos, para além do discurso de cada demandante.
Sobretudo, as mães, ainda denunciam que não existe autismo e sim autismos, mas também não me refiro ao espectro. E sim, que cada filho, não apenas não se enquadram exatamente nos sintomas e sinais que os une em um espectro, todavia, nem todos são transtornados, alguns sofrem é bem verdade, mas na maioria por nossas deficiências de os compreender e por causa das barreiras, tanto arquitetônicas da sociedade, como instrumentais das ciências, desde da avaliação cognitiva sem considerar a inteligência emocional, como meios de interação social sem atentar para a grande maleabilidade adaptativa humana, e ainda assim, impomos bitolas, como se os humanos fossem iguais, entretanto, esquecemos que assim agindo, os adultos que sofrem e sem querer, levados pelo discurso adultocentrico, os fazemos aprender o nosso sofrer.
Muitos dizem que eles são a-sociais, não interagem, não desenvolvem a cognição, tem um mundo particular(...). Mas a clínica Sócio Crítica, voltada aos contextos familiares percebe e prova que eles sofrem e afetam-se com as dores dos que dão a eles segurança para amar - pergunte a cada mãe.
Eles interagem tanto como o meio onde vivem a proporção que são invadidos que chegam a responder ao meio muitas vezes tão violentamente quanto são tomados via os seus canais sensitivos, quais não dimensionamos, pois eles são mais evoluíodos. Com o tempo eles conseguem, geralmente, a duras penas, equilibrar tal invasões.
 Eles são tão  mais sociais que nós que inventamos mentiras para sobreviver, eles são verdadeiros, nós que não suportamos verdades. Eles oscilam, como nós, só que teimamos em querer sempre superficialmente, bonitos com máscaras, eles as entende e usam metáforas, mas não as acatam quando encobrem suas verdades, sabe que ser direto é mais prático.
 Mas não deixam de sonhar, nós deixamos isso desde que a adolescência nos condena ao mundo adulto. Eles são tão mais inteligentes, pois usam a inteligência  emocional, tanto que todos em seus lares, geralmente servem-o, por ele subordiná-los as suas necessidades.
Eles são tão mais inteligentes que precocemente são chamados a usar a inteligência emocional, articulam as situações a gerir toda a família a seu bel prazer.
Mas então que autismos são estes que penso, vejo e sinto. São aquelas pessoas que por alguma etiologia não explicada ainda, e creio que essa geração não saberá, que os fazem mais evoluídos do século. Mas também, a maioria ingênuos satisfeitos com tão pouco, usam da mesma inteligência para ser saciado. Sabem que desse materialismo nada se leva, vive o hoje como o primeiro dia de suas vidas. São, mais ricos que nós, pois não são tão vazios para ter ansiedade, no máximo, podem ter angustia, de não ter como lidar como tantas pequenas maravilhas que a ele contamina.
São tão complexos mesmo assim,erroneamente, muitos técnicos e instrumentos têm sido usados, mas a maioria tem esquecido do conteúdo humano, especialmente a maior virtude humana, que é ser diferente e complexo. Nesse intervalo surgem de charlatães à perversos que se aproveitam do sofrimento quase que maior parte das mães, digo isso por minha ignorância de ainda não saber qualificar o sofrer de cada pessoa no traço autista, pois sabendo que estes também sofrem tem surgido um bom número de tantos outros profissionais mais libertários  que eu, para enfrentar aos rótulos adoecedores.
Especialmente porque têm sim diversas formas de sofrer destas pessoas, mas sem dúvida a da indiferença,uma dor descomunal, é menor que a ignorância advinda do preconceito transformado em discriminação.
Dessa geralmente nasce o diagnóstico, a cega navalha da guilhotina da discriminação contra alguém que assume sua diferença e fazer questão de viver a partir dela. Neste sentido o prognóstico, é sim de auto ou imputado isolamento e padecimento, tamanho que nenhum instrumento poderá medir tal dor.
Estamos falando de pessoas que apenas precisam ser acolhidas em seu modo peculiar de equilibrar-se ante tantas invasões sensoriais, que sua forma de inteligência tem base no emocional, assim sendo atenta apenas ao que lhes cativa.
E nessa mesma toada, relaciona-se como se abastecendo energia, atenta precocemente a tudo que o circunda e não perde tempo com que não lhe equilibra. Por causa disso muito desistem e se isolam, pois nosso modo de vida repetitiva é para ele como para nós, enfadonha, só que eles assumem isso e não se rendem a tal maquinismo humano e assim nascem os autismos, as formas verdadeiras de cada ser.



