quinta-feira, 21 de abril de 2016

A não liberdade da mulher, contribui para a indignidade da pessoa noTEA

Dificilmente podemos prognosticar onde leva o caminho das atuais gerações, sobretudo no tocante as relações humanas. No tocante, ao fim da antiga lógica da função do pai, onde creio, criarmos o que chamo de paternagem, pois com a ampliação do acesso aos meios de produção à mulher, essa inovação se fará indispensável.
Pois, se o machismo levou a várias violações, tanto que hoje no Brasil foi instituído pela Presidenta, a lei do Feminicídio, imagino que ante a ampliação de jornadas às mulheres, elas além de serem filhas das violências mil ao longo da história da humanidade, elas de “prisioneiras domiciliares”, agora também, estão “escravas” ao mercado de trabalho, “prisioneiras em meio semi-aberto”. Em suma, são punidas por serem vítimas e agora cumprem pena mais severa, e,por isso, não sabemos que resultará deste contexto.
Sei que há séculos crianças são, depois das mulheres, mais violadas no seio familiar; adolescentes e jovens são mortos e ou abusados, com saldo contemporâneo de vítimas mais que as duas grandes guerras. E, dos que sobrevivem, muitos acabam retroalimentando o que aprenderam como meio socializador, em uma sociedade neocapitalista morrem subjetivamente, em um individualismo narcisista hedônico insaciável. Sonham alienações televisivas e se relacionam artificialmente nas redes assustados com contato humano como em uma histeria coletiva, a caminho de uma sociedade “autística”, mas em doentia auto exclusão.
Neste sentido, não sei se ainda cabe “a desconstrução da grande narrativa do homem branco, moderno e ocidental”(1), porque penso criticamente que os movimentos ideológicos parecem ilhados, como se pudessem ignorar que estamos falando de relações desigual de poder que está sim, baseado na lógica hierárquica e, crer que apenas as mulheres são vítimas, parece um reducionismo. Todas as ideologias são necessárias mais não como “autisticamente” aleias à cada momento histórico.
Afianço a necessidade da união de todos os excluídos em prol ao acesso a todos aos bens conquistados socialmente e de maneira equânime, pois quando fechados a uma causa excluímos outras.
Como, sou ativista em Direitos Humanos, e milito em bandeiras como a da pessoa no Espectro do Autismo, sinto que a unanimidade pode ser excludente. O espectro abençoa com sintomas a todos sem distinção de raça, etnia, crença, gênero, geração e renda.
Neste sentido, precisamos pensar mobilizações de excluídos onde o discurso único destes ressoe acesso a direitos não exclusivos e sim coletivos. Pois comungo de uma ciência política crítica e historicamente que estuda a subjetividade em e com a coletividade: “urge, portanto, que os psicólogos sociais contribuam para a construção de identidades pessoais, coletivas e históricas capazes de romper a situação de alienação das maiorias populares oprimidas e desumanizadas que vivem à margem da sociedade dominante e, consequentemente, levar à mudança social.”(2)
 Assim portanto, não se fala de saúde, por exemplo, sem o bem estar físico, mental e social, ao qual incluo o espiritual. E isso não se concebe sem contextualizar“(...)Trata-se, assim, de desenvolver um saber psicológico historicamente construído que se mostre capaz de compreender e contribuir para sanar os problemas que atingem as maiorias populares e oprimidas. Para ele (Martin-Baró, 1989), então, a construção teórica em psicologia social deve emergir dos problemas e conflitos vivenciados pelo povo latino-americano, de forma contextualizada com sua história”.(2) 
Neste sentido fica evidente que as mulheres que agora “prisioneiras em meio semi-aberto” do sistema neoliberal, pouco terão, como os homens que foram apolíticos, meios de efetivar ganhos reais socialmente, se continuarem alienadas aos supostos ganhos capitalistas?
No caso das mães de pessoas no espectro do autismo isso é tão evidentes que muitas que conseguem vencer as amaras do preconceito transformados em armas a partir da discriminação de ser mãe de alguém TEA, culpabalizam-se ante o Transtorno e seu estigma; ficam perdidas nos sintomas do Espectro de tantas contradições e negociatas farmacotécnicas de “a-profissionais” em suas éticas questionáveis; pois, o Autismo, o pequeno traço que o filho possa ter, precariamente se encaixa nos sintomas adestrados por uma medicina pouco preventiva, proibindo as mães, de fato, acessarem um caminho terapêutico que inclua de fato, a pessoa do filho.
Neste sentido, as pessoas no espectro, tornam-se com alguns falam, o sintoma dos dilemas sócio familiares dos discursos adultocentricos, antrocentricos, eurocêntricos (...) enfim, de homens e mulheres esteticamente seguindo modelos que não respeitosos as nossas reais características, hoje, americanizados, pois nos tornamos, ideologicamente, colônia, quintal do país ianque. E nossa medicina excludente provém dessa ideologia.
Nesse sentido não se tem razão uma pessoa no espectro e sua família lutarem isoladas visto que nessas pessoas fica nítida a dependência a suas mães, sobretudo, essas sobrecarregadas não têm meios de lutar, seja pela demanda do TEA ou a diversas jornadas. Especialmente porque muitas delas são as únicas provedoras e, pois, muitas são abandonas por homens fracos em suas condições machistas.
Portanto, as vítimas que coletivamente se levantem e se empoderem, ou seja, façam do conhecimento armas de poder articulador de atos inclusivos de direitos a dignidade à pessoa no espectro e qualidade de vida a todas os excluídos, que afinal, alcançando-se conquistas beneficiaram a tod@s.
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1. João Manuel de Oliveira Centro de Investigação e de Intervenção Social Lígia Amâncio Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, 
 Teorias feministas e representações sociais:  desafios dos conhecimentos situados para a para a psicologia social;
2. Psicologia: Teoria e Pesquisa 2010, Vol. 26 n. especial, pp. 51-64. A Psicologia Social Contemporânea: Principais Tendências e Perspectivas Nacionais e Internacionais Maria Cristina Ferreira;Universidade Salgado de Oliveira














