quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Acolher a família de uma pessoa autista? Aprender com a mãe dela!

Antes de prosseguir com algumas falas quanto o TEA, fui provocadoa trazer algumas citações com base na ciência psicológica, onde ancoro as ideias. E aproveitarei então para provocar a todos que me leem a sair da zona de conforto do descompromisso com as causas das desigualdades e destas as diversas formas de discriminação.
E àqueles que têm convívio com uma pessoa com TEA, essa luta se faz indo além de onde os sintomas  ocorrem e não baixar a cabeça para os discriminadores e mostrar que o estranho é quem não reconhece sua própria diferença.
Digo isso porque, sabe-se que os vícios  cristalizam-se, isso através dos comportamentos supostamente sociáveis, todos nós escondemos as nossas almas onde encontra-se estampados nossos vícios. E isso apreendemos se esconder por medos aprendidos  nas relações  familiares. 
Daí, sem querer, nasce desses  medos o preconceito que evolui para a discriminação. Esse processo pode ser melhor entendida como um "O processo de ancoragem se caracteriza pelo encaixe do desconhecido em categorias pré-existente"(1). Este desconhecimento pode se dar pelo menos por duas vertentes, por inacesso (ignorância) ou por por interesses bem pesado e medido. Por exemplo, enquanto  eu busco na ciência psicológica  fincar minhas ideias, alguns desinformados,alimentam-se nos desencontros da mídia  alienante, mas ambos são, ancoragem. E, também  nos dois exemplos, pode-se ter êxitos e descaminhos.
"A ancoragem é sinônimo de classificação e denominação. Ela está do lado da categorização do desconhecido que se torna familiar". Mas tudo depende do que se objetiva, "a objetivação se fundamenta na construção de imagens naturalizadas que tomam o lugar do desconhecido e assim o explicam (...)", no meu caso, pesquiso em psicologia baseando-se na objetivacão pois seu  "uso buscava conscientizar os sujeitos que são acometidos por representações sociais (RS) a serviço de forças ideológicas hegemônicas".(1)
 Aqui cabe sinalizar  que "as RS e a ideologia diferem se pensarmos que as RS são dinâmicas, relacionadas com a transformação, e a ideologia é estática, e, segunda, e mais interessante, as RS e a ideologia se assemelham, pois ambas são formas simbólicas. No entanto, a ideologia se caracteriza por ser uma forma simbólica a serviço de relações de dominação, logo, nem toda RS é ideológica, mas devemos verificar se ela fundamenta ou não uma relação de dominação (Guareschi, 2004). Os psicólogos sociais latino-americanos se debruçaram, em muito dos casos, nas representações sociais com o intuito de apontar o seu caráter ideológico." (1)
 Por sua vez "O materialismo histórico-dialético usado pelos psicólogos sócio-históricos, por outro lado, produzia uma visão comprometida com a realidade da população, já que defendiam o resgate da historicidade e a produção de conhecimento comprometido com a transformação social. Este é o compromisso aqui pretendido  por mim.
Assim,  como Guareschi, vejo "O homem é histórico e suas relações o constroem. Ele é produto e produtor da História. No entanto, sem o pensamento crítico, ele deixa de lado sua potencialidade de criador de sua própria história e reproduz as palavras hegemônicas regidas pelas ideologias dominantes".(1)
Aqui pesa duas variáveis. Uma, que as forma de vivida em cada história por famílias de pessoas com TEA,  fazem suas história e, outras tem sua historia escrita por uma ideologia mercadológica capitalista. Nesta última, o compromisso não  é  libertar as pessoas com TEA partir  da história  dessas pessoas  em seus limites de desabilitados (como sinaliza a Organização Mundial da Saúde - OMS, da Organização  das Nações  Unidas - ONU) e sim, os deixar apenas deficientes, como traduziu o Sistema Único  de Saúde -SUS a partir  da convenção  dos direitos  das pessoas com "deficiências" e ainda pouco evoluiu para vê-las como desabilitadas. Parece-me o SUA preso a ideológica consumista.
Digo isso por que "A compreensão da ideologia como dominação aponta o entendimento de uma psicologia social crítica que tende ao compromisso social e à conscientização. Assim, sua maior preocupação não está em formular leis gerais sobre o comportamento social, mas sim, no entendimento das relações de dominação ideológicas e de sua possível saída, através da conscientização. (1)".  Então, lembro que o que interessa  ao capitalista  é  vender, no cado do TEA vender supostas curas farmacológicas ou de terapêuticas descontextualizadas, são  formas de ciência  que não valorizam , por motivos  capitalistas, as RS das mães  de cada autistas, não porque cada uma delas é  poder do senso comum e sim porque com elas estão  também a solução particular má dinâmica  junto ao TEA e não  nos laboratórios ou consultórios. É  uma questão  de poder.
Todavia,  as RS construídas  Por essas mães, que são  psicólogas  24 horas, como uma delas fala, contribuem para eu elencar milhares de razões  para  pensar uma ciência  comprometida com as verdades dessas mães. Pois contrário  a isso estaria eu concordando  com que segue, a fala de Bauman.
"Bauman ao analisar a ética da modernidade. Para ele, o Holocausto nazista nada mais foi que uma consequência coerente da modernidade.  É conhecida a comparação que Bauman faz ao descrever esses procedimentos “científicos”: o mundo  deveria ser como um jardim todo alinhado, organizado e limpo.Tudo o que fosse desordem, ervas daninhas, deveria ir para a fogueira. E a ética que governava esse empreendimento (aqui a questão) era a eficiência, o rigor científico, o funcionamento prático e útil.(...) se não funciona é “ruim”. Um tipo de pragmatismo e o cientificismo de mãos dadas. "(2)
E, pior estaria ratificando  o que citou Bauman, para a prosperidade, pois eu estaria tratando  o conhecimento de cada mãe  como o irracionalismo denunciado por Moscovici "Procurando dar um exemplo de como uma ciência pode se tornar reducionista e servir para fins ideológicos, Moscovici comenta como alguns economistas projetaram as normas e atitudes de uma sociedade capitalista, baseados nos processos de troca.Como resultado de tudo isto, esta versão da economia concebe uma imensa área da conduta humana como irracional, uma vez que, dentro de sua prática, tudo o que vai além do individualismo e tudo o que diverge um pouco de um modelo de capitalismo, entra, por definição, no domínio da irracionalidade" (MOSCOVICI, 2002, p.125–126, grifos no original)(2)
Entretanto, prefiro me atrelar a crítica de Durkheim "O grupo e o coletivo, são a verdadeira e única realidade. Os elementos desse grupo (as pessoas) passam a ter importância a partir de sua pertença aos grupos. As pessoas são “peças” da máquina: o que vale é a máquina. Não importa a consciência individual: importa a consciência coletiva". 
Pois, em cada grupo familiar o conhecimento se faz no cotidiano diuturnamente,  esse impirismo é  base para entendermos como dar maior qualidade de vida a cada pessoa  com TEA, porque o conhecimento  distribuído  e repensando por essas mães  pode trazer uma nova prática de atenção às pessoas com autismo.
Então  para concluir inicio com que Lenin, pensa  – se somos parte da solução, provavelmente somos também parte do problema. Sobretudo  quando  se fala sobre conhecimento, especialmente  quando  é  uma  de RS do empírico. As mães  não me deixam enganar quando afirmo que na busca de acertar erramos. E assim se não  formos humildes não entenderemos  o que Lenin nos falou.
"Bader mostrou a relevância da dicotomia indivíduo-sociedade para o estabelecimento das concepções de comunidade no decorrer dos processos históricos de produção de conhecimentos. Constatou que na medida do avanço das relações comunitárias se fortaleceram utopias individualistas e vice-versa."(3). 
A autora, apesar de valorizar o conhecimento  advindo das experiências  coletivas sociais, parece me alertar para o que Lenin dizia, ao menos para sermos crítico em não sermos donos de verdades  absolutas para não caímos jo pecado semelhante  da ciência racional determinista e generalista, sobrepondo as demais pensamentos e conhecimentos:  
"No contexto da globalização, a comunidade pode ser depositária da utopia de conversão do egoísmo, da exclusão e da fluidez presentes nas relações humanas. Tal utopia atribui ao espaço das comunidades vivências de parceria e de solidariedade e reaviva a esperança de pertencimento a um grupo desprovido de interesses individualistas(...)" (3)
Bauman, diz isso que alertei anteriomentem pois A cada dia são  repensados as maneiras de destruir o conhecimento  empírico, a exemplo do de cada mãe:  "A desconstrução deste conceito, então, está marcada pelos processos de industrialização e de formação do estado-nação os quais favoreceram fenômenos de fragmentação da sociedade. Nesse contexto, a busca livre pelo lucro promoveu a dissociação entre produtores e fontes de subsistência, a ruptura entre laços morais e emocionais e propiciaram os modos de vida capitalistas com seus ritmos regulados externamente. Além disso, a racionalidade predominante impôs rotinas e processos de naturalização dos padrões de conduta “abstratamente projetados e ostensivamente artificiais”  (Bauman, 2003). (3)
Enfim,mo mesmo Bauman, diz "Numa sociedade na qual parceiros são adotados ou descartados, de acordo com sua utilidade e funcionalidade, os compromissos por tempo indeterminado e os vínculos mais duradouros poderiam interromper ou ameaçar os modos de vida contemporâneos". Faz-me concluir que dá mesma importância  da humildade de que aprendemos  a cada dia e em cada contexto tem suas próprias  soluções as parceiras de conhecimentos, ou seja, a troca entre mães  de pessoas com TEA humilde e colaborativa é  o meio mais efetivo e harmonioso  para alcançar dignidade e favorecimento de vida à  pessoa com TEA  mas também a uma relação  Social verdadeiramente , como cultura de paz.
-------------------------------------------
(1)ALMEIDA,Leonardo Pinto: Para uma Caracterização da Psicologia Social Brasileira, Universidade  Federal  Fluminenses.