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

AS DORES DAS RELAÇÕES "FILHO MAIS VELHO" E "INCESTUOSO" PSICOLOGICAMENTE FALANDO

Difícil é entender os conceitos de "irmão mais velho" e o "incesto com a própria esposa", sobretudo quando eles são de ordem inconsciente e, mais ainda, quando os vivenciamos.
Todavia, em meu caminhar na clínica psicotepêutica e especialmente na sócio histórica, tenho-os visto de maneira preocupante, mais ainda, quando a demanda envolve pessoas com o traço do autismo. 
É tão comum, nós que fomos enganados por esse mundo pós moderno, crentes e ainda alimentamos um suposto poder a nós homens. Neste contexto, fomos a todo o momento educados a sermos fortes e então, como tais, nascemos providos de uma mentira social, a suposta auto independência.
Caso é que quando deparamos com um filho e, mais ainda, quando ele não alimenta nossos desejos o caos se instala, nos frustrando desde cedo, como é mais evidente no caso da pessoa no traço. Neste contexto, geralmente, recorremos a sobrecarregar a esposa. E ficamos apenas ajudando como não responsáveis, ai surge o "irmão mais velho".
Mais complexo é quando surgem outras demandas, as quais chamamos de carências com origens supostamente, paterna e maternalmente e, buscamos que a esposa supra tais demandas agimos como filho delas também, o que pelo menos vejo três variáveis, incerteza do amor do homem a esta mulher, a satisfação quase que masoquista de ter o dono do poder sobre suas mãos por parte da mulher e para o filho, um tripo desamparo: por si mesmo por não ser auto suficiente, pelo pai impotente se escondendo atrás da esposa e, desta, naturalmente, por nunca poder suprir todas suas necessidades.
Nasce assim, um terceiro alternativo mundo ao filho, o seu próprio. Curioso que para a pessoa no traço nesse terceiro mundo ele, geralmente, precisa de alguém para o favorecer, então não é apenas dele, ele é o rei deste particular mundo e, ainda, o é em todo lugar onde ele esteja. Ele sabiamente não se exclui, geralmente tem um meio socializante mesmo que egoistamente, subjugando a tudo e todos.
O mais caótico é o que os adultos vivem nestes contextos. O genitor tende a viver isolado, quando não é o "filho mais velho", quase sempre tem uma vida paralela; quando atua como o "irmão mais velho" condena a esposa a jornada mais danosa. A genitora, quando não adoece gravemente, pode ter uma vida paralela que parece a salvar; pode ter diversas atribuições que lhe dá uma doentio consciência de heróina; pode ser também e, até entendível a certo modo, negligente que quando em dosagem relativa ajuda ao filho no traço evoluir a sua independência, parecendo que o instinto (totalmente inconsciente) impulsiona a mulher a agir para se libertar de antigas amarras, renegando o esposo com seu filho, por sentir algo de incestuoso na relação.
O problema encontra-se do fato de que assim, fica cada um em sua estrada, com seus medos, limitações e dores. Carecendo perceber que a vida é mais fácil que se especula.  E que quanto mais livre todos forem mais aberto a independência é possível, por outro lado, quanto menos liberto, menos autônomo poderá ser o filho querido, que geralmente, aproveita-se das discrepâncias do diálogo sociofamiliar, pois ele é o mais sadio e preparado para a vida, então tem que atuar a gerenciar a dinâmica daquele lar.
Entretanto, existe uma quarta variável a ser desenvolvida semelhante a o que fora citado, são aquelas que o pai é mais semelhante ao papel materno e a mulher a paterna. Como também é pertinente outras variáveis na ausência de um destes. Em suma, são tantas variáveis que carecem da presença de pessoas que venham naturalmente dar aos filhos meios de exercerem suas potencialidades. Ou não e, neste caso, os prognósticos tendem mais ao desencontros, comumente, das relações humanas.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

MÃE, NÃO A FUNÇÃO ESPOSA, INCESTO (PSICOLÓGICO) DO PAI: Como desautorizar-se ante o filho.

Auto desautorizando-se o pai, parece impor a cada filho seguir a si mesmo, como terceiro alternativa, de certo modo motivado por discórdia entre as propostas,  quando antagônicas, dos seu responsáveis, os pais ou quem faça as funções maternas e paternas.
Diante das tremendas dificuldades de desenvolvimento emocional no mundo pós moderno, como diria Bauman, quanto as relações "líquidas", poucos foram realmente filhos, para um dia desenvolver suficientemente bem o papel de esposo, pai e muito menos ser paternal.
Digo isso, considerando que ser genitor é fácil, pensando em germinar uma mulher, pois além de prazeroso é uma dádiva impar.Entretanto, enquanto manter um filho assumindo o papel de pai, corresponde apenas a ser provedor, ser responsável paternalmente, precisa-se estar disponível a "aprender a aprender" permanentemente, especialmente, em viver em companhia com a falta do seu próprio desejo satisfeito, ou seja, conviver com o próximo em suas diferenças, como ele é e, não como o desejamos, assim, ser paternal é frustrar-se conscientemente a si e, mesmo assim e por isso mesmo, amar apenas.
E assim sendo, sendo o paterno, nasce de uma necessidade de desenvolvimento emocional e não meramente crescer como homem e sim como humano. Neste sentido, na paternagem, os processos anteriores são necessariamente revistos, questionados e carregados de sofrimentos, faltas e carências tamanhas que justificam retorno a si, para não contaminar e ter consciência de seus antigos limites, agora atualizados, mas atentamente não deixa-los que atinjam aos filhos  com tamanhas dores.
Isso se dar apenas a aqueles que lutam para descobrir os prazeres de se ver em desenvolvimento perene e em paralelo com o seu filho e companheira. Assim, pode-se dar mecanismos para além da liberdade a independência daqueles, pois eles apenas precisam de nossa proteção.
Quero dizer, se tivermos sido também assim forjados para a independência ou nos permitir no processo do filho, através da proteção, ou seja, fomos favorecidos a desbravar nossos desejos e, acolhidos, sobretudo quando erramos e obtivemos estímulos necessários e encorajadores para seguir, melhor seremos para a vida dos filhos. Acatando que somos sempre errantes. 
Pois, assim, seguiríamos mais e mais responsáveis e então teríamos consciência do lutar, todavia, respeitosos aos nossos limites e, por fim entenderíamos a dignidade das diferenças, como nosso maior virtuoso tesouro. E não fugiríamos dessa diversidade através das mentiras sociais, por saber que todos  os diversos modos de vida são criados para mostra de modo sutil e harmônico que somos co-dependentes mutualmente e, só assim, evoluímos.
Portanto, estaríamos abertos a entender a mulher e o filho no traço, que são como diferentes modos de desenvolver o melhor em si, no peculiar sentido de bem estar e viver.
Então, não nos afastaríamos infantilmente se escondendo através da esposa querendo recuperar-nos da nossa carência materna quando as dificuldades surgirem-se, atuando psicologicamente incestuosamente, como se tivermos nossa esposa como mãe, confundindo a esposa e o filho que necessita de nossa força responsavelmente.  Onde deveríamos atuar fortes amorosamente, dando exemplo a cada filho, meios para eles imitarem-nos quando as dificuldades se apresentarem. Considerando que aprendemos por exemplos e assim, portanto, não dando mais argumentos para o sofrimento de cada filho.
Mas também, se agirmos, psicologicamente, como irmão mais velho, do nosso filho, causando a eles exemplos de fugar das suas dificuldades porque temos uma mãe "heróina"; ou, incestuosamente com as esposas, como carentes maternos perdemos possibilidade preservar o nosso papel de paterno e de esposo, levando-as a questionamentos do amor que ela espera de nós.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Pai, irmão mais velho? Contextos da Pessoa no Traço do autismo

