quarta-feira, 19 de abril de 2017

O ÚLTIMO GOLPE NARCÍSICO, PARA UMA EVOLUÇÃO PARA ALÉM DA RELAÇÃO DESIGUAL DO PODER: CASTRAR-SE DO MACHISMO


Em uma sociedade  que valoriza o que se tem, parece esquecer que quanto  mais ricos existirem mais miseráveis multiplicam-se. Enquanto educarmos filhos para serem  melhores ,em suma, competidores, mais favorecemos desejos, ou seja, favorecemos o fim da solidariedade, alimentamos, portanto, assim, violência.
Desde  que me percebi  “como gente”, como  se fala em minha região, percebi-me como sedento por revolução. Assim, pensei ser professor lamentavelmente, convivi com professores que  eram “pelegos” em sua maioria, o que me frustrou  favorecer  canalizar minha revoltas para um coletivo  em formação  política; fui às artes como música, teatro, poesia entre outras que não são valorizadas em um país  instruído a não  pensar e, até nestas, ficam  evidentes “que o rio corre para o mar”, ou seja, também se é,  nelas efetivadas as diversas máscaras da segregação; até  que me vi condenando aos ditames das gerações  passadas, que vêm no “trabalho (o que supostamente) dignifica  o homem”, foi então que me vi acoçado pela escravidão  que se camufla na eufemia das relações desiguais do poder do mercado; por fim, vi-me expurgado a voltar aos estudos, quem sabe para entender os mecanismos  de revolucionar  o mundo e, foi então, a psicologia, instrui-me, e cotidianamente vejo que só  existe única revolução: a subjetiva e em harmonia com os anseios alheios.
Foi assim que entendi e aprendo a cada dia que ser só é, saber  a cada dia mais, aonde e como lidar com as pessoas. E lamentavelmente, percebo que de tão  sofrido, o meu povo encontra-se contentando com “migalhas” dos prazeres imediatistas e soluções cada vez mais superficiais, em tal situação pensar, criticar, ponderar antes de agir “sairam de moda”.
Nisso, fico cada dia mais convicto de que a solidão tem ritmado a solidariedade, tanto que ajudar e responsabilizar tornaram-se sinônimas. Assim, o ato  de amar tem se percebido  como ingênuo e “tirar proveito” é  a regra e, nesse sentido, parecem crer que apenas corruptos  são os “engravatados  de Brasília”.
Isso tudo relaciona-se implicitamente com o machismo, o último golpe  que precisamos nos dar para entendermos as mazelas das relações  desiguais de poder. Decepando aquelas formas de relações  que se configuram nas relações hierárquicas como macho/mulher, adulto/criança, rico/pobre, patrão/empregado é que podemos sentir nossa particular revolução em ebulição.
Em todas estas e qualquer  integração  humana, em que houver violência, especialmente  a psicológica, por ser tão  impactante que leva a vítima se sentir culpada, é  que me afiança a dizer que toda a miserabilidade  humana está na propriedade  privada. Pois, é  na ideia de posse que se escondem todas as forças da vildade.
Enfim, entendo porque  sou esquisito, tosco ou até  antiquado  para esta sociedade, mas não temo essa solidão, parafraseando o poeta revolucionário “assusta-me o silêncio  dos inocentes” diante de suas próprias desgraças.
Entristece-me sim, ter tantas gerações perdidas sem se revolucionar, presas a mentiras tantas. E lutam e morrem por nada ou sem viver, cambaleia drogados por falta de “não falar das flores”, quero dizer, não degustam dos encantos  reais dessa vida. Vão sendo bitolados a favorecer as formas e relações desiguais por um suposto poder. Esse sendo, o necessário, último  golpe narcísico  que devemos  dar-nos.
Enquanto  eu também  definho, cada dia mais as relações  ficam mais utilitaristas, restando-me apenas aprender precocemente o gosto de cotidianas despedidas. Estranho, pois as pessoas mais próximas estão sendo, neste últimos tempos, os pacientes e, neles eu tenho contentamento pois os vejo se revolucionando. Meu legado, portanto, é  suportar o servir ao próximo e assim, amar vivendo servindo.

