quinta-feira, 1 de outubro de 2015

BIOPSICOSSOCIOESPIRITUAL - O SOCIAL: Das mentiras sociais aos sofrimentos subjetivos ou ir à inteligência emocional!

Nas postagens anteriores da pesquisa “O Autismo que Estamos Vivendo”, vimos que o biológico se expressa na qualidade de inteligência emocional (psíquica) de certa personalidade, da qual o caráter as mostra no social, ou seja, o organismo aprender das mentiras sociais meios para ser aceito em suas diferenças para sobreviver, porém, estamos aqui para viver.
Todavia, o corpo traz as marcas dessa adaptação na alma. Nisso, percebi no discurso de cada mãe um padecer, mas passível de que no falar encontrar um (re)significar, como instrumento de cura, a ela e ao autista, e assim, (re) escreverem suas biografias de maneira mais autêntica. Portanto, desde já, digo que não se trata de culpas sobre o autismo e, sim, atentar ao danoso discurso que internalizamos, quanto ao comportamento não adaptado no social, referente ao rotulado de doente dado pela sociedade.
Nesta postagem veremos este rótulo austista como pode ser adoecedor na relação social. Para tanto, perguntou-se sobre a relação do autista: com seu primeiros socializadores, os pais ou com quem ele elegeu para ter melhor intimidade e, como se dá esse fenômeno. As respostas foram muito coesas e contundentes quanto a interação afetiva dele para com os seus e, sobremodo, a quem lhes dá segurança: “afetivo, amoroso e cuidadoso em família” (2 citações); palavra admiração sugiram duas vezes “com o pai a relação é bastante afetiva também e de admiração; e diretamente “Mas Afetivo com adultos” , a partir destas citações, pergunto-me que se os autistas interagem com todos, e se alguns têm prefere interagir com  adultos, seria por necessidade de proteção ou preferência de se relacionar com pessoas mais maduras? 
Porém, antes de responder “proteção”, relembro que  a palavra “admiração”, referendaram-se aos pais; que somado ao fato alguns deles se relacionarem mais com adultos não seria busca de maturidade, como outra pesquisada enfatiza  “na escola na boa e se apega a professor com facilidade”, se não por maturidade  pode ser para entender o mundo o qual os adultos desenharam para ele?
Digo isso baseado na velha noção que todos os pais sonham a vida que será do filho, ou seja, desenham cenários e lhes dão papéis. Talvez , então, seja essa interação mais íntima com os adultos maturidade inata dos autistas quanto a inteligência emocional ? Ingenuidade minha? Veremos.
Eu dizia, em outras postagens que o autista opta por não interagir da nossa forma que socialmente é baseada em fundamentos limitadores da nossa condição humana e, dizia também, que a pessoa atípica  comunica e relaciona-se com a natureza e o universo  de modo ampliada e verdadeira que nós típicos. Pois bem, mas ambos, geralmente, doamos ao outro o que  queremos receber. Uma mãe disse que o filho, “abraça todo mundo”, a quem diga que um abraço cura e afasta males; e disse mais “Na verdade ele é até grudento ao extremo c qualquer pessoa”, tem melhor prova para falar em desenvolvimento, a melhor forma de viver é se doar, o que no mínimo esta criança em questão cativará com isso é respeito, esses autistas sabem disso, parece que os adultos é que não enxergam isso no comportamento de cada um deles.