muitos a se tornar pai cai em um jogo psicológico, atuando como o irmão mais velho do filho. Isso se expressa em posturas quase sempre inconscientes, pois psicologicamente as demandas das pessoas no Traço do Transtorno do Espectro do Autismo  em seus contextos nos confrontam com as nossas maiores inseguranças. Tanto que muitos, desesperam, outros infantilizam-se, alguns os abandonam e, enfim, ficando sobre as mães todas as respostas a serem dadas a essas pessoas no traço. E pior, as demandas do marido mais complexas ainda.
Essas inseguranças atingem não só aos responsáveis pelas pessoas no Traço do TEA, questionam também a nós, os profissionais, onde a cada acolhimento temos desafios que se avolumam a cada acolhimento.
Por sua vez, é na família que se desenvolvem maiores desafios imersos a tantas formas de sofrimento, nunca passível de ser dimensionado, por serem de ordem pessoal, subjetivo, em suma, vira condição de vida, pertinente a cada um envolvido no universo da família da pessoa no traço.
Ninguém, quer lidar com tamanho poder questionador  que sempre nos coloca impotente, pois, o traço autista, além de ser peculiar a cada acometido é em cada um que temos a aprender sobre ele, entretanto, nem sempre o sofrimento deixa os seus parentes entenderem o particular fenômeno e, poucos em seu comportamento tirão lições que o ajudem a estar neste mundo.
Isso para o homem, sendo genitor, aquele ainda educado e influenciado, majoritariamente, pelo machismo e mesmo sendo pai (provedor), pouco pode  terá meios de acessar ao filho, pois terá como forte e impenetráveis as demandas íntimas dele,talvez, porque somos forjados a prazer imediato.
Isso se dá, geralmente por precários recursos da inteligência emocional, como se esses pais nem como filho tivesse tido êxito carregando sua carência, depositam ao filho suas faltas antigas agora na criança atualizadas e, então, como desenvolveria boa atuação como esposo, pai e, por fim paternal?
Parece sê-lo mais cômodo ser um irmão mais velho do seu próprio filho, pois tendo a esposa que se responsabilize , especialmente, por nada saber de como lidar com o traço do autismo da criança, pois sua subjetividade se propaga de maneira avassaladora e de modo muito particular, ao ponto de coordenar tudo ao seu bel prazer e, pior,comunica-se tão sutilmente que até eles próprios, os pais, nem sempre o compreendem; parecendo, assim, ser pertinente se esconder em apenas ajudar e não se responsabilizar de fato, pois a esposa-mãe o fará e ai se torce inclusive que acolha as demandas desse adulto carente buscando nela um resgate para resolver sua imaturidade.
Assim surge outro desamparo ao filho no traço. Perdendo a paternagem, perde um exemplo de enfrentamento da realidade e de ser para além de autônomo, ser responsável, ou seja, liberto, falhando o pai que poderia enfrentar os seus limites, complica ainda mais a independência da pessoa no traço autista, podendo este imitar essa imatura forma de lidar com suas demandas, e lamentavelmente podendo ficar ainda mais difícil leva-lo a ser responsável por si mesmo, ou seja, um dia ser mais independente.
Sei, da cobrança aqui apontada ao pai que não consegue ser co-responsável pelo desenvolvimento do filho, juntamente com a mãe, mas alguém tem que alertar tal atuação carente, pois caso contrário, pode-se alimentar um adoecimento não só da pessoa no traço, mas de toda uma família.

sábado, 14 de janeiro de 2017

MÃES DOS PAIS, além, dos FILHOS – o terceiro caminho, quase que, solitário da pessoa no traço do Autismo