domingo, 3 de abril de 2016

PATERNAGEM ( DE TANTO AMAR) O SER ÚNICO QUE HÁ EM CADA UM!

De fato, o paternal é o ser mais evoluído de todos os tempos, pois humildemente é aquele que foi alvo de um suposto poder em si mesmo sobre os outros e a natureza,  abdica dessa mentira e assume que nada sabe e estar aberto, através do amor, a aprender a aprender,   tentando parafrasear Morin.
O homem que decide ser paterno, passa de genitor (o que gera), vai além do pai (que mantém socioeconomicamente) e chega à paternidade, que não contente em apenas dividir as demandas com a companheira, consciente exercitará o cuidar, a paternagem, que cuida pelo menos de duas pessoas: a mulher, que geralmente, mesmo que é de fato mais forte, é historicamente tolhida por tudo e todos; e pode cuidar do filho que de acordo com a criação executará o desejos de seus genitores. 
Mas Atualmente,é a mulher que sustenta imponente a logica dessa sociedade, basta ver quantas jornadas elas têm, hoje além de manter todas as demandas da casa, dos filho e do companheiro, tem que trabalhar, além de cuidar de si mesma; é neste contexto, mesmo que quase impossível, que se  pode desenvolver a paternagem, pois a sociedade está se destruindo e não sabemos qual seu destino sem o real amor.
Esse desenvolvimento vai de filhote macho,  ao evoluir do homem, genitor, pai, paterno e, enfim chegar à paternagem, o que carece de um auto conhecimento. Isso em ter consciência e assumir que igualmente a todo ser humano sofre, padece dor e precisa de cuidado. Todavia, muitos sabem disso mas não aceitam, outros sofrem e desconhecem e, muitos, agridem e nem percebem, por estarem sofrendo, assemelhando tal qual animal acuado ataca para se proteger. A maioria  vive na defensiva.
Aquele que se abre a paternagem se verá como ilhado, a princípio, pelo menos, devido a dor de conviver, ao se auto responsabilizar pela forma que nos tratam; pois ser humilde a partir do perdão e aprender a amar verdadeiramente como o outro é e não como nós desejamos, em suma, porque os três (genitores e o a pessoa no TEA), desenvolvem uma forma padecedora de lidar com as diferenças entre si, onde o TEA vira apenas um sintoma do adoecimento dos três, nisso com certeza, o filho no TEA é o mais, se não único sadio, deste contexto.
Por outro lado na paternagem, aceitando-se ilhado, poderá através da humildade, facilitar o diálogo baseado no perdão e para além precária forma de amar. Esse diálogo será o caminho de saída da defensiva, em se aceitar como errante, mas que era querendo acertar.
Neste processo havermos de perceber três variáveis antropologicamente construídas.
Uma, é aquela que, em um processo inconsciente ou não, a imagem do homem, é imagem da autoridade e este é alvo, direta ou indiretamente, de nossos rancores advinda deste poder por quase sempre ser atuado de forma arbitrária e impeditiva de prazer estremo. Lembremos que desde cedo, o menino tudo pode, enquanto ela quase nada, apenas ser alvo.
A outra variável é que diante de todas mulher lidamos com as frustrações de origens, também inconscientes, ora desamparos devido que ela nunca nos protegerá de tudo; sentimento de preterido, porque ela um dia busca prazer para além de nós etc., são diversos exemplos, mas quase todos as colocam com alvo de nossas dores.
E a maior, no meu ver, variável é a necessidade de sermos nós mesmos, psicologicamente, que temos que matar os pais idealizados (perfeitos) ( perfeição,  das variáveis anteriores por exemplo), isso é o parricídio e o um auto infanticídio, ou seja, matar os resquícios dos desejos de nossos pais em nós, caso contrário, sobretudo, no infanticídio, ficamos presos querendo agradecer ao desejos infindos dos outros, substitutos de nossos pais. Isso fica evidente em casos que nos surpreendemos quando vemos que nossas mulheres parecem ou são o extremo contrário de nossas mães e, no caso das mulheres os pais delas. Mas não é regra tem homens que são preso ao desejo do pai e mulheres ao da mãe. E até a ambos. Cada caso, em si com suas complexidades.
Enfim, busquei enfatizar o processo do como nasce o filho no filhote, para esse fazer nascer o homem, como ser consciente e humildemente na impotência da condição humana e não arrogante de não aceitar os pais como errantes. Caso não assumimos o parricídio achamos que eles são heróis e nós iguais, nos achamos prontos, o que impede nossa permanente evolução.