terça-feira, 11 de abril de 2017

ENTRE CULPA E A RESPONSABILIDADE

A cada paciente, independente da idade, classe social ou cultural, têm me ensinado que somos reféns de um mal que as gerações ainda não se libertaram.
Refirmo-me à má interpretação da filosofia cristã ocidental, aquela que chamo de barroquismo, ou seja, a prisão da culpa, advinda do pecado, o velho certo e ou errado.
Essa dicotomia tem contribuído para a desigualdade de oportunidades, no que se refere à qualidade de vida. Pois, assim, as pessoas se rivalizam se acusando mutualmente, dificultando e até impossibilitando responsabilidades, tanto dos adultos como dos filhos, independente da idade. Em suma impede sobretudo, que em sociedade tenhamos pessoas mais dignas de atuar em prol de direitos correlacionados com os deveres. Mas esse é outro tema. Especialmente porque isso é o resultado último dessa sociedade sobremaneira egoísta. 
No que nos interessa, quando os adultos treinam, geralmente de modo indireto e até inconsciente, os seus filhos para não se responsabilizarem, temos na maioria dos casos famílias nas quais as mulheres mais adoecem e são vítimas de suas próprias distorções perceptivas, como nos exemplos daquelas que são levadas a atuarem como perfeccionistas, contentando-se apenas com a sua forma de atuar e orientar o próprio filho.
O perfeccionismo tem diversas faces, a mãe heroína é a mais evidente. O pai impotente também. E destes, creio,que nascem as diversas formas comportamentais, por assim dizer viciadas, por parte dos filhos. Entretanto, também, essa abordagem daria outro tema.
Focando, na crítica presente, creio que se faz indispensável caminhar para uma postura, sobremodo atuada pelos adultos, de corresponsabilidade onde tanto pedagógica e emocionalmente seja especulado as intervenções junto a todos os filhos, não apenas aos que são tidos dentro dos traços do autismo. Afinal, há pouquíssima diferença no trato de formação entre os atípicos e os não, guardando as devidas proporções e peculiaridades de cada pessoa e comprometimento.
Entretanto, a cada dia mais, as pessoas no traço do autismo me ensinam que há pouquíssima diferença mesmo, naturalmente, quando olhamos a partir da inteligência emocional. Não é em vão que todos que eu conheço, adequam as situações e as pessoas as seus desejos. E quando não as ignoram.
E é nessa mesma perspectivas, hipotetizo, que se os adultos distribuírem e partilharem de uma postura mais nivelada quanto as responsabilidades, mais poderemos também caminhar nesse sentido com todos os filhos. Assim, bem como eles aprenderemos dentro de seus limites suas potencialidades e, melhor, não mais os infantilizaremos, subestimaremos ou limitaremos.
O melhor ainda é que, sem o peso da culpa, com a distribuição das responsabilidades, inclusive as dos filhos, adoece-se-á menos e, mais facilmente, teremos visibilidade de cada pessoa em questão, a partir das potencialidade e não dos supostos limites.

terça-feira, 4 de abril de 2017

A COMPLEXA REALIDADE DE SER PATERNO: AMAR.


Tenho percebido como tem sido difícil aos pais melhor (co)responsabilizar-se junto as demandas dos filhos no traço autista.Muitos ainda padecem em pensar que devem apenas ajudar, porém, estes esquecem que ajuda-se quando e como pode. Entretanto, todos são responsáveis, inclusive a própria pessoa no traço autista. Pois se assim não trabalharmos como poderemos pensar essa pessoa para além da autonomia e da liberdade? 

Alguns, pensam que apenas as mães são mais habilidosas no cuidar e preparar para a vida. Estes também pecam duplamente, ao menos. Porque por um lado, esquecem que aprendemos por imitação e, pior, ensinamos a cada filho a lei do caos que se encontra impregnado na sociedade, ou seja, a desigualdade em todas as relações e, então, uma desarmonia no tocante ao amor. 
Quero enfatizar que todo filho, não só a pessoa no traço autista, imita o que lhe dar mais prazer. Por exemplo, se ela assiste uma desigualdade na distribuição de poder na relação entre os genitores, onde um pode tudo e ao outro cabe só as demandas de cuidados e serviços, a quem esta pessoa imitaria?
É claro que temos as variáveis do amor que os filhos nutrirão a aquele que o cuida e o protege, todavia, cada uma realidade tem seu contexto e suas variáveis. O que tenho assistido é que temos exemplificado a nossos filhos, muito pouco amor, lamentavelmente. Especialmente porque poucos se dão conta disso e, entre estes, ainda a aqueles que pouco se mobilizam para mudar isso revolucionando sua própria realidade.
Este é o segundo equívoco, nestes que exemplificam egoísmo aos filhos, pois vivem na desarmonia do amor. Nos casos que contribuo para minimizar isso, temos tantas variáveis que tem horas que sofro por perceber tamanha frieza e apatia no tocante ao amor, talvez por não entenderem o sentido da vida.
Refiro-me a pessoas que sobrecarregam suas companheiras por tanto trabalho especialmente com as demandas com os filhos e, aguardam em suas posturas de relação desigual de poder que elas sirvam seus desejos de homem, de esposo, de chefe de família e, não poucos, muitos se deixam como "ainda filhos".
Falarei especialmente deste último, quais ora rivalizam com o filho, ora o infantilizam, ora esperam deste soluções as suas mais profundas perdas e, portanto, esperam que seu descendente realize os antigos sonhos frustrados.
Em fim, esquecem que para além de genitor (aquele que gera), não adianta ser apenas pai ( que sustenta) é necessário ser paterno. Este que além de gerir e sustentar também precisa exercitar a ternura (paTERNO) e, ser terno (deriva da palavra três), portanto, é dedicar a três a si, a esposa e a cada filho. Como agir assim? Vivendo intensamente!!!!
Isso é, uma dedicação para preservar a beleza interna e externa sua e da esposa, amar as suas limitações e apoiar nas dificuldades mutualmente, mas especialmente, responsabilizar pela complexa formação e desenvolvimento do filho. Favorecer humildemente, portanto, o bem estar e qualidade de vida através do diálogo franco e independente. Estas conquista nunca são conquistadas apenas pelo poder econômico e sim pelo amor, este que a tudo congrega, aceita e entende, por saber que só existe uma revolução, a íntima que resulta para bençãos para todos.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