(2) GUARESCHI,Pedro.O que é  Mesmo Psicologia  Social.Uma perspectiva crítica de sua historia e seu estado hoje.

 (3)(Psicologia & Sociedade; 19, Edição Especial 2: 100-108, 2007,Scaparo, H.; Guareschi, N. “Psicologia Social Comunitária e Formação.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Porque o homem é vítima do macho? Um Vigotski, para uma nova psicologia

 Todo o homem um dia foi macho, é,  ou será? Que será  que isso tem a ver com paternagem e, como ambos opostos, afetam à pessoa com Transtorno do Espectro  do Autismo  - TEA?
Prendam suas cabritas  (observe, plural) que meu bode (singular e desde de idade de cabrito, já tem título  de superioridade) está a solta. Esse ditado popular traz algo da filogenese, ramo científico que estuda a história  da evolução  humana. Pois, a grosso modo ela, de algum modo, explica  que ao homem foi dado atributo de desbravar o mundo externo,  enquanto, a mulher  ao cuidar, após gerar. Até  então, a mulher era divinizada, por ter o dom da vida. Entretanto, como existe quem cuide necessariamente precisa manter a subexistência,  assim  surgiu a propriedade  privada.   
Isto,surgiu com a suposta força  do caçador, destronado  pela sentinela e este pelo guerreiro. A saga da relação  de poder, baseado já  não mais do dar a vida e agregar através  do cuidar, em detrimento do matar e do medo.
No entanto este contexto, ainda não  explica  porque o macho é o mais violentado  e maior vitimado de sua próprio sanguinário modo de viver. 
Tentemos, clariar com o apoio de Vygotsky, ele diz que quanto a formação dinâmica da personalidade  "todas as funções superiores constituíram-se na filogênese, não biologicamente, mas socialmente (...) Elas são transferidas para a personalidade, relações interiorizadas de ordem social, base da estrutura social da personalidade. Sua composição, gênese, função (maneira de agir) – em uma palavra, sua natureza – são sociais".
 Então, voltando  ao macho, de personalidade estritamente grotesco, violento em tudo que faz, aquele que nem criança  aprendeu a ser, sua formação de si resume-me a procriação, saciedade e sobrevivência de modo geral. Assim, ele se encontra longe de ser ao menos filho, e dificilmente  será paternal, no máximo, genitor, ou ainda, em melhor das hipóteses, pai mantenedor. Todavia, seus atos são frutos violentos.Parece-te,  um discurso pessimista  ou antisocial, mas assim é  o macho. 
Pior é  que poucos são  agraciados em sua formação  sociocultural e histórica a chegar a ser homem, pois essencialmente, estes já são destruídos ainda quando crianças  ou na puberdade por esta sociedade posmoderna. 
Entretanto, a boa notícia  vem do socioconstrutivismo, reflexões  críticas, onde o humano pode reeditar dialeticamente sua personalidade e o mundo mutuamente, porque "Mesmo sendo, na personalidade, transformadas em processos psicológicos –, elas permanecem ‘quasi’-sociais. O individual, o pessoal – não é ‘contra’, mas uma forma superior de sociabilidade(...) atrás das funções psicológicas estão geneticamente as relações das pessoas".Então o psicólogo  russo,segue dizendo que "A questão está na personalidade (...) o mais básico consiste em que a pessoa não somente se desenvolve, mas também constrói a si. " Em pleno "construtivismo" dinâmica  e continuamente  estaremos  nos desenvolvendo
Sobretudo porque, se "A personalidade é o conjunto de relações sociais. As funções psíquicas superiores criam-se no coletivo", onde  pode-se recriar de macho a homem, através  de se ver criança, filho, por exemplo, no filho  TEA, que pode ser eternamente apenas criança, na essência, seja na pureza  inocente ou ainda na liberdade infantil. Mas também, apenas um pequeno tirano, destronado você  que se nega a paternagem, causando  a manutenção do ciclo da violência.
"O pensamento autista diferencia-se do pensamento filosófico não pelas leis do raciocínio, mas pelo papel (...)A diferença entre o doente mental e o saudável e entre diferentes doentes mentais não está tanto em que a) as leis da vida psíquica dos doentes mentais são violadas ou b) têm algo (novas formações) que não têm os saudáveis. Ou melhor, os saudáveis têm o mesmo que têm os doentes: delírios, suspeitas. Idéias fixas, medo, etc. Mas o papel de tudo isso, a hierarquia de todo sistema é diferente. Isto é, outra função, que não aquela que está em nós, destaca-se em primeiro plano e recebe funções reguladoras.  Não é a loucura que diferencia o doente mental de nós, mas o fato dele acreditar neste delírio, obedecer, enquanto nós não.Freqüentemente o infantil não desaparece, mas perde seu papel, lugar, significação".
Aqui, abro uma conclusão  provocando se o macho diante do TEA ou outra forma atípica  de ser e ver em sua condição  humana, o macho também  acredita na sua loucura de detentor  de um suposto poder?
O machismo  vitimiza a todos  e mais mata o homem em sua condição  de vida e ensina à pessoa com TEA a tirânica forma de esufruir da relação desigual desse poder, pois  "A essência do homem não é uma abstração, que pertença a um indivíduo específico. Em sua realidade ela é o conjunto de todas as relações sociais”. Estas, aprendidas e reprodutoras de adaptações em busca do bem  estar, neste contexto, cobrando o preço  das diversas violações contra a mulher e destronando  o homem de um trono erguido, do sofrimento, também  deste, o que pode explicar porque o homem que mais morre precocemente e de forma quase sempre letais. E algumas pessoas com TEA exacerbam traços  machistas.
----------------------------------------------
 (Marx K. e Engels F. Lev S. Vigotski: Manuscrito de 1929*Educação & Sociedade, ano XXI, nº 71, Julho/00 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O porque não ao modelo biologista ao tratar do humano e, muito menos ainda, quando se fala da pessoa com TEA.