Mas se aceitarmos os limites deles, os nossos serão meios para buscarmos melhorias perenemente e caminhar para uma postura mais assertiva ante nossos sonhos, desejos e projetos baseados no no caminho que eles levam ou não, no amor se for de modo mais divino, o modo de viver. Pois, como mentem o amar é muita sacrificial, quando guiados pelos sonhos
 Mas, viver é a condição humana através de amar incondicionalmente e a todos em suas formas únicas de ser e estar em evolução. Amar é uma liberdade biopsicossocioespiritual.

sábado, 2 de abril de 2016

O MUNDO DEVERIA APRENDER UM MELHOR MODO DE AUTISTA SER ( POESIAS)

AUTISTA QUE NOS ENSINA O QUE MELHOR SER
Amanhã não é viver
Ontem também não será
O hoje até pode ser
Mas não tão belo quanto agora
Quanto d'Olhar Azul sonhar.
A sombra mais suave
Lá fora o sol a brilhar
Pássaros a cantar
Mas nada é mais belo que o sorrir
De anjo azul a brincar.
Dia ou noite
Ele sozinho a amar
Eu atenta ao seus singelos
Tempos
Na sua paz a se eternizar.
Nada é tão suave que seu querer
Tão sincero quanto o seu amar
Tão claro quando sua sede de viver
Porém digno é seu desejar.
Não a dor
Desamparo
Frieza ou morrer
Tudo é a mais pura essência
No seu modo de viver.
Que guiamos cada pessoa Autista
A seu melhor em nosso querer
Para ele melhor ser?
Não eles nos ensina a bem viver
Nos mostram evitar o sofrer
Eles são canais emocionais
Nos mostram como florescer
Que galhos deixar crescer
Que caule se fortalecer
De que líquidos pelas raízes beber
Que semente
Pura germinar para
O verdadeira essência ser.
Humildade sem correr
Sinceridade sem o sonho perder
Amar sem sofrer
Singeleza de viver
Simplicidade ter
Eis o desejo de cada uma pessoa TEA
Carrega e alimenta em nosso ser.