As demais falas denotam a interação ampliada com a família que possivelmente estão desenvolvendo  uma aceitação sem discriminação, uma disse que interage “comigo e o pai, eu acho que é igual a de qualquer criança(...)sempre busca as irmãs para brincar”. Mas a duas delas, perceberam o essencial ao dizer que “maior afetividade com a mãe ( duas citações), talvez  porque elas veem os autistas integralmente, “As vezes muito Distante”; mas vemos outra prova de maturidade deles “momentos mais frágeis recorre a mim que sou a mãe”, talvez ainda não convencido você indagará, mas quem não procura a mãe quando fragilizado? Respondo: Não são os pesquisadores que falam em baixa interação social, afetiva e emocionalmente embotado, não seria isso prova de empatia? Veremos que as cartilhas de psicopatologia e de tantas outras visões adoecedoras do autismo estão com lentes erradas, as famílias aqui pesquisadas são provas disso.
Vejamos quanto as respostas da relação com o irmãos: Relação de cuidado mútuo (...) Tranquila”, não se espantem “mútuo” , sinal de comportamento amoroso e autoproteção. Agora, “Carência com a irmã recém nascida” e Pouca afetividade a irmão mais novo” delineia que estes dois autistas estão como toda e qualquer pessoa preocupada em deixar de ser o o centro das atenções, isso é sinal de percepção e afetação, resposta afetiva de maior probabilidade de que ambos estão amadurecendo, isso ocorrerá com maior evidência na adolescência quando todos nós um dia não só negamos os irmãos, mas, sobretudo, questionamos ao modelo com que os nossos pais projetaram para nós. Enfim, essa verdade se contempla em outra fala peculiar ao adolescente, “Carinho e agressividade”  foi uma das respostas na interação entre o autista e seu irmão. E por fim um terço disse “sem irmão” (3 citações), provavelmente isso denote ainda quanto os genitores estão aprendendo a serem pais e assim ainda conteplaram quanto estes autistas podem ter desenvolvimento comum a qualquer outro filho típico.
Enfim, segue-se resposta quanto ao ambiente socialmente mais ampliado, onde não só a choque de culturas , na escola  que nossas máscaras ( personagens) serão testadas, ratificadas ou retificadas dialeticamente, ficando assim nítido nosso eu e as mentiras sociais, supostamente necessárias.
Um dos primeiros detalhes que preocupa é que, não só aos autistas, mas a todos as pessoas de comportamento e visão de mundo diverso daquela que se convencionou comum, é que a sociedade tende a não só discriminar mas depois disso discriminar, como rotular o autista como doente, isso se dá por medo de suas próprias diferenças ( preconceito), aquelas que aprenderam a negar para serem  aceitos (discriminação) . Isto se ver no ambiente escolar e demais ambientes públicos, onde deveriam libertar mentes e atitudes, mas “A inclusão ainda é uma das maiores dificuldades (...), relação difícil” fica nítida que tais pedagogias pouco entendem do  que Paulo Freire  propõe com o fim do ensino bancário, porque este considera os alunos passivos depósitos do saber dos professores em detrimento da inclusão do universo dos alunos e suas potencialidades; a mesma entrevistada diz que o filho apenas “que precisa/intervenções”; outra  “se ele conhece a criança se socializa muito bem” outra fala “algumas vezes ela refere que não brinca com as amigas porque elas não deixam”  imagina se estes profissionais nem para a inclusão servem , como aprenderão a maior utilização da educação que não é preparar para o mercado de trabalho e sim para vida estes exemplos se baseiam nessa premissa:
Indago-me que tipo de profissional, não se afeta com o sofrer do outro, que modelo de paz eles ensinam em seus lares que ao saber de “Na escola não é bem demonstrado para nós todas as reações dela (...) Com outras crianças também é um processo que está sendo trabalhado, pois ele prefere ficar isolado sozinho, não interage; E quando convidado por outros colegas logo se torna disperso. Parece-me sensato que o autista  ao notar tamanho modo de vida de exclusão na creia que seja melhor ficar sozinho, pois um mundo de adulto tão insensíveis, onde até os chamados de educadores não vejam o padecer de uma mãe “Ele tenta se relacionar, mas não sabe brincar como as outras crianças e termina se frustrando, ficando triste, que eu me meto/ tenho sucesso e outras vezes não.”.