A fim de clareiar a razão, na qual creio que o filho com TEA que se comporta  ditatoriamente, denuncia, que a relação  de poder é  uma forma errônea  de viver, não só  porque neste contexto  quem manda não são os adultos. Mas, porque me pergunto com quem ele aprendeu estar assim? Então, segue reflexão  crítica.
Para tanto, preciso protestar contra que "apesar de muito se falar do modelo biopsicossocial, observa-se que se continua privilegiando a etiologia biologicista, a concepção fragmentada de saúde e o caráter impositivo e normatizador da visão positivista de ciência, esquecendo-se a relevância dos aspectos sociais, psicológicos e ecológicos como mediadores dos processos saúde-doença. O modelo biomédico mostra-se totalmente funcional para as necessidades do sistema socioeconômico vigente, condicionando uma visão individualista, fragmentada e descontextualizada dos comportamentos humanos relacionados à saúde e à doença"(1).  
Esta verdade, se não alimenta  culpa, ela serve para  deixar as mães de mãos atadas imersas em impotência, enquanto, alguns pais por sua vez, agem  cegos, por estarem descontextualizados conscientes ou inconscientes condenam as suas companheiras. Neste contexto o filho  com TEA, de alguma forma, calado observa e pode aprender  a manipulação da relação  desigual  do poder.
Então temos que,  prioritementem vencer a crítica e fatalmente ir além da denuncia de Traverso-Yépez: "o modelo biopsicossocial tem sido apenas uma postura paliativa com relação ao modelo biomédico, acrescentando as dimensões psicológica e social muito mais como retórica, que como prática real"(1). Esta é  uma das justificativas do meu neologismos, biopsicossocioespiritual. Sendo esse espiritual, amor incondicional. Pois, o exemplo do biologismo é  base para alienação e sofrimento destas famílias desassistidas, desinformados ou apenas mal acolhidas.
Procedimentos não  estruturantes não veem em um filho com TEA,  a inteligência  de cada um deles, esta mais  holística da inteligência  emocional do que reducionista  da inteligência  racional, cartesiana. Porém, basta  notar como eles dobram os seus pais em busca  de realizarem seus desejos. Perdem-se, assim, temporariamente, em seu amor egoísta afetados pelas relações  utilitaristas desse século, ond etodos precisam de ir ao amor altruísta através da empatia  dos adultos, a fim de se encontrar, no  amor crítico dos não's necessários.
Todavia, mesmo que eu tente minimizar, mas é inevitável apontar que o reducionismo  no biologismo encontra-se vetor da postura de culpabilzação do ser humano, em especial contra as mulheres, estas bode expiatórios das mazelas dessa doentia sociedade."Realmente, o modelo mostra-se totalmente funcional às necessidades do sistema sócio-econômico vigente. Isso acontece não apenas no que se refere aos interesses econômicos que vêem no modelo uma das melhores fontes de lucro no mercado de consumo de medicamentos e alta tecnologia (Barros, 1995; Velasquez, 1986), mas também no campo das idéias, já que este reforça a visão individualista e fragmentada dos fatos sociais. É assim que, decorrente desse acentuado individualismo e antropocentrismo do sistema, condiciona-se uma visão descontextualizada dos comportamentos humanos, focalizando a responsabilidade das doenças e sofrimentos nos indivíduos, tanto em seus estilos de vida considerados como inadequados quanto nos denominados aspectos “mórbidos” da personalidade (1)(Sarafino, 1994).
Então,necessariamente estas reflexões nasceram  da mais recente palestra  sobre as relações  em família (12/02/16). Na ocasião, aprendi que a pessoa com TEA é,   de alguma forma, presa a um individualismo dele, que precisamos  entender, como proteção deste mundo. Todavia, como eles ficarão  mais autônomos sem relacionarem-se? E com suas mães como culpadas, podemos esperar ser aceito e acolhido? Posso supor, que as pessoas  com TEA imitam quem detém  o suposto  poder sobre ele é a mãe, pelo  menos no tipo de núcleo  familiar, onde isso  fica evidente? É  mais plausível que  eles imitem os dominantes,  usurpando, inconscientemente, do cuidado da dominada, de forma arbitrária?
Isso, não sei em que  proporção, mas  ocorre, também não sei se posso se utillizar de uma  generalização, todavia, nesta sociedade o profissional deve favorecer criticamente  e, assim, facilitar o fortalecimento  dos desejos de cada um, enfim, se assim se satisfazem torcemos  que não  gere violências. Mesmo  assim, fica-nos o risco  do individualismo:"Defende-se, ainda, a necessidade de superar essa visão antropocêntrica e individualista do modelo vigente, acreditando que o agir do profissional de saúde deveria ser forçosamente mais humilde, baseado na escuta, no diálogo e não na imposição de “receitas” (1)(Campos, 1997a; Vasconcelos, 1997, 1999).
Dito isto, reitero que apesar  do risco  da exacerbação, já observada, do individualismo, torcemos  que conscientes dos seus desejos, sejam críticos a perceber que estamos em desenvolvimento e nunca prontos e, portanto, carentes um dos outros:Estamos hoje conscientes de que não existem comportamentos ou ações separadas das relações e valorações que as pessoas fazem de suas condições de existência.Acreditando na necessidade de mudanças e com o referencial teórico fornecido pela psicologia social crítica, pensa-se ser impossível deixar de considerar, junto com as pessoas implicadas (profissionais incluídos), o universo simbólico que está permeando esses comportamentos e a relevância de que os próprios agentes sociais envolvidos “construam” criticamente suas próprias alternativas. bem como o reconhecimento da necessidade de estabelecer formas horizontais de intercâmbio tanto, entre os membros da equipe de profissionais, como na relação profissional/paciente-usuário do serviço(1).
 Então, concluo, humilde que nada sei. Apenas vou semeando  o melhor  possível, crente que acolhendo o outro com o amor que  quero  ser acolhido, faço  da emoção  uma linguagem, que comunica-me ao outro, não necessitando que falemos, pois a inteligência  emocional nos protege e não deixa que a mentira  seja a mediadora. Essa inteligência  ler no corpo o melhor para o bem, se estiver estar abertos para  evoluirmos. E, não atado a um individualismo  doentio dessa pós modernidade  que imita o autismo. Como se  ele  fosse doença ou desamor "tem-se também verificado que a codificação, elaboração e julgamento sociais são mediados pelas emoções, na medida em que elas contribuem para a ativação de informações com elas congruentes, além de provocarem reorganizações mentais que se mostrem mais consistentes com as experiências afetivas individuais (2)(Quinn & cols., 2003).
Na realidade, o conteúdo  biológico  do TEA, até  no quadro mais grave é  apenas  uma  parte  da que,a pessoa, temos o psicossocialespiritual, estas dialeticamente trazendo novas sínteses em contato  com o contexto e as demais estruturas biopsicossocioespirituais que afetamos e somos afetados. Em suma,  a pessoa TEA, como qualquer  um outro pode resignificar seu destino que desejar através do verdadeiro amor e aprender outra forma de  viver além de ser um pequeno  ditador. 
Então, pagará além  da visão  apenas biologia tá que busca uma culpa, abramos-nos para a inteligência emocional, humildade  de carentes  um dos outros. Quiçá os nossos  autistas assim também  imitem  essa forma de relacionar.

--------------------------------------------------------------
1. Traverso-Yėpes, Marta A INTERFACE PSICOLOGIA  SOCIAL E SAÚDE: PERSPETIVAS E DESAFIOS. Psicologia  em Estudos, Maringá, v.6, n.2, p.49-56, jul./dez.2001;

2. Ferreira ,Maria Cristina. A Psicologia Social Contemporânea: Principais Tendências e Perspectivas Nacionais e Internacionais Universidade Salgado de Oliveira,55Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2010, Vol. 26, n. especial,  pp. 51-64 Psicologia Social

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Discurso contra à violência do nosso Desejo: Quando elegemos o Outro como fonte de vida.