OLHAR AZUL, FORMA ÚNICA DE SER, TÃO INTENSO COM A COR DO MAR

Poeta, não aceito mais sofrer
Vim cantar o AZUL da COR do MAR e do bem querer
Louvar o amor de cada Pessoa Azul que aprendi 
Na beleza de em tudo de seu sorrir.
Tem o belo e verdadeiro amar
Na diferença brindar
Pois todos desejos são só estranhos antes de aflorar!
Mas aos realizar todos neles querem se cortejar.
Realizando-me eno meu estranhar
Dos que dizem defeitos meus
Fazendo cativeiros os sonhos
Em bando voando cantando o azul sublime do meu eu
Saber da dor poeta, só mãe, que amou primeiro meu único eu
Todo coração corre sangue vermelho tanto meu quanto seu
Diferente é o desespero de quem não assume o seu
Modo único de pulsar, mas em muitas amor não morreu.
Pois em cada autista a mentira social não o corrompeu
Sua pureza não se perdeu
A paz preciosidade, na realidade, tudo se verteu
Pois a liberdade em tudo nela se deu.
Cada pessoa no TEA nos ensina a viver
Na mais bela forma benevolente do não ter
Nega a simplicidade de apenas ser
E humildemente estar sendo o que é o melhor no viver:
Cada molécula respirada
Lapidar o ser
Humano sonhar sem dormi
Realizar paz aqui agora e no povir.
De forma a amar o bem estar para mim e para ti
Assumindo o único que há em cada si
Apoiando a diferença que está em mim
Vivendo a pessoa azul dele que verte ao mundo enfim.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Psicanálise Religião do Pai


Se a Psicanálise se fez como uma religião do pai, creio que se realizou através do pai morto, metaforicamente ou inconscientemente, pois Ela traz como base o pai morto em Édipo e o não sacrifício de Isaque, em ambos, o desejo e vida do filho em detrimento do parricídio e castração do pai, respectivamente.
Na mitologia grega, Édipo ao cruzar com o pai o mata e desposa a própria mãe, e ao saber  arranca-se os olhos; na ética judaica, Abraão é levado a ofertar o filho. Nisso lhe é negando seu desejo três vezes, de ter filho com idade avançada, de ter que sacrificar e de não o fazer.
Não é em vão que a Religião do pai, na época de Freud, hoje a psicanálise estuda o filho. (...) “As famílias de hoje se definem mais com base na criança do que no pater famílias”(1).
O filho não castrado em seus desejos tem sido constante na sociedade atual. A pós modernidade tem ofertado suposto gozo desmedido. “Freud propõe a imagem da satisfação do lactante saciado que adormece no seio para ilustrar o que se repetirá mais após a experiência do orgasmo”. (2)Como se reproduzindo esta satisfação.
Este gozo psíquico funciona como carrasco, a pulsão de morte, ao seio da mãe estendendo o acesso ao todo corpo, o objeto de desejo da mãe, como Édipo que após o incesto vai ao deserto após extirpar os glóbulos oculares.  No caso atual, temos a atual geração livre ao gozo estremado, adormecido entre tantas formas de entorpecentes, crente que sempre terá a mãe para saciá-lo, autistica (mente).
Neste contexto, o desejo da mãe, desvairadamente é satisfazer essa pulsão de morte dela e do filho, e obrigada pela sociedade que a condena. Essa é a demanda do pai. A moral, a responsabilidade da mulher hoje é ter diversas jornadas, enquanto o pai morto, segue sua saga necessitando se ressuscitar. Mas nisso, muitos se revestem de um machismo violento, tentando viver, através de vícios mil, máscaras de mortes pequenas.
Ante a isto, fica nítido que nunca se foi tão gritante a necessidade do Édipo pai não temer o oráculo que anuncia a tragédia e, enfrentar sua  necessidade do amor e humildemente entender que todo este sistema o faz de apenas peça de desejos alheios. É preciso reconquistar o sonho de ser pai, para não ser apenas genitor e chegar a paternidade libertadora onde nossos pais falharam.
Lacan, anuncia em Freud  que (inconscientemente), “ A lei freudiana, a do Édipo, era correlata ao amor pelo pai (...) lei do amor, isto pai versão” (1). Entendo esse conceito de pai versão, a do macho  (apenas gera)  vencendo seus instintos de filho ( como neste século de gozos ilimitados), não se contento de ser aquele que apenas mantém, provém (pai), evolui a paternagem aquele que cuida em favorecer o filho através de reflexão dos caminhos do desejos dele, guiando-o quanto as consequências do destino traçado por ambos