AUTISMOS

Existe uma verdade em meios a tantos desencontros e até mentiras sobre o autismo. Talvez a única verdade seja a de que todos os manuais de psicopatologia carecem de provas científicas contemporâneas e, sobretudo porque, pecam em não escutar quem menos pior conhece cada uma dessas pessoas, geralmente as mães.

Elas provam que tais manuais através de certos profissionais, que temem sair de suas zonas de conforto (que chamo de conflitos), pecam por saber/sentir algo que algo está errado, mas continuam a tentar bitolar a condição humana a reduzindo a uma, ou outra teoria. A verdade é que nada sabemos, para além do discurso de cada demandante.
Sobretudo, as mães, ainda denunciam que não existe autismo e sim autismos, mas também não me refiro ao espectro. E sim, que cada filho, não apenas não se enquadram exatamente nos sintomas e sinais que os une em um espectro, todavia, nem todos são transtornados, alguns sofrem é bem verdade, mas na maioria por nossas deficiências de os compreender e por causa das barreiras, tanto arquitetônicas da sociedade, como instrumentais das ciências, desde da avaliação cognitiva sem considerar a inteligência emocional, como meios de interação social sem atentar para a grande maleabilidade adaptativa humana, e ainda assim, impomos bitolas, como se os humanos fossem iguais, entretanto, esquecemos que assim agindo, os adultos que sofrem e sem querer, levados pelo discurso adultocentrico, os fazemos aprender o nosso sofrer.
Muitos dizem que eles são a-sociais, não interagem, não desenvolvem a cognição, tem um mundo particular(...). Mas a clínica Sócio Crítica, voltada aos contextos familiares percebe e prova que eles sofrem e afetam-se com as dores dos que dão a eles segurança para amar - pergunte a cada mãe.
Eles interagem tanto como o meio onde vivem a proporção que são invadidos que chegam a responder ao meio muitas vezes tão violentamente quanto são tomados via os seus canais sensitivos, quais não dimensionamos, pois eles são mais evoluíodos. Com o tempo eles conseguem, geralmente, a duras penas, equilibrar tal invasões.
 Eles são tão  mais sociais que nós que inventamos mentiras para sobreviver, eles são verdadeiros, nós que não suportamos verdades. Eles oscilam, como nós, só que teimamos em querer sempre superficialmente, bonitos com máscaras, eles as entende e usam metáforas, mas não as acatam quando encobrem suas verdades, sabe que ser direto é mais prático.
 Mas não deixam de sonhar, nós deixamos isso desde que a adolescência nos condena ao mundo adulto. Eles são tão mais inteligentes, pois usam a inteligência  emocional, tanto que todos em seus lares, geralmente servem-o, por ele subordiná-los as suas necessidades.
Eles são tão mais inteligentes que precocemente são chamados a usar a inteligência emocional, articulam as situações a gerir toda a família a seu bel prazer.
Mas então que autismos são estes que penso, vejo e sinto. São aquelas pessoas que por alguma etiologia não explicada ainda, e creio que essa geração não saberá, que os fazem mais evoluídos do século. Mas também, a maioria ingênuos satisfeitos com tão pouco, usam da mesma inteligência para ser saciado. Sabem que desse materialismo nada se leva, vive o hoje como o primeiro dia de suas vidas. São, mais ricos que nós, pois não são tão vazios para ter ansiedade, no máximo, podem ter angustia, de não ter como lidar como tantas pequenas maravilhas que a ele contamina.
São tão complexos mesmo assim,erroneamente, muitos técnicos e instrumentos têm sido usados, mas a maioria tem esquecido do conteúdo humano, especialmente a maior virtude humana, que é ser diferente e complexo. Nesse intervalo surgem de charlatães à perversos que se aproveitam do sofrimento quase que maior parte das mães, digo isso por minha ignorância de ainda não saber qualificar o sofrer de cada pessoa no traço autista, pois sabendo que estes também sofrem tem surgido um bom número de tantos outros profissionais mais libertários  que eu, para enfrentar aos rótulos adoecedores.
Especialmente porque têm sim diversas formas de sofrer destas pessoas, mas sem dúvida a da indiferença,uma dor descomunal, é menor que a ignorância advinda do preconceito transformado em discriminação.
Dessa geralmente nasce o diagnóstico, a cega navalha da guilhotina da discriminação contra alguém que assume sua diferença e fazer questão de viver a partir dela. Neste sentido o prognóstico, é sim de auto ou imputado isolamento e padecimento, tamanho que nenhum instrumento poderá medir tal dor.
Estamos falando de pessoas que apenas precisam ser acolhidas em seu modo peculiar de equilibrar-se ante tantas invasões sensoriais, que sua forma de inteligência tem base no emocional, assim sendo atenta apenas ao que lhes cativa.
E nessa mesma toada, relaciona-se como se abastecendo energia, atenta precocemente a tudo que o circunda e não perde tempo com que não lhe equilibra. Por causa disso muito desistem e se isolam, pois nosso modo de vida repetitiva é para ele como para nós, enfadonha, só que eles assumem isso e não se rendem a tal maquinismo humano e assim nascem os autismos, as formas verdadeiras de cada ser.