Em outras publicações tenho falado do Desejo do outro, como dos pais sobre o filho.
Creio, que se temos que aprender a barrar nosso desejo. Porque a violência do nosso desejo barra até os vestígios dos sonhos e matam na criança as delícias de viver. Para cada Pessoa Sem Desejo há mais de uma pessoa propensas a ser infanticida.
Produto da culpa, a vergonha e a punição, pois diferentes da solidão libertadora, vive-se  no seu próprio corpo como prisão, apenado com a solidão adoecida entre a angustia e a ansiedade.
Se ficarem presos aos corpos dos filhos, como fonte de vosso desejo de não realização, ficá-se-á atado a possível determinismo imersos a um destino morto no hoje.
Enfim temos que viver  para além destas amaras, sair da solidão que esteja ligada ao desejo não realizado e ir a a peculiar solidão que ensine quanto ao nosso estágio e, como se pode evoluir.
Neste contexto, trago alguns apontamentos sobre representação social, conceito pensado na psicologia social que é concernente ao conhecimento humano para além do cientificismo cartesiano, pois considera o conhecimento do senso comum fonte inesgotável de significativas contribuições ao inserção das diferenças como meio de efetivação da dignidade humana, como as mãe de filhos com TEA.
 Jovchelovitch, em seu artigo "Psicologia Social, saber, comunidade e cultura", sabendo da vitalidade desse conhecimento popular alerta "A representação também distorce, mente, ilude e confunde. A hiper-representação é, naturalmente, parte do poder da representação, já que o simbólico é uma esfera onde a lei do “faz-de-conta” se aplica".  Nessa citação alerto da necessidade de não esquecermos que todo conhecimento é instrumento dotado de poder  e pode ser usado de maneira não libertadora, pois toda a mãe por exemplo, é maculada por um simbólico que não a fortalece como pessoa de direito e, pode ela, mesmo que inconsciente, em busca de espaço nesta sociedade, desfavorecer o filho.
Neste sentido, a autora articula o conceito de representação com o das relações de poder,   sabendo que essas coexistem em todas as relações humanas  e, quando um adulto impõe seu desejo à criança são relacionados interesses e projetos adutocêntricos independente do gênero junto as questões geracionais, sempre penalizado é o dependente ( crianças, adolescentes e idosos, por exemplo).
 Lembro-me, assim das relações objetais que ocorrem quando se quer transformar o outro em responsável pela realização do nossos desejos, como as crianças são usadas.
Enfim, Sandra Jovchelovitch, no mesmo artigo , foca ,sobretudo, na polifasia cognitiva, deste conceito podemos apreender que contrário a impor nossos desejos as nossas crianças e, em especial às pessoas com TEA, devemos a elas novas formas de relações sociais, para produzirmos juntos as infantes, novos formas de conhecimento.
Tal como as mães que lidam com filhos complexos como pessoas com TEA:  "para as psicologias de Piaget e Vygotsky, que tinham um entendimento claro da natureza social da lógica e se propuseram a demonstrar em detalhe a maneira através da qual a sociedade dá forma ao desenvolvimento das estruturas lógicas na criança. Os dois mostraram que relações sociais diferentes levam a modos de saber diferentes".
Esse modo de saber multi é basilar para aceitarmos as diferenças e também funda a aceitação do diferente como cidadão de direitos e deveres e favorecer melhor escuta à maior riqueza humana, a diferença: "A análise da constrição e da cooperação - os dois tipos de relação social que Piaget estudou – forneceram mais evidência à proposição de que formas diferentes de interação produzem lógicas diferenciadas". Não há muitas alternativas para a vida em sociedade que vencermos a lógica utilitarista e competitiva dessa sociedade do consumo.
Neste sociedade pós- moderna os estudos de Vygotsky e Luria tem pouco valor, pois o biologismo poda e exclui o poder das relações humanas, como a mãe-bebê, precisamos resgatá-la como meio mais que curativo, preventivo: (graças) "a estes estudos hoje nós podemos afirmar que tanto o conhecimento como a mentalidade do sujeito do saber que lhe corresponde são organicamente vinculados ao contexto social da comunidade em que eles são produzidos".
 Portanto, o conhecimento das mães de filhos com TEA não pode servir apenas para elas precisam ser estudados e disseminados.   Pois, o saber é amarrado a uma comunidade e seu contexto, segue-se a derivação quase óbvia que os saberes variam. Há um número infinito de formações sociais que produzem um número infinito de formas diferentes de saber. 
Por outro lado, sabe-se que a partir de "Durkheim e Piaget era claro que formas superiores de saber, encontradas em adultos e populações “civilizadas”, deslocariam formas primitivas, encontradas em crianças e povos “primitivos”". Aqui vamos a autora vai além do valor do adulto ( aproveito para citar a mãe), e onde me apoio para citar a virtudes de nossas pessoas com TEA, precisamos as escutar e favorecermos suas experiências, isso para melhor lidar tanto com as diversas formas de autismo, como também as psicopatologias. E quicá, aprendermos mais sobre nós de fato,através do amor às diferenças.
Lévy-Bhrul, me dá base para afirmar que se cada pessoa com TEA é única e produzem ela com sua mãe forma particular de viver a sua realidade dentro do espectro, podemos com cada vivência, aprender mais sobre a riqueza da vida humana, através da aceitação das diferenças, assim, este autor, "demonstrou que lógicas diferentes não são mutuamente excludentes e não operam sob o imperativo da substituição". 
Neste sentido, Vygotsky  coincidia  com ele na noção mais fundamental de que "a transformação do saber é descontínua e não há substituição nas formas do saber, mas co-existência" (parafraseio co-existência das diferenças).
Segundo Moscovici, "os saberes coexistem e podem ser contraditórias, mas isso não é um problema se nós abandonamos a lógica formal e sua dualidade ao concebê-las como opostas e abraçamos uma perspectiva dialética". Neste ínterim, cada dialética entre mãe- pessoa com TEA, nascem, portanto, novas riquezas humanas e dessa interação nascem novas formas de viver com maior dignidade.
A autora, baseada em Moscovici, "o conceito de polifasia cognitiva mostram que todo saber é produzido em uma relação entre sujeito-sujeito-objeto, no tempo e no espaço. O entendimento dos saberes e de suas múltiplas lógicas envolve o entendimento da representação, enquanto um sistema de relações psicossociais que envolvem".Neste sentido,portanto, ela é enfática  "o saber é sempre obra de uma comunidade humana e, portanto, deve ser entendido no plural". 
Enfim, posso afirmar que ninguém melhor que cada autista pode ensinar o que é o TEA e mesmo suas mães que são as suas melhores alunas, não sabem quanto eles sobre o que vivem. Então, nessa relação de poder mãe-filho com TEA, temos que favorecer que eles sejam os vencedores. Eles livres dos nossos desejos,nos libertaram de certos limites que nos podam a vida.
E é nesse posicionamento que temos que os libertar favorecendo  como a autora conclui seu artigo e aproveito para findar essa reflexão:  diálogo entre formas diferentes do saber não apenas é possível como é desejável; se o que todo saber deseja é, de algum modo, dar sentido ao estranho, isso significa dizer que todo saber é capaz de encontrar a estranheza do outro desconhecido e mediar as diferenças que encontra.

____________________________
(Jovchelovitch, S. “Psicologia Social, saber, comunidade e cultura”  Sandra Jovchelovitch London School of Economics and Political Science)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O que o autista, ao usar o corpo, tem a dizer a mãe?

Um autor chamado Miller, afirma que "o corpo não fala, serve para falar"*, já Lacan diz que só se tem um corpo graças a linguagem, eis o que quero trazer hoje aos colegas, leitores desse blog. Estou a fim de pensar o que as pessoas com  autismo tem a dizer a suas mães. Digo a elas, porque são elas que estão mais próximas de os escutar e, traduzir a linguagem desses corpos falantes.
E, assim reafirmo que temos que deixar o autista nos chamar, através do seu desejo, como  crianças, ele é puro desejo.
Mas penso que o caminho é fazer ele sair de toda e qualquer infantilização e, também,sobretudo, que ele aprenda a partir da falta, dos "nãos", que nos ensina tanto. Pois, ao se colocar como alvo de piedade é sempre viciante, temos que evitar isso. 
Mesmo que "O improvável do gozo pode angustiar"*, se bem bem dosado não traz adoecimento, pois se damos tudo aos nossos filhos eles um dia pode angustia-se pela falta pois não somos eternos.
Pois se eles são mais complexos que psicóticos, não é temendo as informações dadas por eles pelas estereotipias  que acessaremos suas almas,  a fim de perceber o além do desejo e favorecermos as reais necessidades deles. 
Enfim, pelo corpo ele tem o que dizer  e, esta é a forma dele não adoecer, temos que ouvir seus corpo falante, para ajudarmos eles (re)significarem o que vemos eles em seus sofrimentos. Digo isso porque eles mudos não quer dizer que sofrem, entretanto, se o acolhemos neste suposto sofrer, eles equilibrarem-se e passam pelo que vemos como crises de maneira mais célere e estruturante, pois eles ao se verem aceitos até nestes momentos difíceis saberão que não estão sós.
E, se eles repetem certo comportamento, é que este lhes dar prazer, ou alívio a algo mais complexo, por onde precisamos guiá-los a outros formas de encontrar equilíbrio, pois (re)enfatizo, não podemos contabilizar o grau de tolerância a dor de cada um deles e, outra, nossos medos são nossos, nem sempre deles.
Eles se utilizam de nossos corpos. Isso para descobrir como suportar nossa invasão a eles, através de seus corpos, não esqueçamos o "auti" quer dizer autonomia, independência (...), então tudo que é externo aos corpos deles é invasivo.
Esta verdade é uma das bases para que surja a humildade técnica de "eu sei que nada sei" de todos que lidam com cada uma pessoa com autismo. Assim volto a Lacan que diz "todo mundo delira, seja com o corpo, seja com a linguagem"*, então não podemos querer reduzir ao cientificismo de que somos todos iguais, em detrimento a isso, vivemos a marca do singular. 
Isso é o que o corpo de cada um de nós acusa, que no singular vamos ouvir desejos como portas abertas para realizações de cada ser intimamente.  Sobretudo porque, "num certo modo o espectro é um enforma, e, em outro ponto, é um sem forma"** ou seja, nenhuma ciência que não considere a universidade da diversidade acolherá o TEA de maneira humanizada satisfatória.
Lacan se referindo a hipersensibilidade auditiva de crianças enquadrada no Transtorno do Espectro Autista - TEA, diz, por exemplo, que "a sensibilidade está do lado alucinatório. Trata-se de uma alucinação não no mesmo registro alucinatório que se dá na psicose, mas em outro regime de funcionamento alucinatório", ou seja, se diante das psicoses temos variados deslizes em todos os processos de acompanhamento, imagine no caso de pessoas com TEA.
Então vós que leem em seus filhos os corpos falantes, estão propensas a libertá-los para a forma que eles queiram viver.
Tanto que a Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas - ONU marca uma mudança de paradigma "altera a percepção tradicional das pessoas com deficiência, possibilitando que eles deixem de ser vistos como alvo de caridade (...) consolida o entendimento de que a pessoa com deficiência é um sujeito de direito (...) definiu com clareza a deficiência como parte da experiência humana e equacionou esse experiência específica com o resultado de impedimentos de longo prazo, indicando que quem impõe limites e barreiras é a sociedade e não a deficiência"***. 
E por fim, lembro que a pessoa com o TEA é pessoa com deficiência para fins legais segundo a lei 12.764 de 2012. E assim, sinalizo que se pessoas com TEA, para o Sistema Único de Saúde - SUS é alvo desse direito e a convenção citada, indica que existe uma tradução errônea dos termos "mental disability" e "psychosocial disability"***, que não significa deficiência e sim desabilitado.
Então, essa tradução errônea serve ao biologismo que quer resumir toda as terapias ao corpo e a medicação, por outro lado, traduzindo por desabilitado podemos ter um passo a autonomia da pessoa com TEA e as pessoas tidas com deficiência.
Portanto, abre-se assim mais diálogo para entendermos que as pessoas com TEA tem muito a nos ensinar.