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1. Sophie,Gayard.: Pais Versões, in Scilecet, O corpo Falante – Sobre o inconsciente no sécuo XXI, Escola Brasileira de Psicanálise, Rio de Janeiro, 2016;
2. Béraud,Anne.: Orgasmo, in Scilecet, O corpo Falante – Sobre o inconsciente no sécuo XXI, Escola Brasileira de Psicanálise, Rio de Janeiro, 2016



quinta-feira, 10 de março de 2016

EM NOME DO PAI

Em tempos que a ordem e lei está sendo destronados por uma ética individualista, faz-se necessário pensar sobre a função paterna. O individualismo é, para mim, expressão gritante das satisfações mais desumanizantes. A isso, Lacan, poeticamente, diz “(...) o sujeito alucina seu mundo. As satisfações ilusórias do sujeito são evidentemente de ordem diversa das satisfações que encontram seu objeto no real puro e simples. Nunca um sintoma aplacou a fome ou a sede de forma duradoura, sem a absorção de alimentos que as satisfaçam”. (1).
No Em Nome do Pai, o freudiano amplia que “elementos de comportamento instintivo deslocado no animal são suscetíveis de nos fortalecer o esboço de um comportamento simbólico. O que, no animal, denominamos um comportamento simbólico é o fato de um segmento deslocado assumir um valor socializado e servir ao grupo animal como referência para certo comportamento coletivo” (1). Essa coletividade melhor acontece através da paternagem, ela  gera um verme da sociabilidade ao filho. Isso se dá quando o pai proíbe ao filho de prazer extremo do corpo da mãe, assim o filhote pode perceber sua existência para além do corpo dela e, portanto, tem que lutar pela sua, ainda, sobrevivência, visto que só se viverá, quando este torna-se livre, metaforicamente, parricida. Neste sentido temos em Lacan “O eu é isso em que o sujeito só pode reconhecer incialmente alienando-se” (1). Esse é o filho.
Por sua vez, o pai, Freud, fala “O pai primordial é anterior (...) ao surgimento da lei(...) da cultura”(1), ele introduz tanto a lei e a cultura ( como poder que liberta) ao filho, poder horizontal em cada núcleo familiar. Seguindo esse princípio, basta dizer que o nome do pai nasce da mitologia hebraica, a de Abraão e infanticídio sobre Isaque. É o fim do genitor (na fala de Freud o pai perverso), surge o pai, e disso provoco, o  paterno cuidador e harmonizador junto à maternagem.
Quero dizer que, o  homem sem direito ao infanticídio, surge a possiblidade de nova regra de uma lei democrática participativa. Onde o poder não é desigual e, sim harmônica. Assim, o dom de gerar filhos é dado ao humano, a morte Deus retém a si. Então o filho pode definir, quando livre, seu destino, salvo sejam os pais, também, livres, ou seja materna e paterno.
Em seu artigo Pai-Versão, alcunha de Lacan, Sophie Gayard, afirma que “Estilhaçados, recompostas, monoparentais (...) as famílias de hoje se definem mais com base na criança do que no pater família que por muito delas definiu o estatuto”(2). Lacan, traz em sua noção de Pai-Versão, o pai morto, do mito edipiano. Aquele, onde o filho inconscientemente mata o pai e casa-se com a mãe. Aqui incluído a metáfora do parricídio, que entendo como a negativa do pai de poder sobre o corpo do filho, uma negação a morte do desejo do filho, pelo contrário permissão para que ele deseje e faça seu destino. Pois, ambas metáforas, falam da morte (necessária) do sonho do filho idealizados pelos pais.
Falei que o pai introduz o filho ao mundo através da lei e da cultura, vejamos como quanto temos que os ajudar. Em Corpo da Criança, Neus Garboneu, diz que “A chegada ao mundo implica que os efeitos da linguagem no organismo o transformem em corpo. É dessa maneira o bebê deve chegar a conquistar seu corpo(...) E deve fazê-lo precocemente” (...) a impotência motora da criança será a chave para conceber o peso (...) na formação do eu(2A). Esse peso, em diversos casos de filhos, como pessoas com TEA, é mais duradoura e esse eu fica menos visível a olhos não treinados. Garbonel, faz-me lembrar que crianças típicas jubilam com sua imagem refletida, ao tempo que a criança com TEA, isso, possivelmente, não ocorrerá tão facilmente assim. E esse jubilar ajuda a montar a consciência do seu corpo, que para Lacan é imaginário. E, isto, junto ao fato do objeto transacional pensado por Winnicott, que são objetos que ensinam a criança a se libertar da ausência do corpo da mãe. Tal fenômeno é mais complexo para a pessoa com TEA. Este parágrafo foi dirigido ao pai, o que pode se permitir às metáforas do parricídio e do infanticídio, especialmente se vosso filho estiver dentro do espectro.
E, assim podemos citar enfim, Alba Flesler, em sua obra A Psicanálise de Crianças e o Lugar dos Pais, onde ela diz que a criança só existirá a partir da mãe, através mediado com o paternal como a lei. E quando essa função falha, abre-se para morte, um vazio orientador, aqui basicamente se instala o infanticídio.
Assim, concluímos que a paternagem nasce da morte do macho que apenas procria, evolui ao pai apenas provedor, até chegar no paternal, favorecedor do amor, da liberdade da criança, capacitando-a a escrever seu destino.
Para isso, nega-se o poder matar os sonhos e, também, de ser dono da verdade. Nasce  humildemente a possibilidade para o que Winnicott, chama com a Mãe Suficiente Boa, aquela que não castra os sonhos do filho, mas sonham os três juntos. Pois, pode ela, assim, não precisar ser muito defensiva para proteger o filhote o sufocando, nem tão pouco o abandonará, o negando, por ela também estar só e, pelo contrário, os três serem um só.
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1.        Em Nome do Pai , JAQUES LACAN 1901-1981. Ed. Zahar, Rio de Janeiro 2005;
2.    Pai-Versão,  SOPHIE GAYARD. SCILICET O Corpo Falante, sobre o inconsciente no século XXI, X Congresso da Associação Mundial de Psicanálise, Rio de Janeiro, 2016 ;
2A.    Corpo da Criança, NEUS GARBONEU. SCILICET O Corpo Falante, sobre o inconsciente no século XXI, X Congresso da Associação Mundial de Psicanálise, Rio de Janeiro, 2016 ;