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

AS DORES DAS RELAÇÕES "FILHO MAIS VELHO" E "INCESTUOSO" PSICOLOGICAMENTE FALANDO

Difícil é entender os conceitos de "irmão mais velho" e o "incesto com a própria esposa", sobretudo quando eles são de ordem inconsciente e, mais ainda, quando os vivenciamos.
Todavia, em meu caminhar na clínica psicotepêutica e especialmente na sócio histórica, tenho-os visto de maneira preocupante, mais ainda, quando a demanda envolve pessoas com o traço do autismo. 
É tão comum, nós que fomos enganados por esse mundo pós moderno, crentes e ainda alimentamos um suposto poder a nós homens. Neste contexto, fomos a todo o momento educados a sermos fortes e então, como tais, nascemos providos de uma mentira social, a suposta auto independência.
Caso é que quando deparamos com um filho e, mais ainda, quando ele não alimenta nossos desejos o caos se instala, nos frustrando desde cedo, como é mais evidente no caso da pessoa no traço. Neste contexto, geralmente, recorremos a sobrecarregar a esposa. E ficamos apenas ajudando como não responsáveis, ai surge o "irmão mais velho".
Mais complexo é quando surgem outras demandas, as quais chamamos de carências com origens supostamente, paterna e maternalmente e, buscamos que a esposa supra tais demandas agimos como filho delas também, o que pelo menos vejo três variáveis, incerteza do amor do homem a esta mulher, a satisfação quase que masoquista de ter o dono do poder sobre suas mãos por parte da mulher e para o filho, um tripo desamparo: por si mesmo por não ser auto suficiente, pelo pai impotente se escondendo atrás da esposa e, desta, naturalmente, por nunca poder suprir todas suas necessidades.
Nasce assim, um terceiro alternativo mundo ao filho, o seu próprio. Curioso que para a pessoa no traço nesse terceiro mundo ele, geralmente, precisa de alguém para o favorecer, então não é apenas dele, ele é o rei deste particular mundo e, ainda, o é em todo lugar onde ele esteja. Ele sabiamente não se exclui, geralmente tem um meio socializante mesmo que egoistamente, subjugando a tudo e todos.
O mais caótico é o que os adultos vivem nestes contextos. O genitor tende a viver isolado, quando não é o "filho mais velho", quase sempre tem uma vida paralela; quando atua como o "irmão mais velho" condena a esposa a jornada mais danosa. A genitora, quando não adoece gravemente, pode ter uma vida paralela que parece a salvar; pode ter diversas atribuições que lhe dá uma doentio consciência de heróina; pode ser também e, até entendível a certo modo, negligente que quando em dosagem relativa ajuda ao filho no traço evoluir a sua independência, parecendo que o instinto (totalmente inconsciente) impulsiona a mulher a agir para se libertar de antigas amarras, renegando o esposo com seu filho, por sentir algo de incestuoso na relação.
O problema encontra-se do fato de que assim, fica cada um em sua estrada, com seus medos, limitações e dores. Carecendo perceber que a vida é mais fácil que se especula.  E que quanto mais livre todos forem mais aberto a independência é possível, por outro lado, quanto menos liberto, menos autônomo poderá ser o filho querido, que geralmente, aproveita-se das discrepâncias do diálogo sociofamiliar, pois ele é o mais sadio e preparado para a vida, então tem que atuar a gerenciar a dinâmica daquele lar.
Entretanto, existe uma quarta variável a ser desenvolvida semelhante a o que fora citado, são aquelas que o pai é mais semelhante ao papel materno e a mulher a paterna. Como também é pertinente outras variáveis na ausência de um destes. Em suma, são tantas variáveis que carecem da presença de pessoas que venham naturalmente dar aos filhos meios de exercerem suas potencialidades. Ou não e, neste caso, os prognósticos tendem mais ao desencontros, comumente, das relações humanas.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