____________________
*SCILICET - O corpo falante, Sobre o Inconsciente no Século XXI, Associação Mundial de Psicanálise, 2015;
**Autismo(s) e Atualidade: Uma Leitura Lacaniana. Escola Brasileira de Psicanálise, 2012; 
***Linha de Cuidado a Atenção às Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo e suas Famílias na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único da Saúde. Brasil, 2015.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Caminhar na solidão ou libertar da prisão do desejo de outro?

Cada vez sinto a solidão como a ausência de um alvo a amar, um 'des-amor', situação em que a pessoa fica abandonada, ao ponto de atuar em perene romantismo, por assim dizer, 'estericamente' em uma paixão direcionada a um algoz, este que se sustenta através de suposto direito de ser nosso juiz sádico.
Portanto, essa solidão retroalimenta uma angustia tamanha que assassina a saudade do futuro, de forma que  nos comportamos como se reduzindo ao corpo, e pode assim, ensinar-nos a sofrer como meio para obter prazer.
 Este estado  é diferente da solidão criativa, aquela que dela aprendemos tirar proveito  quando é apenas acessada através da inteligência emocional.
Essa inteligência também serve para entender a solidão criativa ou não de  um filho com Transtorno do Espectro Autista - TEA, através da linguagem escrita no corpo de cada um dele.
Essa escrita nos demanda maior liberdade à pessoa com seu peculiar autismo e, como cada pessoa que com ele convive, permite o conhecer e favorecer sua autonomia, mas também, traz a marca que todos esses marcam nesse corpo que possivelmente pouco pertence a pessoa com TEA. Pois, eles aos poucos se reconhecem e precisam se ajudados a esse encontro consigo mesmo, quem sabe que assim, acessamos a alma, vida social e espiritual. 
Afirmo isso contando com a hipótese de que da solidão da pessoa com autismo é de onde ele se libertará da prisão de um desejo alheio a ele que o impede se regozijar consigo mesmo. Afinal é o biologismo que o acusa de doente, que alimenta os preconceitos da ignorância popular, manobra o bem estar das famílias, acusam as mães e aprisionam pessoas com o espectro com um discurso de "cientificismo".
Por outro lado, essas pessoas que são enquadradas no TEA em sua solidão podem se encontrar consigo desde que apoiado em seu auto processo, o que pode promover revoluções em si, em família, comunidade, sociedade em fim, quando todos são libertos desse discurso cientificista arrogante.
Mas só  se o rótulo "doente" não o aprisionar em si, acoado devido o desejo do outro de que ele se cure do que ninguém ainda consegue nominar. Apenas porque ele assume sua diferença de maneira explícita. 
Entretanto, como disse, se pacientemente for acolhido, entendido em suas falas corpóreas e, em seus desejos serem levados  a potencializá-los no seio familiar a sociedade o acolherar como um gênio, ou autodidata, ou ainda um estranho que venceu suas diferenças, ou seja qual for o eufemismo que essa sociedade invente. O importante a ser vencido é como cada modo diferente de viver e sentir ainda é proibidamente doentio virando sinônimo de sofrimento.
Todavia, essa prisão do desejo dessa sociedade é tão cruel, fria e calculista, que não sei outra forma mais louca de que é a prisão do desejo dela querer todos iguais, como se fossemos feitos em série, ou seja, pré-moldados para desejar consumir o único modelo de viver, o capitalista.
Até isso o ser humano enquadrada no TEA nos faz refletir que temos que viver e lutar pelo direito de desejo mais íntimo, mesmo que este pareça loucura, pois que somos se não nossos desejos. 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Relações ou Poder - Um questionamento à Coisificação do Amor na Relação Familiar ( Terceiro Tema do Ciclo de Palestras Coração de Mãe)

Se nas duas primeiras palestras do ciclo de Palestras promovidas por este blog, a que intitulamos "Coração de Mãe:  Escutando teu coração, partilhamos sonhos, encontramos flores do aroma que restou", como tema macro, focamo
s nas demandas da mãe de filhos com Transtorno do Espectro Autista - TEA, hoje vamos mais afundo ao contexto sociofamiliar, onde ocorre a manutenção do sofrimento de cada mulher.
Nessa terceira oportunidade queremos pensar sobre o resgate do amor, no extremo da verdade desse verbo, o amor Ágape. Não apenas o mero desejo do amor Éros ou o Filos. 
O amor Éros ama a si próprio e usa o outro coisificado e é esse que questionamos por sua mera fragmentação da beleza humana  reduzindo-a ao corpo, negando a alma, vida social e espiritual de cada ser.
 O Amor Filos também, pois este, ainda não evolui para amar o outro como ele é, e sim, como gostaríamos que ele fosse, basta ver que desejamos o melhor para nosso filho e entramos em conflito  com o mesmo quando ele não entende tal desejo.
Desejamos chegar-nos ao Amor Ágape, neste se ama o inimigo que há em nós, mas não se conforma com ele e luta cotidianamente por uma evolução biopsicossocioespiritual. 
  Isto posto, a fim de lembrar que em todas as formas de família, atuais e historicamente, têm um pano de fundo, as Relações de Poder, que tem mediado todo o sofrimento dos membros de cada lar, sobretudo, a mulher e os filhos e quando com TEA, mais ainda. Todavia, nestas relações, é a mulher quem se torna a maior vítima e mantenedora de um ciclo de retroalimentação de sofrimento. Chegando até a ser acusada por sua própria dor.
Mas não preciso enfatizar que este é um suposto poder, como já pontuei em outras postagens, pois todos ao falar de relações de poder, a qual se vive em contexto de violência, dificilmente sabe-se onde  ela começa e termina e o grau de sofrimento do algoz e da vítima, caracterizando como questão de saúde pública,  um complexo paradoxo: o adoecido doa a outro sua dor agressivamente.
Para pensar neste paradoxo, trago o fenômeno do conto de fadas, que geralmente é uma criação de um artista que ao sofrer transforma tal vivencia em arte, coletiva ela em forma de sonho e chega até a universalização. Assim da mesma maneira, creio que não mitologicamente, mas no real, pode-se (re)criar os cenários e papeis por nós atuados.
Para tanto, temos que lutar amando-nos, ou seja, aceita-se e amar o inimigo que há em si. Por exemplo, o homem macho, ama a coisificação da mulher objetada. Porém ambos podem recuperar o melhor de si através do amor Ágape, negando o amor Filos e Éros, respectivamente. Quero dizer amar integralmente e não em parte. Não como queremos o outro e sim como a pessoa está e o ajudar a encontrar seu melhor, na ótica dela. Caso contrário acabamos como cita Adriana Laión, no artigo Espetáculo, dentro da obra " O Corpo Falante" da Associação Mundial de Psicanálise: 
"A incitação à felicidade, representada por hedonismo massivo, é um exemplo desse imperativo. Hoje mais que nunca, o homem torna-se um indivíduo entregue a solidão de sua vida, na qual lhe resta mais do que se reunir com os outros,tão solitários como ele, para fazer comunidade que não alivia nem dá sentido ao sofrimento particular".
Enfim, esse é o homem que sofre e se relaciona assim, enganando-se, regido por um suposto poder, perdido nesse hedonismo ( amor egoísta e doentio, devido a seu sofrimento particular busca satisfazer desejos primários) e quando não satisfaz agride para equilibrar sua falta. O que não justifica a violência, mas nos faz se aproximar para a entender. O agressivo é um ser faltante tamanho que pensa que destruir é ter poder. Para refutar isso, deixo uma fábula:
"Um grande guerreiro chegando a uma pequena aldeia, encontrou um velho homem, que não conseguira fugir como todos os aldeães. Diante deste idoso o grande guerreiro concedeu-lhe um último pedido. O senhor pensou e o pediu que lhe trouxesse um madeiro. O guerreiro achando que ele era louco empancou, porém, não querendo perder o respeito do seu exército decepou um grande galho de uma árvore e trouxe já talhada ao pedinte. Este, diante do madeiro disse ao guerreiro: - Grande senhor se tens poder faz esta madeira voltar a vida da qual você a tirou. O guerreiro  retirou-se, crente que o poder não destrói e se foi com sua impotência.
Em suma, Deus dar a vida, você mãe a sente e a desenvolve, a amamenta e a transforma em família. Isso sem dor e negação a si mesmo, em nome do amor verdadeiro, nunca poderia ocorrer.