Existe uma necessidade gritante e, portanto, urgente, no processo de trabalho para a independência dos filhos no traço autista.
Trata-se da discrepância entre o cuidar e o responsabilizar por eles. Certo equívoco, que pode ser caótico ensinado, a gerações, às mulheres desde cedo, quase sempre filogeneticamente.
 Isso tem base no machismo e seu prognóstico são, geralmente, o de filhos desamparados a si mesmo, pais incompetentes e mães supostamente heroínas, mas na realidade quase sempre perdidas em sub-vidas e, sobrevivendo, mutilam suas vidas para cuidar de pais (seus companheiros) e os filhos. 
Estas situações, quase sempre são silenciosamente inconscientes, mas também existe, por assim dizer, um tabu a ser vencido, pois é cômodo para certos genitores, mesmo que estes percebam que cedo ou tarde perderam a suas companheiras diante tantas demandas e, é claro, perdem os seus filhos ou diante do sofrimento, os renegam.
No caso de filhos com o Traço do Transtorno do Espectro do Autismo tratar dessa realidade é basilar. Pois, se isso acontece, psicologicamente, pode colaborar para a ocorrência do fenômeno do “irmão mais velho” (posicionamento do pai para com o filho) e ainda, o "incesto", ( posicionamento do pai para com a esposa, vivida com mãe dele). 
Isso abre-se para tantas complicações emocionais que se pode falar em adoecimento de toda uma família e, pior, trazendo o filho como responsável disso, em uma trama inconsciente de proporções incalculável.
Nestes contextos, psicológicos, pouco pode-se falar da liberdade, necessária, dos filhos, imagine a independência, pois a autonomia deles pode estar comprometida, não pela responsabilidades dos adultos em questão, mas sim, por um movimento confuso e que pode ser desestruturante emocionalmente aos três e os demais mais próximos. Onde, na realidade, apenas sobrecarrega-se a mulher que, certamente, nem percebe a manutenção de um perverso ciclo, diante da enorme carga de demandas com o homem infantilizado, além do filho, mas este, geralmente, provocando menos conflitos que o seu próprio genitor.
Estes contextos, justificam, para na minha abordagem psicoterapêutica, o acolhimento de pelo menos dos três personagens citados, quando não a todos os parentes próximos, quando o ator principal é um filho no traço do autismo.


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

TRÍADE DE TEXTOS PARA A PALESTRA COMO ACOLHER O AUTISMO: Texto Base 3A LIBERDADE ASSISTIDA LÚDICADe como a psicanálise pode contribuir do brincar simplório ao evoluir à socialização, do simples ao complexo.



Brincar é  fantasiar e também  é  copiar por imitação ao mundo em seu redor, portanto, a criança vive treinando para as dores do desafio de se  manter  vivo  de forma prazerosa.
O desafio da Liberdade Assistida para ser tornar lúdica, tem duas fontes, uma é  não frustar-se com a simplicidade  e desuso que a pessoa no traço dar aos objetos usando-os de forma que jugamos não socializante, mas isso só não é diretamente. Pois, com esse uso simples, as pessoas incomuns ou diferentes, assim chamo, para não cair no dilema, dos neurotípicos, atípicos, que parece-me formas diferentes ou camufladas de chamar as pessoas no traço de doentes.
A outra dificuldade é alimenta-se da anterior, mas é mais  complexa, é  a resistência  de brincar dos pais das pessoas  no traço. Pois remete a carências  e desamparos atualizados  no presente e, reforçado  na frustração  diante  dos dilemas ressuscitados  com o TEA.
Todavia, de acordo  com todos as culturas, o brinquedo é  o maior instrumento pedagógico. E no caso da pessoa no traço é mais que isso é terapêutico.
Para a psicanálise é  especialmente indispensável para acessar  e favorecer  novos frutos tirados de objetos simples  a priori a-sociais na interação  de troca, mas é no lúdico que os pais se permitem que se pode evoluir ao transformar  o simples modo de brincar  em complexo modo de estar no mundo.
Então  o maior entrave  esta em trabalhar os pais e levar estes  a perceber  que e5 no brincar  que além de acessar a fórmula  do filho viver, também  e no jogo que se vive e se protege da sobrevivência. Ali se aprende  a viver e em prazer.
Então, sendo o brinquedo, o brincar um jogo que se realiza  com o outro e só se faz com quem é confiável, eis a marca  que pode se deixar aberta para uma independência.
Sobretudo, porque, como já foi dito, o objeto  simples  é para a pessoa no traço um instrumento  terapêutico  é  porque através  dele a pessoa  alivia as suas ansiedades  e ou angústias de estar vivendo de modo diferente e até incomum de acordo com o seu desejo, acesso cultural e ou com a fase e estágio  maturacional de cada um.
Então ao se permitir brincar  os pais podem abrir  portas para a complexidade  do objeto simples. Assim favorecendo ao filho evoluir  do concreto ao abstrato, do Real ao Imaginário, podendo  ir ao Simbólico. E se simboliza, não só estar aberto a escrever, ou falar, mas o principal, desejar de modo mais evidente.




TRÍADE DE TEXTOS PARA A PALESTRA SOBRE COMO ACOLHER O AUTISMO: Texto Base 2 COMO ACOLHER O DIFERENTE?