3.      A Psicanálise de Crianças e o Lugar dos Pais, ALBA FLESLER,Ed. Zahar,Rio de Janeiro,2007.

segunda-feira, 7 de março de 2016

As relações na rede social, o olhar que não ver a pessoa no TEA

A sociedade que mais enxerga e nada ver, pouco observa, então nunca verá o que estar  para além do que se precisa ser refletido.  Se enxerga então como se diz da pessoa enquadrada no Transtorno do Espectro do Autismo -TEA.
Se essas pessoas, apenas olham de relance, usam os objetos de maneira incomum, usam-nas em parte, não no todo, é porque a parte que não é um todo completo, não o interessa e o deixa em sua forma de usar o mundo, diferente como nós usamos o celular, pouco ou não falamos por ele. Será que também estamos pouco ou não nos relacionamos com as pessoas?
Existe uma tese, a da Gestalt, da soma das partes, que não é o todo. O todo não  é sem estas somadas, para fechar a Gestalt, a imagem a ideia a relação, precisamos  conhecer  as partes para viver o todo.
Penso que como, para psicologia social, somos o que nos diz que somos. E sei da a psicologia do desenvolvimento e da psicanálise, que o mundo onde cada um nasce, já vem pronto e querem que nos adaptemos a ele. Uma dura violência ocorre ai. Então se nos relacionamos em parte e não totalmente, dizem-nos que somos parte e não um todo? E nos relacionamos em parte e cada dia ficamos mais sós?
De alguma forma, sim somos em parte vazios e não nos buscamos nas relações mais profundas, ficamos sós e vazios. Onde, a pessoa íntima nos mostre que estamos sendo e aprendemos ser melhor para nós e para o mundo que nos circunda.
Assim, para ser relacionar a três ( pais e filhos), com a pessoa em o TEA – digo assim em o, no, porque estou me indagando se  o termo “com o TEA” não comunga com uma ação  passiva da pessoa em questão. Ou seria uma parceira, não sei, apenas indago que “em o ou no TEA” tenha algo mais dinâmico e essencialmente, ativo(...) -, enfim, isso me ajuda a refletir que se somos ativos, vivos e não levados a torto e a direito  manipulados como marionetes  dos desejos alheios, podemos ser o que nossos desejos nos direcionar. Como também a pessoa no TEA não é passivo, por mais solilóquio, monólogo, só seja o agir dela.
Entretanto, tudo isso ajuda a entendermos que o nosso desejo é contaminado devido a realidade de sermos os desejos de nossos pais, antes mesmos de nascer. Até que começamos a enxergar de fato e nos constituírmos desejantes para além do que a nossa visão alcança. Mas mesmo ainda assim, dependeremos da cultura contextual que nos toma como presa fácil. Nesse, sentido, só quando fazemos dois processos de assassinatos e mortificação é  que nasceremos, para desejar por nós mesmos.
A  primeira ação violenta nossa é  o parricídio temos  que psicologicamente  mortificar os desejos que ouvimos de nossos  pais em nós. E depois matar o que as culturas deles em nós, seguirá um último,  mas muito necessário, assassinato psíquico, mortificar o nosso corpo como foi concebido até então, um auto infanticídio. Ambos, parricídio  e infanticídio que contextuei, são psicológicos e, portanto, atos de autoconsciência tratadas apenas em trabalho facilitado por um a pessoa treinada a apoiar o desenvolvimento a partir da dor ao amor.