Critico severamente porque temos muito a aprender com os autista, sobre nós mesmos, então ensinar em minha concepção é a maior virtude, portanto, o educador que não está aberto ao desafio do novo está semeando a exclusão, a maior violência que o humano criou. E sendo, cada autista um universo a favorecer cada pequena evolução em convivência é uma dádiva, vejam o pouco que cada mãe pede, mas para elas são verdadeiras bênçãos, tais conquistas“em ambientes que não conhece precisa de ajuda para se relacionar, apenas ajuda, para que estamos juntos se não para partilhar a vida?
Uma das declarantes vive em uma realidade mais privilegiada, mas seu discurso serve para percebermos que até onde existe melhores acolhimentos temos muito a aprender com o autismo “apesar de existir a professora auxiliar esse papel não está tendo tanto êxito (...)Boa interação na escola, as vezes resiste mas os alunos insistem ela cede ”. Mas a realidade é mais difícil para grande maioria pois as peculiaridades de cada autista desmonta a mentura de que somos todos iguais, pois iguais são nossos direitos, somos todos únicos, cada um tem sua rotina peculiar em si, uma outra mãe disse que o filho tem “ êxito sem crise desde que estejam na rotina”.
 E como toda a condição humana existe falsas formas de lidar com a vida, como a piedade “Devido ao autismo todos o superprotegem”; tem as “Relação excelente”, mas como saber se para ele é se não pelos nossos olhos que talvez essa penalização é para evitar ou afastar que o autista “Oscila” “Belisca/morde”,  todavia são todas reações comuns a todos nós:
 Quantas vezes não queremos puxar cabelos de pessoas que agem em insanidade, ou xingar aquele estúpidos no trânsito etc. e não fazemos, guardamos as energias ruins que deviam ser canalizadas a quem as provocou, ou usá-las para algo produtivo e, por não darmos vazão, chegamos em casa tensos e descontamos em quem não deveria. Ai, nos culpamos e magoamo-nos e, se não nos percebermos,  essas situações vão tomando uma dimensão que nos tornam maus conosco e com o que amamos.
Frutos das regras sociais que aprendemos que temos que ser socialmente aceitos, negando o que nos dói. Mas tem outros meios para lidar com a vida social que nos rodeia, ao menos dois caminhos para nossa inteligência emocional. Um já foi dito, pegar toda aquela energia agressiva e canalizar para algo que possa descarregar sem causar impacto a ninguém. O problema dessa forma é que nem sempre você saberá conter  a emoção no contexto factual. A outra é se conhecer melhor  seus limites, colocá-se no lugar dos outros e, empaticamente veras quanto somos (in)evoluídos e até bastante imaturos.
Isso, refere-se de aprenderes sobre as diversas mentiras sociais, das quais saberás com mais qualidade uma das minhas teses, a de que os autistas não são bestas de quererem interagir com esses adoecidos desse mundo que se sustenta em mentiras.
Enfim, concluo sinalizando que neste contexto, o social onde aprendemos meios de esconder nossas diferenças e por isso adoecemos e se não nos apercebamos perderemos o belo do infantil, o apaixonante do adolescente, a inovação da juventude e caímos na gana de dinheiro do adulto e (des) evoluímos e quando idosos não desfrutaremos da sapiência mais evidente nessa fase.
 Então, nosso biológico será uma carcaça apenas que esconde o vazio da alma, uma psique desidratada onde de tanto vivermos no desejo alheio, morre o espiritual. Esta última que veremos na próxima postagem, para posteriormente especularmos como desenvolver a inteligência emocional.