_____________________

* Adriana Laión,  artigo Espetáculo, in Scilicet: O Corpo Falante - Sobre o Inconsciente no Século XXI. São Paulo, 2016

terça-feira, 17 de novembro de 2015

O ESTRANHO VAZIO DEIXADO PELO DESEJO DO OUTRO: SOLIDÃO ( TEMA DO CICLO DE PALESTRA EM NATAL)


Se na primeira palestra dialogamos sobre inteligência emocional das mães de filhos com o Transtorno do Espectro Autista - TEA, que elas usam para saber lidar com tamanha demandas junto às pessoas com o Espectro e, devido a tantas responsabilidades muitas são acolhidas pela solidão e tantas outras, talvez a maioria, pelo frio do abandono. 

Mas que, as que são acolhidas pela solidão, se se perceberem biopsicossocioespiritualmente, poderão aproveitar do momento particular, para encontrar na saudade do futuro, reencontro com seus sonhos de menina, paixões de moça e desejos de mulher, vida para além de esposa e mãe.

Todavia,  as que deixadas ao abandono, podem ser resgatadas em suas
demandas (facilmente confundidas com o próprio autismo), afim de se separarem deste rótulo e para poderem enxergar a si e ao seu filhote, assim não mais se sentirá só, poderá libertar a si e a ele, da discriminação adoecedora. 
Com esta introdução, caminhamos nesta segunda palestra até a agressiva invasão do desejo do outro sobre cada um de nós. Para exemplificar, basta lembrarmos como que para alguns, os desejos de nossos pais podem ser difíceis de satisfazer. Imagina,  um casal de médicos, pode desejar que o filho também o seja, porém, quando este se ver dono de seus desejos, pode não se encontrar feliz em cumprir tal compromisso, por assim dizer,o prazer dos genitores. 

Para além deste contexto, é, pelo menos, duplamente frustrante, para pais de um filho com o TEA. 

Pois, sabe-se que nem todos entre eles, são favorecidos em seus desejos, por estes serem avassaladores e, até porque poucos são entendidos, para serem ajudados, então como realizar o desejo dos pais?
No caso da mãe, pensaremos pelo viés do contexto socioafetivo e familiar. Sabe-se das históricas e antropológicas distorções do "famigerado instinto materno" citando uma mãe, onde culpam a mulher por boa parte das mazelas dessa sociedade. 

Essa culpa referente ao filho com TEA se personifica mais evidentes em relações frágeis, famílias desenformadas e de afetos desestruturantes. Estas, evoluem, assim, para o isolamento da genitora em cuidar quase que exclusivo do filho, chegando ao ponto de esquecer de seus desejos de mulher, assim é (de)negada o gozo de sentir desejada e desejante. Basicamente, algumas delas, nem se percebem que elegeu, de alguma maneira, erroneamente o companheiro, aquele que a deixou imersa ao demandas do  autismo, abandonada, porque o TEA se tornou instrumento de sacrifício e escravidão aplicado por alguns "parceiros"  e "certas famílias". Coloco entre parenteses, para reforçar que muitos deles nem percebem que assim agem.
Conscientes  ou inconscientes, agem como juiz e algoz dessas mulheres, que as julgam, condenam e as executam. Ciclo silencioso de real violência sexista, hoje com nome eufêmico, doméstica.
Enfim, neste segundo encontro vamos pensar um pouco como (re)voltar para se sentir, morando em um corpo de desejos que alimentam o bem estar na alma e, mesmo que esta sociedade não aceite, elas são donas também de uma espiritualidade, fonte única  para retomar aos sonhos, desejos e prazeres para além de esposa e mãe. 
E onde está o desejo violento do outro contra a mãe de uma pessoa com o TEA? 
Está em  negar a realidade dela como dona de desejos, prazeres através de sua vida própria, quem nega isso, abre-se para o real adoecimento e demais sofrimentos, do que chamei de sacrifício e escravidão.
E este é o pano de fundo de nosso próximo diálogo!

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Vítima, (re)vitimizada, acusada e culpada? Por uma relação horizontal na relação de poder!