Socializarei tal perspectiva a partir da superficialidade da interação social via as redes sociais. Onde a vida parece menos compromissada, ou ao menos, não há o olhar discriminador do outro. E sim o gozo violento do olhar do outro, onde não se pagar para ver.
Em, “Imagem Virtual” Ennia Favret, citando Lacan, no Seminário “A Angústia”, diz “O que o homem tem diante de si nunca é senão  a imagem  virtual”, parece uma enunciação do desastre do vínculo, das relações intimas o fim do amor. Ela diz,“as inovações  tecnológicas proporcionaram novas realidades virtuais, novas encruzilhadas entre o real e o imaginário”.
São, novas fontes de vida no “Império  do olhar, do gozo e satisfação imediata”. E como um excelente catalizador do prazer, um filho em o TEA, vai tomar  ou tentar ser o alvo de tamanha fonte do prazer, ser alvo dos olhos do outro, o mais importante  olhar,  geralmente da mãe, pois o filho no TEA, aprendo com o pai, que a mulher é alvo de ser conquistada, de ter a atenção dela.
Suponho até que muitos deles são tão perfeccionistas para serem alvo desse gozo escópico, do olhar do outro, que se tornam os melhores em determinado atividade. E assim se excluem, ou são socializados a partir suas habilidades e não por si próprios. Cortejando quase sempre o desejo avassalador, imediato e indesejável de seus pais. Vivem suas habilidades e não a pessoa, que luta desesperadamente negar o TEA que nele estar.
Não faço essas provocações a fim de me odiarem, mas  afim que amem-se como estão  sendo capazes serem, pois gênios  não se fazem de desejos alheios de seus pais (pois todos querem filhos gênios) e, sim de desejos íntimos  de cada filho um apoiados em cada contexto  familiar  Ou outra comunidade íntima. Mas ser ou não, apenas esconde quem realmente quem estamos sendo e, como apenas  queremos  ser acolhidos como de direitos a vida, mesmo sendo, todos de modos diferentes de viver, e a diferença é nossa maior riqueza. Como se diz, “ter direito  a ter direitos” de viver como nós  é  possível.
E não escravos do nosso olhar alienado. País que vivem as vidas alheias na distância fria das redes sociais, seja por medo de não ser aceitos, ou e também, incapacidade de aceitar o que lhe fazem ri ou repudiar, mas misteriosamente desejam, ao menos ver. Enquanto, filhos tem que se tornarem tão hiper(tensos) para ser centro de atenção e não vivem suas prazer.

Hiper tensos porque atos que os ajudavam a equilibrar as angustiantes reações  intraorgânicas  ( expressos em estereotipias), que eram alvo de cuidados e atenção, viram únicos meios  de ter o olhar daqueles que agora é viciado na fuga das redes sociais.  Levando-os a manter maior tempo em comportamento estereotipados para conquistar a atenção do olhar amado.
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Créditos das imanges, Instragram sentimentosdasociedade;

Citações:“Imagem Virtual” Ennia Favret, in: O Corpo Falante: Sobre o conhecimento do inconsciente no século XXI, Associação Mundial de Psicanálise, Rio de Janeiro, 2016


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Autismo, um amor,ao menos entre três!