segunda-feira, 28 de setembro de 2015

BIOPSICOSSOCIOESPIRITUAL - PSÍQUICA


Dando continuidade ao conteúdo da pesquisa “O Autismo que Estamos Vivendo”, apresentamos as demandas psíquicas, mas antes,  temos a esclarecer que nossa visão do mundo é holístico, sempre biopsicossocioespiritual:
Comungamos do impacto do ser humano sobre ele mesmo. Então, alertamos que mesmo sendo psicanalista de base lacaniana, saliento que isso jamais será limitador para entendermos a vida, é, apenas um instrumento de aproximação, pois vida é ilimitada e nunca será contida por qualquer teoria ou abordagem , a condição humana é por si só, holístico, ou seja, multifacetada, única e complexa em seu contexto diverso.
Enfim, após termos visto através da lente biológica, onde pontuamos qual corpo, o do autista que expressa emoções pouco interpretadas e, que é, por isso, canal de angustias, mas não passa de reflexas de sinapses neuroquímicas (des) harmonizando-se com os estímulos externos sentidos intensamente.
Nós diferentes dos atípicos, comumente interagimos verbalmente mais com os seres humanos, os atípicos menos com o verbalizado e mais com as emoções (biopsicossocioespirituais) expressas por cada um de nós e, além disso, se afetam com o universo mais diretamente, com todos os sentidos simultaneamente. Talvez por termos um mundo poluído de imagens, sons (barulhos), mentiras sociais, cegueira afetivas etc. os atípicos pouco interagem do nosso modo, porém vivem intensamente com suas mães, aquelas que os entendem por não estarem tão adoecidas como nós, emocionalmente imaturos.
Nas demandas psicológicas, foram feitas quatro perguntas. Sobre as habilidades desenvolvidas pelos autistas, as satisfações deles percebidas pelos parentes, quanto tempo eles as praticam e se eles têm objetos fixos.
A primeira resposta, das habilidades, parecem causar certos contentamentos sociais às mães, sobretudo, aquelas da pós modernidade as tecnologias (3 citações) e somada com o modelo intelectual medieval, a memorização (3 citações) que se soma à musicalidade (5), fazem-me pensar a relação intergeracional latente, entre o contemporâneo ( os filhotes)  e o passado( genitores), para aliviar da discriminação sofrida ou seria apenas certo auto preconceito?
Enquanto, habilidade como língua estrangeira, matemáticas, lógica (razão); e a imaginação, criatividade, desenho e outras artes (emoção). Razão pode ser parte do discurso sinalizando adulto imposto aos filhos. Talvez elas queiram no  seu intelectualismo, equilibrar o medo das semelhanças com a déficit intelectual; enquanto expressões da emoção, pode ser sinal das carências, que não nos enganemos, quase todas ficam “autistas” junto aos seus autistas. Mas, lembro, que a aptidão da música, pode ser reflexo da satisfação dos autistas advindas da harmonia.
Estes detalhes são sim, preconcebidos por mim, mas partem também da minha pequena experiência clínica, do sofrimento com que lido diariamente em setting terapêutico e do não dito devido ao sofrimento inconsciente. E por isso quase sempre negado, mas sentido na alma.
O meu discurso, ficará visto menos preconcebido se, por exemplo, vermos que as habilidades alcançadas demonstram a interação (emocional), por razões peculiares a cada caso. Tanto que ao se indagar o prazer dos familiares ante a satisfação do filhos nas atividades desenvolvidas, as respostas são surpreendentemente reveladoras do vazio em que parte delas se encontram:
“Nunca observei o "sentido prazeroso/ para alcançar/ as habilidades sociais” esta fala denota que não consegue emocionalmente comunicabilidade; isso visto também em “Não consigo avaliar/ prazer dele em estar na piscina (sobre a habilidade) Muito Feliz/nós ajudando (sobre a satisfação familiar)”, percebamos que a declarante não pode avaliar, mesmo a família em contentamento, mas  não  ela não se apercebe do ganho afetivo. Se o filhote tivesse uma habilidade supostamente útil  (socialmente) como os outros autistas, talvez ela percebesse evolução, elegendo o olhar do outro como seu juiz, para o alegria e para a dor? 
Mas nada tão sofrido por uma delas, ante a satisfação da criança ela diz, “Difícil saber”, não há como quantificar a impotência que, possivelmente, ela carrega devida a falta dos frutos do seu desejo projetado no filho, ainda quando não era tido como autista. Estas falas, correspondem um terço das entrevistadas.
Estas senhoras carentes de acolhimento seu discurso denota  personalidades nascidas da falta, o autismo pode está cegando-as do filho sonhado e precisam reescreverem as duas biografias: A dela e do filho. Aqui fica nítido o quanto pesa um diagnóstico, pois ele pode condenar ou limitar o que a natureza sabiamente levaria com o apoio do amor sociofamiliar, se acolhido a frutificar pela batuta do altruísmo, pois o equilíbrio que sempre traz o desenvolvimento. 