MÃE, NÃO A FUNÇÃO ESPOSA, INCESTO (PSICOLÓGICO) DO PAI: Como desautorizar-se ante o filho.

Auto desautorizando-se o pai, parece impor a cada filho seguir a si mesmo, como terceiro alternativa, de certo modo motivado por discórdia entre as propostas,  quando antagônicas, dos seu responsáveis, os pais ou quem faça as funções maternas e paternas.
Diante das tremendas dificuldades de desenvolvimento emocional no mundo pós moderno, como diria Bauman, quanto as relações "líquidas", poucos foram realmente filhos, para um dia desenvolver suficientemente bem o papel de esposo, pai e muito menos ser paternal.
Digo isso, considerando que ser genitor é fácil, pensando em germinar uma mulher, pois além de prazeroso é uma dádiva impar.Entretanto, enquanto manter um filho assumindo o papel de pai, corresponde apenas a ser provedor, ser responsável paternalmente, precisa-se estar disponível a "aprender a aprender" permanentemente, especialmente, em viver em companhia com a falta do seu próprio desejo satisfeito, ou seja, conviver com o próximo em suas diferenças, como ele é e, não como o desejamos, assim, ser paternal é frustrar-se conscientemente a si e, mesmo assim e por isso mesmo, amar apenas.
E assim sendo, sendo o paterno, nasce de uma necessidade de desenvolvimento emocional e não meramente crescer como homem e sim como humano. Neste sentido, na paternagem, os processos anteriores são necessariamente revistos, questionados e carregados de sofrimentos, faltas e carências tamanhas que justificam retorno a si, para não contaminar e ter consciência de seus antigos limites, agora atualizados, mas atentamente não deixa-los que atinjam aos filhos  com tamanhas dores.
Isso se dar apenas a aqueles que lutam para descobrir os prazeres de se ver em desenvolvimento perene e em paralelo com o seu filho e companheira. Assim, pode-se dar mecanismos para além da liberdade a independência daqueles, pois eles apenas precisam de nossa proteção.
Quero dizer, se tivermos sido também assim forjados para a independência ou nos permitir no processo do filho, através da proteção, ou seja, fomos favorecidos a desbravar nossos desejos e, acolhidos, sobretudo quando erramos e obtivemos estímulos necessários e encorajadores para seguir, melhor seremos para a vida dos filhos. Acatando que somos sempre errantes. 
Pois, assim, seguiríamos mais e mais responsáveis e então teríamos consciência do lutar, todavia, respeitosos aos nossos limites e, por fim entenderíamos a dignidade das diferenças, como nosso maior virtuoso tesouro. E não fugiríamos dessa diversidade através das mentiras sociais, por saber que todos  os diversos modos de vida são criados para mostra de modo sutil e harmônico que somos co-dependentes mutualmente e, só assim, evoluímos.
Portanto, estaríamos abertos a entender a mulher e o filho no traço, que são como diferentes modos de desenvolver o melhor em si, no peculiar sentido de bem estar e viver.
Então, não nos afastaríamos infantilmente se escondendo através da esposa querendo recuperar-nos da nossa carência materna quando as dificuldades surgirem-se, atuando psicologicamente incestuosamente, como se tivermos nossa esposa como mãe, confundindo a esposa e o filho que necessita de nossa força responsavelmente.  Onde deveríamos atuar fortes amorosamente, dando exemplo a cada filho, meios para eles imitarem-nos quando as dificuldades se apresentarem. Considerando que aprendemos por exemplos e assim, portanto, não dando mais argumentos para o sofrimento de cada filho.
Mas também, se agirmos, psicologicamente, como irmão mais velho, do nosso filho, causando a eles exemplos de fugar das suas dificuldades porque temos uma mãe "heróina"; ou, incestuosamente com as esposas, como carentes maternos perdemos possibilidade preservar o nosso papel de paterno e de esposo, levando-as a questionamentos do amor que ela espera de nós.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Pai, irmão mais velho? Contextos da Pessoa no Traço do autismo