Basicamente, como cada filho ou pessoa diferente nos ensina a lutar, não apenas pelaa mágica  liberdade, mas sim por independência, isso no inovar  na aproximação e formação  do rapport terapêutico para que cada um não sinta discriminado,  ou vivencie outras formas de violências  sofridas por cada um dos chamados  atípicos, temos que ser permitidos a ser conduzidos terapeuticamente.
Isto significa respeitar, necessariamente,  a riqueza de modos da nossa extensa, se não, eterna  diferenciação entre as pessoas em suas multidões de meios de estar no mundo.
Em um desses exemplos respeitosos em  acolher  as pessoas no traço é  observar em quais objetos simples  podem ser transformados ou favorecidos  seus usos em objetos complexos, quero dizer, aqueles instrumentos que cada um deles usam de maneira particular e pouco socializado, ao observar podemos especular meios de possibilitar a socialização através do desejo de cada pessoa no traço.
Neste procedimento, o acolher pode parecer precedido do assistir, todavia, neste último, quem escolhe ser acolhido já tem ou não,  permitido o profissional  o observar  o assistir.
É simples,  cada pessoa no traço, em determinados  ambientes mudam de acordo  com e como  estes  os afetam, pois, engana-se quem pensa que eles não  interage  ou não  modificam o mundo ao seu redor. É provável que eles façam isso, mais imediatamente  que os comuns, nós. Eles de seus modos incomuns determinam quem,  como e quando será  modificado no seio raio de interação.
Assim,  portanto, quando  o terapeuta, analista,  ou educador está  na zona de interação da pessoa no traço, essa já é como um objeto  simples, propenso  a ser usado por ela.
Entender essa fusão  do acolher  e assistir a tal pessoa é  se permitir a dinâmica  de satisfação  de desejos daquela pessoa, aí que nasce a possibilidade  de transformar o objeto  simples em complexo, ou seja, favorecer  o entendimento daquele uso incomum de um brinquedo  lúdico ou qualquer objeto incomum, possibilitando  em uma possível complexidade  para além da “esteriotipia” daquela forma de brincar.
Quero dizer por aproximação, podemos fazer que quando uma pessoa  no traço  nos usa para dar acesso  a realização  do desejo dela, podemos  visualizar meios de os frustrar com  evolutivas e pequenas negativas, sustentadas no vínculo  estabelecido, para essas pessoas elas mesmas, aos poucos na aproximação respeitosa, realize seus desejos, através  de uma liberdade a eles assistida por nós e caminhe ao encontro de uma independência.








TRÍADE DE TEXTOS PARA A PALEDTRA DE COMO ACOLHER O AUTISMO: Texto Base 1 ACOLHER OU ASSISTIR?


No atuar da psicologia, afianço que tanto acolher como assistir são posturas profissionais plausíveis e, em certo contexto específico, acolher evolui para assistir, em outros, creio, só se acolha, mas, nunca só  se assiste, sem o devido acolhimento. E, em todo processo uma troca humilde de comunicação é princípio, meio e fim.
Quero dizer que tudo nasce de uma doação mútua durante todo processo, pois, se “só sei que nada sei”, e, mesmo que o profissional tenha um “suposto saber”, este poder é um engodo, mentira que não se sustenta, sobretudo, quando lidamos com o ser humano. Por isso, fala-se em saúde de modo amplo, holístico mas também, contextual e dialética entre forças dinâmicas de contribuição partilhada.
Portanto, não mais se fala em deficiência e sim, desabilitados. Em suma, podem todos, desenvolvendo em suas limitações tornarem-se não meramente autônomos e funcionais e, sim, independentes, respeitando a riqueza de caso a caso, ou seja, parceria profissional/demandante/demandado, ou seja, técnico/pais/filhos.
Exemplo disso, é as diversas formas de adaptabilidade das pessoas no traço de em seus modos diferentes de estar vivendo, onde, de seu modo único pode surgir um poder criativo genioso, porém, o mais importante, é a salvação própria de cada um desses atípicos, a particular maneira de cada um deles lidarem com as dores e dessabores  no perigoso processo de viver. Pelo qual, cada um deles ao seu modo, não aceitam a indigna sobrevivência.
Então, para se chegar e seguir para e com a dignidade  da pessoa no traço, ou seja, assistir, necessariamente, deve-se estruturar um bom rapport, um ambiente seguro com setting dinâmico que contemple todos os possíveis  modos diferentes de ser durante o acolher.
Dele, segue-se a fórmula mais empoderadora, o assistir o paciente em sua força e vitalidade. Neste contexto, o conhecimento é perseguido para transformar ele para além da liberdade, à independência. Por isso, chamo liberdade assistida, ou seja, maneira de favorecer que as pessoas no traço possam vivenciar experimentos dentro de suas fragilidades especialmente, aquelas adaptativas ante as invasões
e violências do desejo  alheio que elas desde  cedo, não  esperam a adolescência para frustrar, provando-nos desde  já, sua autossuficiência. Tanto que a cada dia, elas subordinam às famílias aos seus desejos, até aos mais primitivos?