Não é assim que somos, seres a vir a ser? Porque não seria assim também os autistas?  Precisamente sei, elas têm horas que pensam estar em pesadelos e que irão acordar; outras que um belo dia o filho a acordará para o hoje. Mesmo que esse não venha, eles acordarão com o vigor desse amor, precisamos apenas através da inteligência emocional para ouvir/ver no corpo, sons, gestos, olhar fugidios expressando emoções.
Outra genitora afirmou “há frustração pois não são todos que se recorda” se referindo que o filho parece esquecer os nomes de animais que tanto ama. Ela, quanto aos avanços socioafetivos do filho, parece não perceber que as frustrações são os grandes socializadores para o amadurecimento: corte embrionário; desmame; não ser mais criança etc. Mas, é claro, que ela provavelmente demostre sua frustração (reativa) pode ser medo de um possível traço do espectro similar ao retardo mental.
Por fim, outras afirmaram “demostra prazer satisfação (4), ou seja, 45% das entrevistadas que sentem prazer para além da vivência trabalhosa, parece não presas ao autismo, vivem o filho e a mãe que espero também a esposa, mulher, sonhadora, etc. Mas veremos se isso ocorre de fato.
Quanto ao tempo de atividade dos filhos o que elas mais responderam que “Se deixarmos o dia todo (3)” e outra resposta interessante é “Ela é uma caixinha de surpresa”, necessidade do filho autista em manter estável seu meio ambiente interno e externo, que chamamos homeostase (equilíbrio que a natureza rege). Mas, obviamente, o autista não equilibra as influências externas, por isso a caixinha de surpresa torna-se a de Pandora trazendo sofrimento ao filho. 
Curioso é que quatro das pesquisadas afirmaram que buscam modelar os comportamentos, será que os papeis psíquicos na relação mãe e filho é substituído por frustração e autismo adoecendo a ambos? Duro, mas temos que concordar que muitos de nós ficamos paralisados diante dos comportamentos atípicos, ou aceitamos que eles fiquem o dia todo no seu mundo e nos convide, ou os bitolarmos em comportamento sem afeto. Parece que precisamos nomear o autismo: perseguir e curar. Mas não nos ceguemos, pois também quatro delas, não tinham diagnóstico autismo e pior, ou melhor, não se tem uma única forma de único tratamento.
A quarta e última pergunta quanto a fixação em objetos, 45% delas afirmaram que eles não se fixam em algo, dá-me suporte para enfatizar que eles são muitos voláteis aos diversos estímulos. Por outro, nós típicos adoecemos na mesmice. Os atípicos parecem não se permitir adoecer na rotina, porém, sabe-se que a medida que crescem parece se atrelar a ela, só quando descobrem um prazer, talvez por já está mais seletivo quanto as influência que internalizam ou porque descobrem o "mais do mesmo" da forma de vida adulta.
Em suma, falei da homeostase, o equilíbrio que a natureza tende a nos direcionar e que serve de base para concluir dizendo que se assim também somos, nós precisamos apenas não sobrecarregar os autistas com nossas angustias e medos e, sim buscar nosso fortalecimento, através da inteligência emocional, para perceber quais as virtudes dos filhotes e as dar maior vazão a elas; sentir nas atipias meios de sobrevivência ante o caos que esse mundo de estímulos enlouquecedores (basta ver os autistas em contato com a natureza como melhor interagem); e, por fim, se não sufocarmos e invadirmo-los com tantas intervenções técnicas,  pois  - lembro que apenas uma declarante afirmou um trabalho interdiciplinar - que na maioria nem sabem ao certo que estão fazendo, eles evoluíram mais harmonicamente. Sobretudo, porque buscar cura incessantemente é o mais adoecedora e desencadeadora de tantos transtornos, as chamadas comorbidades, que jogamos sobre os filhos, mas na realidade estaremos tratando em nossos filhos apenas nosso discurso, pois poucos profissionais também escutam e percebem as linguagem emocionais dos atípicos.
Portanto, psiquicamente nos cuidemos, pois a angustia é nossa, se assim agirmos, estaremos sendo pais, mães e filhos e não três autistas. Mesmo os que teimam em dizer que os filhos são os sintomas dos pais, não para culpar a estes, mas para os lembra de que são adultos sim, mas nem sempre inteligentes emocionais, sobremodo porque estamos em evolução diante dos filhos muito mais ainda.
Indaguemos pois como desenvolver a inteligência emocional?
 Leiam as demais publicações e entenderemos.