Tenho falado sobre a pessoa com autismo e a luta pela sua dignidade, até que, um certo dia, uma mãe de uma destas pessoas, afirmou "o famigerado instinto materno", referindo-se a sua vivência quando me ofereci a pensar com ela quanto a qualidade de vida dela.
Desde então, essa frase, tem-me provocado com tamanha sensibilidade, pois tem muito de dor devido as (in)verdades desse mundo, internalizados a força, como um estupro prática cotidiana da sociedade contra às mulheres. Tentarei, a partir dessa frase, destruir certos mitos.
No termo "famigerado", noto o grande incômodo vivido pela a declarante, mas o que poucas delas percebem, sobretudo, quanto essa função social é construído pela sociedade e responde a certos interesses. Basicamente, no micro, jogos socioeconômicos escondidos no socioafetivo e, no macro, a ideologias de manutenção de submissão da mulher, afim que  silenciosa,  continue a ser demandada a trabalhar em jornadas cada vez mais extensas. Mantendo-a assim, cega para sua força e vitalidade: jornada no trabalho doméstico, com o filho, com o esposo e agora com trabalho externo para sustentar a família, além de cuidar de si.
A feliz frase da senhora, mesmo que trágica, traz-nos assim,  ao termo "instinto". Ele, de tão alienante, esconde um determinismo implícito, talvez, por ser o maior vetor que impulsionam as pessoas a um desejo quase que incontrolável, como se fossemos selvagens. Os psicanalistas, apontam que desejos subjetivos tem algo de instintivos e, são mobilizadores de buscas de satisfação e gozo permanente. E assim, um compromisso da mulher com a maternagem, traria a elas um prazer que só se explica no foro íntimo, como a dor como pano de fundo. Algo como o mal interpretação da vida  na mitologia  cristã, o sacrifício, no lugar da misericórdia.
Esse sacrifício antropológico, funda o termo "materno", mas é uma herança do século da industrialização, onde primeiramente houve a imposição às mulheres aos cuidados das crianças. Ideário fundado no modelo eurocêntrico, mesmo que existam culturas onde quem desenvolvem o cuidado são os homens. Porém, com a ocidentalização do mundo, a subordinação da mulher tornou-se sustentáculo para o modelo escravocrata do capitalista. Por isso, afirmo não existir este instinto no DNA das mulheres, são comportamentos aprendidos e reforçados ao longo da história humana.
Em suma, concordo com o "famigerado instinto materno", porque faz as mulheres serem presas a esta responsabilidade, como se mobilizadas pelos desejos de serem aceitas e amadas, mas por esta função, nascem as maiores dores e desamores a elas. Mesmo como já citei não existe esta ordem determinista, biopsicologicamente e, sim biopsicossocialmente, tanto que chegam até que concordar que seja determinação divina. Entretanto, quem disse que nós homens não podemos aprender a cuidar?
Todavia é uma ideologia social que, como todas dela, mentem-nos, onde as mulheres submetem-se cativas a regras limitadoras de percepção delas quanto a sua vitalidade e projeção na vida. Já citei que elas têm, por exemplo quatro jornadas, isso por si só já prova a grande virtude biopsicossocioespiritual que elas possuem.Creio, que este é o medo dos idealizadores da escravidão que elas vivem hoje, o medo de que elas saibam quanto é valorosa inteligência emocional, muito mais que a racionalidade machista.
No entanto, toda a sociedade, inclusive a significativa parte das mulheres, nem percebem que alimentam o ciclo de sua violação, nós todos t vivemos colocando-as como objeto de desejo, de uso, de poder, portanto, desalmada, a-vida, manipulável, objetável, portanto, descartável.
Elas que são mais demandadas biologicamente pela continuidade da vida: Maternagem, amamentação; são as formadoras socialmente: Cuidados e orientação; psicologicamente: base de afetos e alvo de todas as culpas; e espiritualmente é demandada para juntar a alma a Deus.
Não aprendemos ainda a perceber as pessoas pelo que estão sendo e, não pelo que fazem ou pensam que têm! . E por isso elas só se valorizam escravizando-se e não vivendo pelo simples fato do dom da vida.
Servir e ter algo, para maioria pode trazer muita satisfação pela utilidade imediata, mas ao longo prazo, cada um cala-se diante de si a sós consumidos pelo trabalho diz e dai? Nada vivi!
 Seus desejos estão sendo valorizados? Não, na realidade querem apenas serem amadas. As mulheres padecem por viver imersas em si, sem poder realizar seus projetos adiados e geralmente sofre abandono afetivo, ético e social. E, psicologicamente, presas à mentira desta sociedade.São acuadas, ante à culpa por ser só, abandonada e violentada. E quando, socialmente (re)vitimazadas são acolhidas pela sua resistência e reduzidas ao corpo: não podem sentir, pensar muito menos desejar; trabalha mais e ganha menos; é agredida em todas as partes desde sua casa até o trabalho e no caminho: nos ônibus assédio sexual, no trânsito violência verbal, no shopping são assediadas em abrandar seu vazio através do consumo, como única fonte de prazer; e em casa é culpada pelo seu cansaço na cama, a mal criação do filho e do tamanha ordem do lar (...)
Pergunto-me até quando elas não se rebelarão, quanto a tamanha demanda, será que vão enlouquecer quanto nós homens, em uso excessivos de diversas formas de negar a vida e, viver masoquistamente: em vícios, violências e diversas psicopatologias; ou, sadicamente: agressões,  homicídios, estupros ?
Sei, apenas, que se faz imperioso parar e rever a si mesmo, aonde se estar indo, ou melhor onde se deixou e caminha-se com papéis sociais que matam a alma e espírito através do corpo?
É indispensável rever sonhos desenhados, projetos estacionados, vidas substituídas. Para pensarmos uma nova relação de poder, que foi supostamente dada ao homem, com a qual ele violenta e violenta-se, precisamos horizontalizar as relações de direitos iguais, respeitosos à diferença de cada um e cada uma.
Claro, vão dizer mas como com tamanha demanda ? A resposta é exatamente ela, se a mulher é capaz de viver tamanha responsabilidade, incluir mais cuidado a si mesma, cara mulher, nesse processo é o mínimo e indispensável para a qualidade de vida. Vocês são seres mais evoluídas do que percebem. Vejam demonstrei quatro demandas enormes que vivem: casa, marido, filhos e trabalho. E no caso, o autismo? Cinco ricas demandas, e ainda conseguem tempo para serem, também lindas esteticamente.

Aqui, está a resposta: Você é capaz de tudo isso, temos que ir além de heroína, guerreira, coruja: encontrar a mulher, bela sem maquiagem, bela de dentro para fora. Temos que tirar esses adjetivos de foco para usar: rosa, bela, que sonha voltar a ser desejada, amada e liberta  das as amaras, ao menos daquelas que se lhes atou.

domingo, 8 de novembro de 2015

Novos pais, na pós modernidade: A ESCOLA EO TRABALHO


A demanda dos pais e família trazida a nós terapeutas, denotam não só certa carência de entendimento do desenvolvimento humano dos filhos. 
Percebo que, quando a demanda chega a escola, fica evidente, neste segundo socializador, que as intimidades da família  percebem-se, como  sintomas de cada família. 
No sentido do comportamento da criança deixar transparecer a carência dela e dos membros de seu núcleo familiar. Isso, ser chamado de sintomas que se trabalhados trazem benesses ao biopsocossocioespiritual de cada membro do núcleo, mas lamentavelmente, boa parte destas famílias, veem no comportamento das crianças, situações desviantes e,  muitos   'patologizam' tais necessidades afetivas dos filhotes.
Nasce assim, dois outros pais, que me parecem evidentes, adoecedores, quando contribuem para o distanciamento das intimidades e, também, para cegar ante as diferenças peculiares de cada atípico.
Refiro-me, ao fato de um novo casal, por a sim dizer, o pai trabalho e a mãe escola. Estes, como  toda relação afetiva, fruto desta sociedade pós moderna, vive a busca desenfreada de um suposto poder, o destino silencioso e escravizante de vidas, mortífero de almas e  limitador espiritual, o materialismo.
Por ele, a mãe escola, que supostamente educa, ensina nossa subordinação ao mercado de trabalho e nada pensa quanto a vida e o bem estar, portanto, a qualidade de vida fica violada pela subordinação mecânica do trabalho.
Enquanto o pai trabalho, crer-se suficientemente capaz-nos de trazer felicidade e prazer. Todavia, através do consumir, compramos o material que alivia a dor, mas não compra paz ou prosperidade das relações amável a nossas diferenças. Impede o essencial: evoluir através da inteligência emocional, ou seja, do amar.
Esta é uma escravidão, ao desejo de ter e não amar. É o mau do século, não é em vão que a depressão terá em breve afligido um quarto da população mundial.
 E o que é a depressão, senão, nada mais que o desamparo do desamor, que é a indiferença, pois a falta de amor, não é a raiva ou o ódio e, sim ser indiferente ao próximo. 
Neste contexto  a pessoa que sofre a indiferença, geralmente é alvo do descaso daquela pessoa em que ela mais depositou seus sonhos e desejos.
E o que tem, nesta dialética,  as demandas da pessoa com e no espectro autista?
Cabe-nos que a pessoa com autismo é atendida geralmente em suas necessidades, quase que exclusivamente, por pessoas que sofrem por parte das pessoas que elas supõem amar, a mais cruel indiferença. 
Estas são as mães, que sofrem caladas de desamparo afetivo. E por isso, a maioria se jogam quase que as cegas para atentar para o filho com espectro: Umas afim de se retirar da própria solidão assumem para além do filho, o autismo dele; há aquelas que desejam expurgar um fantasma da culpa; também têm as que para não enfrentar os olhares preconceituosos da sociedade negam suas vidas e amam o filho que não percebem que os atrapalham mais que os ajudam etc. e quase todas não entende o sentido maior da palavra não: amar. Não a sí mesma, não aos adoecedores, não à indiferença, não aos supostos limites que alguns técnicos ajudam a condenar os atípicos.
E pelo lado do filhote, tem quem veem pouco motivo de viver, efetivamente, com este mundo de pessoas em sua maioria desamparadas, que talvez seja mais seguro ficar ensimesmados, por isso, falamos de autismos, no plural. Sobretudo, porque a relação amoroso, afetiva e intima cada dia está ficando em desuso,justificando a quem fale na sociedade pós moderna como autística. 
Mas ainda no contexto dos filhos, penso que a corrida desenfreada  para que eles falem, esquecem que nem sempre falar significa se comunicar, se fosse assim os surdos não interagiam com o mundo.Como se o corpo, também, não  falasse a linguagem  das emoções. 
 Como também, alguns dos que vivem dentro do que se chama espectro não seria ótimos profissionais por serem concentrados,  repetitivos, discretos, sinceros, objetivos, técnicos e habilidosos (...). Sempre úteis  ao mercado de trabalho, porém  ao bem estar  do autista tenho lá  minhas dúvidas.
Mas, ainda, esquecem, alguns pais, que falar, educa-se e poder trabalhar não significa nada quanto ao futuro, no que concerne a segurança e independência. Sobretudo, porque esse mundo sempre violou e viola os diferentes, sempre agride aos que não são manipulados, sempre matou os deficientes e até entre os tidos "normais", na realidade os que aprenderam sobreviver como comuns, existem guerras sanguinárias e silenciosas. 
Mas são assim que vêem os atípicos, diferentes,  (in)domináveis quando possuem inteligência emocional evoluída, mas,  querem tratá-los, como peças, quando são habilidosos manual, intelecto e mecanicamente.
Os pais e familiares nem sempre entende que a educação e o trabalho apenas nos aliena e nos coloca em série, como iguais e sem sentimentos, como supõe que os autistas são imunes aos afetos que os circundam. E, esquecem que eles mesmos, os pais, são e foram vítimas desse mundo manipulador, ao viverem apenas através do trabalho, como único caminho para uma suposta felicidade.
Porém, lá no fundo sabem que não se é feliz, se estar, mas não se tem felicidade sem paz; não se ama, se não tiver uma alma sadia; não se vive temendo a morte, sobrevive ante o medo.
 Quero dizer que tendo quatro dimensões bio-psico-sócio-espiritual e em quatro fases infância, juventude e adulta e da sapiência, elas respectivamente,  ensina-nos como devemos evoluir.
Um dia fomos só corpo (infância) e aprendemos que precisávamos apenas nos nutrir; depois descobrimos o prazer de sermos alguém, nasce nossa psique, através de nossas escolhas e não dos sonhos de nossos pais; dai surge a necessidade de ser ou ter no social ( fase adulta)  isso para assumirmos a nós mesmo, mas, onde ficamos presos a esta lógica do poder ter, através do capitalismo, esquecemos sonhos, é o que define o bem estar ou a morte precoce, até chegar a sapiência ou amargura na fase idosa, onde o espiritual cobra seu preço.
Estas quatro fases se dão mais satisfatoriamente se podermos ver e entender que somos biopsicossocioespiritual desde sempre, isso para não ficarmos colados apenas as demandas do corpo. Somos mais que isso. Pois, se  ficamos apenas pensando no alimenta, seja do básico comer, como  beber, ouvir, olhar, falar, sexo etc viveremos, na vida , viciosamente. 
No corporal (biológico), não perceberemos nada evolutivo nos nossos autistas, que tem outras formas de lidar através de seu biopsicossocioespirtual com suas quatro fases de vida. Especulo que eles negam,sobretudo, essa forma limitada  de se relacionar com esse mundo ( apenas com o corpo), especialmente por ser cômodo não se afetar, por o discriminar e o colocar como doente. Não é em vão que eles não querem ouvir, se não querem e tem aparelho fonador intacto,pode falar, mas para que assumir compromisso com este mundo cheio de contradições? Eu sei, o quanto que sofro, por saber sentir o mundo que me circunda, imerso em suas dores e vícios para calar seus sofrimentos.
Onde a educação, não ensina para o bem estar e o trabalho, enfim, é a maior prova disso.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