muitos a se tornar pai cai em um jogo psicológico, atuando como o irmão mais velho do filho. Isso se expressa em posturas quase sempre inconscientes, pois psicologicamente as demandas das pessoas no Traço do Transtorno do Espectro do Autismo  em seus contextos nos confrontam com as nossas maiores inseguranças. Tanto que muitos, desesperam, outros infantilizam-se, alguns os abandonam e, enfim, ficando sobre as mães todas as respostas a serem dadas a essas pessoas no traço. E pior, as demandas do marido mais complexas ainda.
Essas inseguranças atingem não só aos responsáveis pelas pessoas no Traço do TEA, questionam também a nós, os profissionais, onde a cada acolhimento temos desafios que se avolumam a cada acolhimento.
Por sua vez, é na família que se desenvolvem maiores desafios imersos a tantas formas de sofrimento, nunca passível de ser dimensionado, por serem de ordem pessoal, subjetivo, em suma, vira condição de vida, pertinente a cada um envolvido no universo da família da pessoa no traço.
Ninguém, quer lidar com tamanho poder questionador  que sempre nos coloca impotente, pois, o traço autista, além de ser peculiar a cada acometido é em cada um que temos a aprender sobre ele, entretanto, nem sempre o sofrimento deixa os seus parentes entenderem o particular fenômeno e, poucos em seu comportamento tirão lições que o ajudem a estar neste mundo.
Isso para o homem, sendo genitor, aquele ainda educado e influenciado, majoritariamente, pelo machismo e mesmo sendo pai (provedor), pouco pode  terá meios de acessar ao filho, pois terá como forte e impenetráveis as demandas íntimas dele,talvez, porque somos forjados a prazer imediato.
Isso se dá, geralmente por precários recursos da inteligência emocional, como se esses pais nem como filho tivesse tido êxito carregando sua carência, depositam ao filho suas faltas antigas agora na criança atualizadas e, então, como desenvolveria boa atuação como esposo, pai e, por fim paternal?
Parece sê-lo mais cômodo ser um irmão mais velho do seu próprio filho, pois tendo a esposa que se responsabilize , especialmente, por nada saber de como lidar com o traço do autismo da criança, pois sua subjetividade se propaga de maneira avassaladora e de modo muito particular, ao ponto de coordenar tudo ao seu bel prazer e, pior,comunica-se tão sutilmente que até eles próprios, os pais, nem sempre o compreendem; parecendo, assim, ser pertinente se esconder em apenas ajudar e não se responsabilizar de fato, pois a esposa-mãe o fará e ai se torce inclusive que acolha as demandas desse adulto carente buscando nela um resgate para resolver sua imaturidade.
Assim surge outro desamparo ao filho no traço. Perdendo a paternagem, perde um exemplo de enfrentamento da realidade e de ser para além de autônomo, ser responsável, ou seja, liberto, falhando o pai que poderia enfrentar os seus limites, complica ainda mais a independência da pessoa no traço autista, podendo este imitar essa imatura forma de lidar com suas demandas, e lamentavelmente podendo ficar ainda mais difícil leva-lo a ser responsável por si mesmo, ou seja, um dia ser mais independente.
Sei, da cobrança aqui apontada ao pai que não consegue ser co-responsável pelo desenvolvimento do filho, juntamente com a mãe, mas alguém tem que alertar tal atuação carente, pois caso contrário, pode-se alimentar um adoecimento não só da pessoa no traço, mas de toda uma família.

sábado, 14 de janeiro de 2017

MÃES DOS PAIS, além, dos FILHOS – o terceiro caminho, quase que, solitário da pessoa no traço do Autismo



Existe uma necessidade gritante e, portanto, urgente, no processo de trabalho para a independência dos filhos no traço autista.
Trata-se da discrepância entre o cuidar e o responsabilizar por eles. Certo equívoco, que pode ser caótico ensinado, a gerações, às mulheres desde cedo, quase sempre filogeneticamente.
 Isso tem base no machismo e seu prognóstico são, geralmente, o de filhos desamparados a si mesmo, pais incompetentes e mães supostamente heroínas, mas na realidade quase sempre perdidas em sub-vidas e, sobrevivendo, mutilam suas vidas para cuidar de pais (seus companheiros) e os filhos. 
Estas situações, quase sempre são silenciosamente inconscientes, mas também existe, por assim dizer, um tabu a ser vencido, pois é cômodo para certos genitores, mesmo que estes percebam que cedo ou tarde perderam a suas companheiras diante tantas demandas e, é claro, perdem os seus filhos ou diante do sofrimento, os renegam.
No caso de filhos com o Traço do Transtorno do Espectro do Autismo tratar dessa realidade é basilar. Pois, se isso acontece, psicologicamente, pode colaborar para a ocorrência do fenômeno do “irmão mais velho” (posicionamento do pai para com o filho) e ainda, o "incesto", ( posicionamento do pai para com a esposa, vivida com mãe dele). 
Isso abre-se para tantas complicações emocionais que se pode falar em adoecimento de toda uma família e, pior, trazendo o filho como responsável disso, em uma trama inconsciente de proporções incalculável.
Nestes contextos, psicológicos, pouco pode-se falar da liberdade, necessária, dos filhos, imagine a independência, pois a autonomia deles pode estar comprometida, não pela responsabilidades dos adultos em questão, mas sim, por um movimento confuso e que pode ser desestruturante emocionalmente aos três e os demais mais próximos. Onde, na realidade, apenas sobrecarrega-se a mulher que, certamente, nem percebe a manutenção de um perverso ciclo, diante da enorme carga de demandas com o homem infantilizado, além do filho, mas este, geralmente, provocando menos conflitos que o seu próprio genitor.
Estes contextos, justificam, para na minha abordagem psicoterapêutica, o acolhimento de pelo menos dos três personagens citados, quando não a todos os parentes próximos, quando o ator principal é um filho no traço do autismo.