sábado, 19 de setembro de 2015

BIOPSICOSSOCIOESPIRITUAL - BIO 2



Na postagem anterior citava minha percepção que as mães sempre serão mais importantes que certos profissionais e pesquisadores, pois elas afinam suas sensibilidades todo dia com o autismo. Mas parece que elas poucos são escutadas e acolhidas por certos profissionais tanto que nestes dados, um terço dos filhos estão sem diagnóstico, a maioria o receberam tardiamente e a diversidade de possibilidades de acompanhamento sem interdisciplinariedade (citação) é assustadora, várias ciências sem dialogar e sem necessariamente ter um tratamento do autismo efetivamente definido.
Então, como se dá os acompanhamentos farmacoterapêuticos sem fechamento do diagnóstico; e se a maioria dos sintomas estão acolhidas pelas diversas terapias, possivelmente alimentam angustia das declarantes e ansiedades e outros sofrimentos aos filhos? Especialmente, se além dessa desinformação lembramos que os sintomas do Trastorno do Espectro Autista - TEA são comuns ao Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade - TDAH, retardos mentais, esquizofrenias e etc. Afim  de especularmos críticas, aqui dividimos os sinais em seis perfis:
Tabela 1 - As comunicações Bioverbais
Estereotipias
Emocionais
Cognitivo
Interação
Biológico
Reativas
3"flaps" as mãos
Gritos
Baixa Intelectualidade
3 Baixa socialização
Epilepsias
5 Birras
Sons repetitivos;
Fica agitado com o vento
Respostas desconexas
3 Sem oralidade
Convulsões

Girar sobre si
Autoagressão
Fala de si na 3ª Pessoa
3 Baixa Recepção auditiva



Convívio com adultos

2 Desvio visual



Choros

Atividades restritivas


OBS.: Os números são a quantidade de citações
Pensamos que as estereotipias (5  citações) podem denotar, o que alguns autores indicam, expressões, formas de comunicação corporal, para aliviar ansiedades ou buscando satisfação. E se assim o é, tais dados coligam-se com as expressões emocionais, como algo que precisa ser interpretado antes de excluídas com remédios e outras técnicas, pois sem entender suas razões e ignoradas, podem virarem meios de aprendizados manipuladores, ou seja, birras e desobediências, todavia, se apenas esquecidas apareceram outros sintomas cada vez mais bem elaborados.
Então, sugiro que os pais trabalhem para entender as mensagens emocionais que os filhos expressam, exercitem a inteligência emocional, sobretudo, porque as reações deles podem ser neurais, psicossomáticas, comportamentais, porém, sempre vividas, socioafetivos. Sobretudo, porque os dados cognitivos e biológicos citados justificam a necessidade de entendermos os limites na interação deles com o mundo (9 citações).
Especialmente porque a interação social desde quando nasce o filho, antes mesmo de ser diagnosticado, a relação é sofrida e isso é uma base dos indicadores de adoecimento primeiro da mãe, cuidador, pai e demais parentela que lida diretamente com o autismo, porém, quando não entendidos o comportamento atípico podem evoluir e ou são confundidas com birras e desobediências (5 citações).
Todavia, especulo que necessariamente, sejam mensagens expressas emocionalmente vistas nos choros, autoagressões, gritos etc. Fruto de uma angustia precocemente sentida demandada a uma variedade de profissionais, sobretudo, a de Fonoaudiologia (8 citações), seguida por neurologia e psicoterapia e terapia ocupacional (4 citações). Mas essa necessidade de entender o filho apenas verbalmente pode cegar ao que a emoção se expressa através do corpo do autista. Especialmente porque verbo não expressa, por si só o que se sente. E mesmo, o educar que é levá-lo à vida de um mundo constituído de relações perversas, onde quem não tem um vício adquire um para sobreviver, podemos os colocar tão vulneráveis  sem trabalhar a inteligência emocional, nossa e a deles?
Os dados que seguem são para provocar reflexões e pensarmos e, os cito com a mente aberta para críticas, e serão bem acolhidas. Bem, deixando as desculpas de lado, pensemos: Sendo as emoções dos filhos que não verbalizam meio de comunicarmos e mutualmente nos entendermos, os pais ao buscarem abordagem,  que adestram o comportamento, os educam como se eles não viessem a expressar suas angustias de outras maneiras cada vez mais complexas, se não trabalhadas com toda a família e em sociedade,  então,  pergunto, assim, não se distanciamos, ainda mais, do que eles comunicam através de suas emoções?
Tabela 2 As terapêuticas buscadas