REFLEXÃO FINAL, CRÍTICA FINAL, AO LIVRO O DESENVOLVIMENTO DO AUTISMO - O QUE SE GANHA EM SER FALTANTE?

Enfim chegamos a outro fim de ciclo, desta feita, a crítica a obra do Thomas L. Whitman.
E a termino dizendo que na falta expressarmos traços da personalidade, da qual do corpo denuncia, através da inibição, esta com seus sinais de evolução, isso quando desta zona de conforto que se esconde o inibido, se permite ser pertubado, desta defesa que o mantém onde se sente seguro, mas que na realidade o faz sofrer, a cada situação que se sente desamparado; isso ocorre quando ele não se permite deparar consigo mesmo e, fica vivendo na na falsa sensação de bem estar, geralmente mascarando-se, e, sendo assaltado no corpo, pelas marcas da mentira de não ser diferente, impotente, carente e fruto de um vazio que o paralisa, inibe e onde impera o medo.
Todavia, conhecendo o que é possível de nossas falta, nos fortalecermos, para sermos mais verdadeiros em uma vida harmoniosa  através da paciência  homeostática, ou seja, acalmando nossos desejos que nos ensinaram, descobriremos que quase sempre desejamos o desejo do outro, daquele que nos quer desejosos de único prazer a se realizar infinitamente: o poder ter. Ter que ser, porém, lembro que sempre afirmo, que nada somos, apenas estamos. Somos sempre um ser vir-a-ser. Estamos em busca de evolução ou apenas, morremos, mesmo vivos.
Esta é a perene guerra entre o amor e o poder, que hoje se traduz no desejo capitalista,  onde desejamos tudo e não adiamos o desejo de gozar, de realizar todos os prazeres imediatamente.
Por isso, devido ao gozo que nasce desde o olhar, vivemos em um desamparo permanente, no suposto poder  da observação, somos todos um Voyer universal, desejamos cobrir nosso vazio com o consumismo.
Então se não vivermos desmentindo permanente   a mentira em nós, aquela que nos induz ao suposto poder ter, contribuímos e, nem percebemos, que discriminamos nossos filhos porque eles assumem, através do espectro, serem diferentes ao extremo que podem ser. 
Digo isso, posso ser mal interpretado, mas tento esclarecer. É que se desejamos ter, enquanto a pessoa com autismo, possivelmente, não terá a mesma gana nossa de  mais possuir, os colocamos como impotentes por não desejar  ter e, em maior grau, não poder consumir os mesmos gostos nossos e, estarem em outro nível de necessidade que nós, livres dessa corrida pelo poder ter. Chega-se até a pensar que eles ficarão desamparados sem nós, talvez um desejo de nos eternizarmos, através da necessidade deles.
Não sei se me fiz entender, mas é que não observamos que impomos ao outro nossa modo peculiar de vida, para não sentirmo-nos sós. Precisamos sentirmos parte, aceitos para não entrarmos em parafusos porque não precisamos ser lembrados que somos únicos e, possivelmente sós.
 E mais complexo é entender que estamos em tempos do Gozo excessivo e, isso, especulo, invade tão ferozmente a pessoa com autismo, que ela tenda a não desejar e se permitir ao convívio invasor do nosso desejo que ele seja igual a nós. Não é em vão que elas preferem ata-se as suas mães que realizam seus desejos, como bons alunos fazem até birras para obterem prazer a todo custo, pois sabe, que para que a mãe também goze aliviada, ela fará para parar a birra  birra dele. Claro, caso a caso, mas quando os filhotes aprendem a dinâmica afetiva da família se utilizam disso, no que chamamos ganhos secundários, ou seja, ganhos dentro de um sofrimento.
Existe uma linha da raciocínio, machista a bem da verdade, mas que tem algo que denuncia o desamparo que a criança vive, que é o declínio do paternal e ascensão  do feminino, pois o homem é , nessa sociedade, adestrado a conquistar, tal adestramento que estão sendo modeladas também as mulheres, nesse contextos, os filhos cada vez mais são deixados ensimesmados. E nessa vertente, fala-se de uma sociedade cada vez mais autística. Onde não tem tempo para formar filhos e os que não seguem os ritos desta sociedade, não rotulados e levados aos remédios para se permitirem comandar.
Assim, concluo, que é nessa sociedade, mais que nunca, precisamos aprender a sermos faltantes, pois estamos a caminho dessa sociedade autística, pode até ser. Mas enquanto não, podemos tirar lições disso, em aceitar nossas diferenças e sabermos que cada um pode, ao seu tempo, aprender a estar nesse mundo de maneira satisfatoriamente segura, sem o outro impondo seu desejo e abrindo portas para o adoecimento do diferente. E, também pode ter uma ação produtiva da maneira peculiar que lhes for necessário, a cada um, pois o mundo não pode pensar que meu direito termina quando começa o seu, nossos direitos são iguais, então tem que conviverem juntos, mesmos sendo totalmente diferentes.
Digo isso, pensando, se certas pessoas em seus autismos aprendem a tirar soluções e, até manipulando, as mães, pais e familiares, mesmo que quase todos distantes, por não saberem lidar com o diferente, porque subestimar a elas, pensando que na nossa ausência não encontrarão maneiras de satisfazer-se e viver de maneira harmônica e feliz?
Então vençamos o medo do diferente em nós e vivamos a diversidade e não deixemos que certas inibições virem-se contra nós, mas sim, as usemos para nos libertar e não nos bitolar através do império da farmacotécnica, usada sem crítica e sem desejo.


A MORTE PEDE CARONA: ADULTOCENTRISMO E INFANTICÍDIO, NÃO SÓ SOFRIDOS PELAS PESSOAS NO TRAÇO AUTÍSTICO

Repensando sobre tudo que contribuem para a despersonificação de cada ser, penso que a partir da impossibilidade de alguns entre os ad...