sábado, 13 de agosto de 2016

O DIZÍVEL

O dizível
A única função  do cuidar, creio que seja o de tornar possível  a simbolização da dor de viver e ser livre do desejo alheio, sensações  invasivas sentida por  nossos dependentes.
Enquanto eles se  permitirem a suposta  orientação,  pois prefiro exercitar uma tal de liberdade assistida, na qual, - processo que  também supõe  Ferrari, expoente contemporâneo, visivelmente baseado em Winnicott -, pode-se assistir certos ganhos para além da funcionalidade, uma certa independência.
Mas, para isso, a fim de ir além dos desejos alheios e da orientação que alcança apenas uma precária autonomia funcional, sustento fé no brincar  como viés  para ir do Imaginário  ao Simbólico ante a dura vida do e no Real.
Nisso, também, especulo  que  ao brincar,  não necessariamente, com e como concebemos  utilidades aos objetos comumente usados, especialmente  porque somos todos e temos  diferentes  maneiras de realizar e nos satisfazer  em desejos. Que não  criou usos diversos com um único objeto? E melhor,  o uso diverso  é  sinal de genialidade e não mediocridade  criativa.
Aquele  primeiro  teórico,   ao falar de quem  comumente  chamo de pessoa no traço  autista, cita a necessidade, que nos analistas temos, de ampliar nosso ponto de vista a partir da escuta do que acontece  consigo e com o outro durante  do encontro  com paciente. 
Claro  que esse encontro, brincado, é a fim de desenvolver  o Simbólico, no tocante a ajudar  aos pequenos a suportar  o Real, rascunhando do Imaginário os símbolos. Processo em que o paciente no traço  tem  que ser  observado  e favorecido a florescer. Para tanto, a intuição é  instrumento elementar. É como uma comunicação inter – inconsciente.
Neste  exercício  o lúdico deita e rola, onde  até  a ecolalia deve e pode ser provocadora ao brincar e divertir, assim sendo,  o medo ou os egoístas acertos  não  entram em questão, pois certo e errado ficou para juízes e deuses, especialmente, porque  no olhar clínico junto  a qualquer  criança, o brincar estabelece  no social  a saída  do Imaginário  através da confiança e empatia  e altruísmo sentido pela pessoa  no traço  como mecanismos  de inclusão  e pertencimento.
Mas o brincar não zombeteiro para com as ecolalias, por exemplo, mas sim para  te ter amenizar  os sentimentos dos pacientes quanto a sua participação  verbo e corporal comunicação, como também  considerando  uma forma de arqueologia  das expressões  para além  do verbal no processo comunicativo  dele em Inclusive, em ensaio-erro buscando  uma  adaptabilidade possível  a socialização, dentro e através  das emoções.
Sobretudo, que no brincar tudo é  permitido, mesmo havendo regras claras entre os brincantes respeitosas as dinâmicas  dos pares, estas regras é  base filogenética, por assim dizer, do humano  para viver como dependente um  do outro, na minha  visão  baseada em Lacan o Grande  Outro, Este como determinismo pre-onipresente, ciente e potente.
Aquele que melhor  se explica  pela cultura, onde o pai  é  tão  importante  quanto a mãe, nas divisões  de funções do e no brincar isso fica explícito, a paternidade com sinal  da lei, mecanismo  basilar para a socialização. O que  me parece falho junto às famílias de pessoas no traço(na maioria ao menos das que acompanho, falha  sobretudo, inconsciente). Enfim, para  socialização  a função  paterna  é  crucial que seja desenvolvida firme e amorosamente .
Em produção que tem muita  contribuição significativa  de Pocconi, em texto winnicotiano, falando sobre o corpo, diz que as “respostas  comportamentais insólitos  e  bizarras aos estímulos  sensoriais(...) aparentemente  incompreensíveis, sejam na verdade,   ricas de significados”, e diante  do Real apresentando  por este Grande Outro  invasor “estas  crianças utilizam para manter e proteger  certo  tipo de sistema, isolado e isolador”, no qual este amor forte presente, pode dar segurança a pessoa no traço no acesso ao pertencimento  social.
Aqui nos dispersamos  do que ela mais  a frente  vai  chamar  de “ casulo protetor “, tanto que ela, a autora reconhece  que a “criança  lança mão  de proteções manipuladoras“ ante a interrupção precoce do holding. Discordo, portanto,  pois se a criança  manipula  o meio ele interaja e adapta  a suposta da mãe suficientemente  boa. E portanto, suponho, que o Amro forte de uma paternagem, deve ser um excelente atuar para sair dos ganhos secundários nessa manipulação por parte das pessoas no traço, pois assim, prova a sua  não aceitação  a socialização, pois esta suponhe uma negação  individual  em detrimento do coletivo, ausente nas pessoas que se utilizam  da manipulação  para ter seus desejos realizados.
Aqui cabe  um adendo, quanto a essa falha. Winnicott supõe  que temos a se utilizar  de objetos transnacionais para suportar  a falta que todos temos que vivenciar  para se tornarmos quem somos. E são  estas faltas, carências deixadas pela inabilidade natural da mãe ou outra cuidadora  de nunca poder suprir todos  nossos desejos. Mas para esses  pensadores, parece-me ver as pessoas no traço  muito fortes ou frágeis   ante tais faltas. Ao  ponto  deles chamarem  de aniquilamento sentido por tais pessoas se assemelhando  ao vivido  pelos psicóticos ao lidar com o real. Não creio em estremos e sim nos contextos de como são dados a essas pessoas inserções  ao social.
Então conclui-se que não  há  culpa ante  a es a suposta  falha, pois nunca  se alimentara o desejo  por inteiro, bem como essas pessoas no traço não  se colocam encapisulada pelo  menos  de imediato.
Penso que se em suas maneiras de se adaptar e de manipular o meio encontrar pessoas suficientemente  boas para parafrasear  Winnicott pode a ajudar a suportar o peso do Real tanto na descoberta  de uma morada (corpo), gozar dele (falar), ou seja, descobrir que  ele não  é um pequeno Príncipe Tirano  e que terá  que  também  escrever seus desejos no mundo, no dizível  possível  a cada um deles, respondendo  por seu desejo e assim, escrever sua independência pessoal.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Autismo, brincar diferente: ensaio de um gênio