Psicológica
Médica
Psicopedagógica
Alternativa
Melhor aplica -se
Diagnóstico
dado por
Psicoterapia
4
-
-
-
-
1
ABA
2
-
-
-
4
-
Psicanálise
1

-
-
-
-
Fonoaudiologicas
-
8
-
-
1
-
Psiquiatria
-
2
-
-
1
1
Neurologia
-
3
-
-
-
3
Neuropediatria

1



1
Medicamentosa
-
1
-
-
-
-
Ter.Sensorial
-
1
-
-
-
-
Ter. Ocupacionais
-
-
5
-
-
-
Psicopedagógicos
-
-
4
-
-
-
Pedagogo
-
-
1
-
-
-
Ter.Montessire
-
-
1
-
-
-
TEACCH
-
-
-
1
-
-
Hidroter./na.
-
-
-
3


Equoterapia
-
-
-
2
-
-
Brinquedot
-
-
-
-
-
-
Música
-
-
-
-
-
-
Judô
-
-
-
-
-
-
Interdiciplinar
-
-
-
-
-
1
Sem diagnóstico
-
-
-
-
-
3
Obs.: A referência vertical: cor amarela (acolhimento psicológicos); verde: médicas; azuis psicopedagógicos; bege alternativos e rosa interdisciplinar;
A referência horizontal duas últimas se refere ao tratamento que na visão das pesquisadas quem melhor acolhe as demandas dos filho e quem deu o diagnóstico.
Um dado que tem relevância, é o fato que primeiro a neurologia (3 citações),  indicaram o diagnóstico ( uma delas ainda não fechada) somada com as três em vermelho ( 4 citações) e, como citei na postagem anterior, onde está a pediatria, a porta das demandas infantis, que teria muito a contribuir junto as crianças com sintomatologia autistas se focassem ao que  as mães dizem, mas, nesta pesquisa, esta especialização ausentou-se ( salvo 1 citação de neuropediatra).
Enfim, concluímos que demandas biológicas,  que é no corpo onde se localizam as marcas e nomes que damos a nossa dor, a do autista é encoberto pela preocupação e medo das genitoras e seus familiares, devido a marca da discriminação, com nome sem o local  para tratar e, desta presença apenas manifestada no social causando grande sofrimento psíquico que só podemos saber a partir do relato bem acolhido das mães. E o pior, sofrimento quase que perene por profissionais que não se fortalecem no diálogo das ciências.
Todos ficam cegos a estes relatos cheios de emoções que precisamos corporificar,  em busca de dignificar a pessoa autista como todos detentores de direitos humanos de respeito, a vida através do empoderamento que só se concretizará a partir do discurso dos autismos e de quem entende e vive com cada um deles.
Mas dar corpo ao autismo é apenas para ambos viverem de fato, mãe e filho, e claro que tem que buscar atenções e acolhimentos para as pessoas autistas, pois a vida é mais que autismo. Buscaremos pensar nas demandas psicológicas a partir da próxima postagem. Onde refletiremos que personalidade estamos contribuindo no desenvolvimento de cada pessoa autista.
Para portanto, não atarmos mais o desenvolvimento a dor que supomos que eles viverão, pois todos, inevitavelmente amadurecemos nas faltas. E enfim, tratarmos das mães, pois elas têm mais chances de oportunizar aos filhos melhor inteligência emocional, exercitando com eles, as delas.

A MORTE PEDE CARONA: ADULTOCENTRISMO E INFANTICÍDIO, NÃO SÓ SOFRIDOS PELAS PESSOAS NO TRAÇO AUTÍSTICO

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