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

TRÍADE DE TEXTOS PARA A PALESTRA COMO ACOLHER O AUTISMO: Texto Base 3A LIBERDADE ASSISTIDA LÚDICADe como a psicanálise pode contribuir do brincar simplório ao evoluir à socialização, do simples ao complexo.



Brincar é  fantasiar e também  é  copiar por imitação ao mundo em seu redor, portanto, a criança vive treinando para as dores do desafio de se  manter  vivo  de forma prazerosa.
O desafio da Liberdade Assistida para ser tornar lúdica, tem duas fontes, uma é  não frustar-se com a simplicidade  e desuso que a pessoa no traço dar aos objetos usando-os de forma que jugamos não socializante, mas isso só não é diretamente. Pois, com esse uso simples, as pessoas incomuns ou diferentes, assim chamo, para não cair no dilema, dos neurotípicos, atípicos, que parece-me formas diferentes ou camufladas de chamar as pessoas no traço de doentes.
A outra dificuldade é alimenta-se da anterior, mas é mais  complexa, é  a resistência  de brincar dos pais das pessoas  no traço. Pois remete a carências  e desamparos atualizados  no presente e, reforçado  na frustração  diante  dos dilemas ressuscitados  com o TEA.
Todavia, de acordo  com todos as culturas, o brinquedo é  o maior instrumento pedagógico. E no caso da pessoa no traço é mais que isso é terapêutico.
Para a psicanálise é  especialmente indispensável para acessar  e favorecer  novos frutos tirados de objetos simples  a priori a-sociais na interação  de troca, mas é no lúdico que os pais se permitem que se pode evoluir ao transformar  o simples modo de brincar  em complexo modo de estar no mundo.
Então  o maior entrave  esta em trabalhar os pais e levar estes  a perceber  que e5 no brincar  que além de acessar a fórmula  do filho viver, também  e no jogo que se vive e se protege da sobrevivência. Ali se aprende  a viver e em prazer.
Então, sendo o brinquedo, o brincar um jogo que se realiza  com o outro e só se faz com quem é confiável, eis a marca  que pode se deixar aberta para uma independência.
Sobretudo, porque, como já foi dito, o objeto  simples  é para a pessoa no traço um instrumento  terapêutico  é  porque através  dele a pessoa  alivia as suas ansiedades  e ou angústias de estar vivendo de modo diferente e até incomum de acordo com o seu desejo, acesso cultural e ou com a fase e estágio  maturacional de cada um.
Então ao se permitir brincar  os pais podem abrir  portas para a complexidade  do objeto simples. Assim favorecendo ao filho evoluir  do concreto ao abstrato, do Real ao Imaginário, podendo  ir ao Simbólico. E se simboliza, não só estar aberto a escrever, ou falar, mas o principal, desejar de modo mais evidente.




TRÍADE DE TEXTOS PARA A PALESTRA SOBRE COMO ACOLHER O AUTISMO: Texto Base 2 COMO ACOLHER O DIFERENTE?