A importância do brincar a todas fases se fazem, por ser a melhor maneira de socialização, pois ela precedo do imaginário“O brinquedo infantil (...) permite representar o papel (...) o brinquedo ensinar a exercer    simultaneamente diversos papéis, ponde em atividade, no indivíduo, a própria interação social, permitindo-lhe colocar em lugar do outro” (pag.18).
No imaginário podemos criar e recriar sem a destruição e sofrimento comum do mundo adultocêntrico presos a status, “No campo traço da personalidade são muitas as diferenças (...) Maslow, faz notar (...) os traços da personalidade ( são) ligados aos diversos status” (pag.35-6).
Porém, na infância não somos presos ao status, como também as pessoas no traço autista não sofrem, ao menos inicialmente, com os preconceitos, talvez quando estes evoluem a discriminação em sua violência comum é que eles são mais afligidos a isso. Todavia, é pertinente citar que as discriminações são frutos sociais: pois “Muitos grupos aceitam como normal o que chamaríamos de ilusões, alucinações, histerias ou neuroses” (pag.39).
O maior alvo de discriminação as pessoas no traço autista talvez seja a ingenuidade, passividade e a docilidade, onde se camuflam preconcebidos de incapacidades cognitivas, todavia:
“Klineberg (...) os fatores ecológicos são mais importantes do que os fatores raciais (...) a noção de patrimônio psicológico inato, indispensável a interpretação dos fatos, permanece vazia de conteúdo.  (...) Certamente, é admissível que o próprio meio traga elementos materiais que contribuem para produzir os desempenhos intelectuais (...) somos induzidos a imaginar a hereditariedade como conjunto de virtualidades positivas de um indivíduo, que marcam o máximo de seus desempenhos admissíveis. ‘Mas esses limites só muito excepcionalmente  serão atingidos, nos raros caso em que o meio social (...) seja favorável” (pag. 61)
 Então, é possível que o meio cultural, que chamamos de estímulos podem ser mais promissores que as informações genéticas herdadas, se assim são também, cabe-nos sinalizar que provavelmente, ninguém nasce com uma predisposição ao autismo e, necessariamente, a desenvolva sem que seja favorecidos ou potencializados no social.
Mas, para lidar com este sociocultural, quero dizer então, que sendo o brincar um grande mecanismo criativo é mais favorável, suponho, que sendo os comportamento diferentes, manias e costumes ( que chamam de estereotipias) se forem aceitos e delas criados, mutualmente, brincadeiras dentro da dinâmica incomum da pessoa no traço autista, este se sentido respeitado, aceito e acolhido pode desenvolver habilidades, quiçá geniais e inovadoras para não só sobreviver mais ser dignamente aceitos.
 Afinal, não se conhece um gênio que não tenha sido rotulado de esquisito. Assim, 
“o habitat,  o nível econômico-social expresso pela profissão dos pais e a dimensão da família. Cingir-nos-emos aos resultados perfeitamente decisivos”.(pag. 57-9). O que me faz pensar que quanto melhor tempo e qualidade deste, no tocante dos afetos ( qualidade de vida) podem promover melhores escores (resultados), no processo de aculturação e socialização que não “se desenrolem inteiramente sem crise. O bloqueio de uma tendência, num ser vivo, acarreta um estado de tensão (...)As proibições e coerções de ordem fisiológicas produzem certamente graves frustrações (...) Não ter acesso direto às pessoas e às coisas origina também estados de ansiedade, não apenas fortemente sentido no momento, mas deixando trações duráveis” (...) Os traumatismos devidos à aculturação são mesmo capazes de provar certos efeitos (...) Um desses efeitos é ulterior reação à autoridade (...) A criança não sentirá ressentimento para com a autoridade, quando sua experiência tenha sido a de contato com os adultos que amenizavam a severidade das privações que impunham, que infligiam as frustrações com benevolência (...) Já a criança criada com brutalidade guardará, com respeito a autoridade, o ressentimento agudo que teve em relação aos pais e aos adultos em geral. Desincumbir-se-á dos mandados com hostilidade e repugnância e cada ação lhe custará um conflito interior. Conforme o temperamento, aproveitará todas as ocasiões para exprimir sua hostilidade; ou, se muito fraca ou medrosa para lutar, ficará ruminando seu agravos  e tratará de livra-se deles em atividades dolosas ou obstrutivas” ( pag. 70-1)
Então, que criança estas forjando em vossos filhos? Independente de estar ou não no traço autista, a regra é a mesma, a imitação será direcionada a autoridade que tem mais ganhos no social. Se, ages com sua companheira a coloca-la submissa, ele assim tratará a genitora e o próximo será você. E, se na escola existe uma hierarquia acentuada, ele tenderá imitar isso, aprovando regras dos adultos sobre os seus pares, porém, cada vez mais agradando a aqueles, ficando cada vez mais só, e não necessariamente anti social.
Portanto, por outro lado, para os incluir de maneira mais interativa e menos adultocêntrica, precisamos favorecer o lúdico,  o que necessariamente temos que os facilitar é brincar. Brincando, eles podem sair do Imaginário indo ao Simbólico, ou seja, podem fantasiar brincando no Real, onde desenvolvendo o brincar pode-se desenvolver o ser e o estar, portanto, aliviando a grande responsabilidade de ter em si o sopro da vida. E, assim, podendo nos ensinar a sua forma verdadeira, franca e direta de ser, talvez de maneira menos abrupta.

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JEAN STOETZEL, Psicologia Social, Companhia Editora Nacional, São Paulo(1972)

sábado, 9 de julho de 2016

Educar para a vida.