Basicamente, como cada filho ou pessoa diferente nos ensina a lutar, não apenas pelaa mágica  liberdade, mas sim por independência, isso no inovar  na aproximação e formação  do rapport terapêutico para que cada um não sinta discriminado,  ou vivencie outras formas de violências  sofridas por cada um dos chamados  atípicos, temos que ser permitidos a ser conduzidos terapeuticamente.
Isto significa respeitar, necessariamente,  a riqueza de modos da nossa extensa, se não, eterna  diferenciação entre as pessoas em suas multidões de meios de estar no mundo.
Em um desses exemplos respeitosos em  acolher  as pessoas no traço é  observar em quais objetos simples  podem ser transformados ou favorecidos  seus usos em objetos complexos, quero dizer, aqueles instrumentos que cada um deles usam de maneira particular e pouco socializado, ao observar podemos especular meios de possibilitar a socialização através do desejo de cada pessoa no traço.
Neste procedimento, o acolher pode parecer precedido do assistir, todavia, neste último, quem escolhe ser acolhido já tem ou não,  permitido o profissional  o observar  o assistir.
É simples,  cada pessoa no traço, em determinados  ambientes mudam de acordo  com e como  estes  os afetam, pois, engana-se quem pensa que eles não  interage  ou não  modificam o mundo ao seu redor. É provável que eles façam isso, mais imediatamente  que os comuns, nós. Eles de seus modos incomuns determinam quem,  como e quando será  modificado no seio raio de interação.
Assim,  portanto, quando  o terapeuta, analista,  ou educador está  na zona de interação da pessoa no traço, essa já é como um objeto  simples, propenso  a ser usado por ela.
Entender essa fusão  do acolher  e assistir a tal pessoa é  se permitir a dinâmica  de satisfação  de desejos daquela pessoa, aí que nasce a possibilidade  de transformar o objeto  simples em complexo, ou seja, favorecer  o entendimento daquele uso incomum de um brinquedo  lúdico ou qualquer objeto incomum, possibilitando  em uma possível complexidade  para além da “esteriotipia” daquela forma de brincar.
Quero dizer por aproximação, podemos fazer que quando uma pessoa  no traço  nos usa para dar acesso  a realização  do desejo dela, podemos  visualizar meios de os frustrar com  evolutivas e pequenas negativas, sustentadas no vínculo  estabelecido, para essas pessoas elas mesmas, aos poucos na aproximação respeitosa, realize seus desejos, através  de uma liberdade a eles assistida por nós e caminhe ao encontro de uma independência.








TRÍADE DE TEXTOS PARA A PALEDTRA DE COMO ACOLHER O AUTISMO: Texto Base 1 ACOLHER OU ASSISTIR?


No atuar da psicologia, afianço que tanto acolher como assistir são posturas profissionais plausíveis e, em certo contexto específico, acolher evolui para assistir, em outros, creio, só se acolha, mas, nunca só  se assiste, sem o devido acolhimento. E, em todo processo uma troca humilde de comunicação é princípio, meio e fim.
Quero dizer que tudo nasce de uma doação mútua durante todo processo, pois, se “só sei que nada sei”, e, mesmo que o profissional tenha um “suposto saber”, este poder é um engodo, mentira que não se sustenta, sobretudo, quando lidamos com o ser humano. Por isso, fala-se em saúde de modo amplo, holístico mas também, contextual e dialética entre forças dinâmicas de contribuição partilhada.
Portanto, não mais se fala em deficiência e sim, desabilitados. Em suma, podem todos, desenvolvendo em suas limitações tornarem-se não meramente autônomos e funcionais e, sim, independentes, respeitando a riqueza de caso a caso, ou seja, parceria profissional/demandante/demandado, ou seja, técnico/pais/filhos.
Exemplo disso, é as diversas formas de adaptabilidade das pessoas no traço de em seus modos diferentes de estar vivendo, onde, de seu modo único pode surgir um poder criativo genioso, porém, o mais importante, é a salvação própria de cada um desses atípicos, a particular maneira de cada um deles lidarem com as dores e dessabores  no perigoso processo de viver. Pelo qual, cada um deles ao seu modo, não aceitam a indigna sobrevivência.
Então, para se chegar e seguir para e com a dignidade  da pessoa no traço, ou seja, assistir, necessariamente, deve-se estruturar um bom rapport, um ambiente seguro com setting dinâmico que contemple todos os possíveis  modos diferentes de ser durante o acolher.
Dele, segue-se a fórmula mais empoderadora, o assistir o paciente em sua força e vitalidade. Neste contexto, o conhecimento é perseguido para transformar ele para além da liberdade, à independência. Por isso, chamo liberdade assistida, ou seja, maneira de favorecer que as pessoas no traço possam vivenciar experimentos dentro de suas fragilidades especialmente, aquelas adaptativas ante as invasões
e violências do desejo  alheio que elas desde  cedo, não  esperam a adolescência para frustrar, provando-nos desde  já, sua autossuficiência. Tanto que a cada dia, elas subordinam às famílias aos seus desejos, até aos mais primitivos?











A MORTE PEDE CARONA: ADULTOCENTRISMO E INFANTICÍDIO, NÃO SÓ SOFRIDOS PELAS PESSOAS NO TRAÇO AUTÍSTICO

Repensando sobre tudo que contribuem para a despersonificação de cada ser, penso que a partir da impossibilidade de alguns entre os ad...