Se de repente  os alunos  atípicos denunciam nossas limitações, nos colocado em  cheque ante a nossa precário conhecimento sobre eles mesmos, encaramos nossos limites de conhecimento, afetam inevitavelmente a frágil estabilidade  econômica (status) e sobretudo, a  nossa precária inteligência emocional (subjetividade), especialmente se somos da rede privada de ensino.
Quero dizer que assim, eles nos confronta em nossa particular dimensão  social e psíquica  afetando somática e diretamente nossos corpos e, assim, interagimos com eles como sem regra, perdendo  nosso destino de ser o melhor no que fazemos.
É um dilema, que concerne à nossa segurança  biopsicossocioespiritual de educador e/ou de outro  qualquer  profissional  que lida com a pessoa com traço do Transtorno  do Espectro do Autismo  TEA, bem como qualquer outro  atípico.
Refiro-me de imediato  a segurança  econômica  porque  esta está diretamente ligada a atual conjuntura ideológica. Sobretudo, porque em um mundo  pós moderno, o neoliberalismo ensina que somos mais livres tanto quanto  podemos consumir, ter  em detrimento de ser. Mesmo que não concorde que nem somos, apenas estamos sendo algo em cada contexto, essa realidade da grande maioria, alienada.  Eu não sou psicólogo e ativista em direito humanos 24 horas, tem horas que nem sei o que estou sendo, principalmente para os meus pacientes, por exemplo. Logicamente, porque sei que o que estou sendo é dialetizado com quem estou partilhando em determinado  contexto em perene dinâmica.
Enfim, através do econômico nos aliena de nossas virtudes consumindo-nos, nos aprisiona em precárias percepções  errôneas de nós, de contextos e dos demais mecanismos que nos enriquecem de vida real e sapiência potencial em cada ser vivo, sobretudo, os nossos educandos, que teimamos, eufemicamente chamar de especiais.  Não nos enganemos, eles apenas sofrem devido a nossa deficiência de não os entender colocando contra eles barreiras.
Especiais são as ciências que eles desenvolvem para lidar  com esse mundo adoecedor. Basta citar aqueles educadores, ainda, alienados, educam a partir de pressupostos desumanizantes ampliando nossas diferenças como se não fossem virtudes. Estas diferenças que nos pune e nos limita e a os no traço TEA infinitamente mais.
A maioria de nós, somos, por exemplo, manipulados a um processo alienante e desumano de como são elaborados as especializações. Através delas, formamo-nos especialistas em um foco minúsculo de determinado conhecimento e, com isso, caso nos fecharmos ao universo e dinâmica  dos novos saberes, nos transformam em doutores iletrados, especialmente quando  se referimos ao ser, e muito menos a vida e para que aqui estamos e para onde viemos. Pois, sabemos muito pouco além do nada que nos especializamos.
Nesse sentido, o educador, o maior profissional e cidadão, nesta concepção de sociedade, é o mais mal remunerado, em sua dura missão  de libertar cativos da ignorância, o que mais trabalha, pois tem que estar (re) editando a todo instante suas práticas, este profissional é quem melhor  espelha a verdade de que nunca estamos prontos, que somos sempre  uma obra em desenvolvimento.
Nisso, nasce a humildade de  estar aberto permanentemente ao novo. Caso não  queira ficar ao caminho, presa fácil, também, à alienação. Mas diferente da humilhação que vivem os educadores, a humildade é que pode ajudar a nos se libertar, mas apenas se nos colocar como aberto a aprender a aprender cotidianamente com o alunado.
Por sua vez, humildade é mais indispensável quando lidamos com uma atípico. Junto a um deste fica mais evidente a célebre frase “eu sei que nada sei”. Com uma criança  com traços TEA temos que além de humildes se deixar guiar pela criança, para além do desenvolver de uma empatia e uma força  respeitosa,  amar o que se faz e a quem faz. Todavia, isso apenas se instrumento de vínculo. Ensina para a vida, através disso.
E ai surge outro mistério, a criança é quem escolhe  a que(m) se vincular. A pessoa com traço TEA introduz essa máxima, como marca de sua autonomia e sua forte interação com o meio. Tudo depende disso e, assim o escolhido, provando que eles não vivem em seu “mundinho”, ele também escolhe o que fazer, através do vínculo estabelecido, pode-se adaptar o conteúdo à dinâmica da pessoa com o traço TEA.
Portanto, todos que se dispõe  dar acesso ao conhecimento a essas criaturas  tão  únicas como nós, precisam atuar através de uma independência significativa ( através de uma boa dose de inteligência emocional) para ser guiado  pela criança  em sua  peculiar forma de ver e viver nesse mundo. Não foi por engano que coloquei  “que (m)”, pois, para sua  proteção parece-me, comum entre algumas pessoas com traço TEA,  quem se utilize das pessoas como objetos,  na busca de atenção e cuidado, usam as pessoas como instrumentos de acessos aos seus desejos.  
Esse é o instrumento, onde o educador  humilde ( para além do pensamento paulofreiriano) se coloca para partilhar um pouco da forte invasão sensorial que essas crianças sofrem, em nos permitindo ser objetal, podemos favorecer que eles (quicá) possam se adaptar aos contextos de maneira menos sofrida e, assim também, encontramos meios mais estimulantes para os educar.


A MORTE PEDE CARONA: ADULTOCENTRISMO E INFANTICÍDIO, NÃO SÓ SOFRIDOS PELAS PESSOAS NO TRAÇO AUTÍSTICO

Repensando sobre tudo que contribuem para a despersonificação de cada ser, penso que a partir da impossibilidade de alguns entre os ad...