Temos, antes de falar e trabalhar nossa forma que, aprendemos a cada dia, a acolher e empoderar as pessoas com Transtorno  do Espectro do Autismo -TEA e suas famílias, no ciclo de palestras deste blog estamos, agora, refletindo sobre a qualidade de vida em família.
Neste sentido cabe relembrar que estivemos pensando sobre as mães  das pessoas com TEA. Onde vimos que estas são mais machucadas ora pela demanda sua demanda subjetiva, social e fé tudo acometendo demandas biopsicossocioespirituais quase sempre  necessárias de acolhimento. E por isso, falamos da necessidade  de empoderamento delas primeiro, a partir do resgate dos sonhos, projetos e desejos adiados a partir  do surgimento  do TEA.
Basicamente estamos ainda tratando da qualidade de vida delas e, para isso, estamos  conclamando a família, a partir dos companheiros/as dessas mães. E neste sentido, pensamos  que na demanda do TEA, faz-se necessário ao menos um terceiro no contexto. Não necessariamente um pai, porém, ideal que seja ao menos quem assuma a função paterna, mas sabemos, que esse papel não  é  prerrogativa masculina. Como a maternagem não  é  exclusividade  das mulheres, sao funções socioculturais  adaptadas  a cada momento da história. Quero dizer que a cada contextos, quem assume tais funções pode e deve  ser trabalhado quanto a sua atuação.
Mas algo  básico é  ter noção  que as mulheres, ou quem assume a função  materna, parece que atua baseda no afeto e isso  é  excelente, todavia, no cotidiano atual, geralmente quem assume tal papel pouco  tempo tem para refletir sobre sua atuação e, assim, faz-se indispensável um terceiro que a ajude  a se separar do filhote  para que este saiba que ele mesmo exista.
Quero dizer que para que em determinados contextos se percebe que uma mãe suficiente boa é  aquela que aprende a equilibrar sua ação de cuidar e favorecer autonomia ao filho. Todavia, o atual contexto onde as demandas socioeconômicas levam a mulheres ao mercado de trabalho, serve para refletir sobre  uma geração jogada a si mesma. No caso da Pessoa com TEA, facilmente , o inverso pode acontecer, ou ainda, o misto disto, porém  tudo, contamina e distorce a percepção  do atuar adequadamente na maternagem, trazendo diversas formas de sentimentos a quem a assume, quase sempre, com misto ou exclusivo sofrimento.
Na percepção  do filho com TEA, de acordo  com cada contexto, contribui para ele mais e mais ser atado ou até  dependente  de quem atua na  maternagem dele. Há teóricos e profissionais  que falam em simbiose. Ou seja, o filho que não diferencia de sua mãe. Então, uma longa  caminhada  para trazer contextos  mais libertarios  dessas pessoas em tais forma de maternagem.
Nesse libertação a pessoa que atua na função  paterna tem sua importância em apresentar  a sociedade para o filho. Ou seja, ao amorosamente apresentar ao filho a existência  de um outro desejante. Quem atua na função  paterna, apresenta  ao filho  existência deste para  além  da pessoa da maternagem.  Em suma,  regula  o desejo da criança ou da pessoa com TEA e assim o força a buscar realizar seus desejos, abertura para educar e socializar.
Todavia, esse é  um trabalho  fundamental no contexto  de família  com pessoa com TEA. Existir traz a independência da pessoa a caminho da autonomia. Esse processo, creio que a todas as pessoas com TEA, em diversos graus. Cada um precisará ser trabalhado.
Então, libertando a pessoa com TEA, tem-se de volta para a pessoa que quem assume a função  paterna, o amor  idealizado e a continuidade  dos sonhos  do casal  adiados  com o surgimento do TEA, ou a adaptação deles com o novo contexto, agora a três.
Emfim, nesta quarta palestra é  esse contexto  que iremos  refletir e contribuir para a dignidade  da pessoa  com TEA, qualidade  de vida das mulheres e amor aos homens que se dispensam a pensar sobre si como pai e melhorar sua paternagem. Portanto, semear uma cultura de paz, através  da diversidade dos núcleos familiares.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Acolher a família de uma pessoa autista? Aprender com a mãe dela!

Antes de prosseguir com algumas falas quanto o TEA, fui provocadoa trazer algumas citações com base na ciência psicológica, onde ancoro as ideias. E aproveitarei então para provocar a todos que me leem a sair da zona de conforto do descompromisso com as causas das desigualdades e destas as diversas formas de discriminação.
E àqueles que têm convívio com uma pessoa com TEA, essa luta se faz indo além de onde os sintomas  ocorrem e não baixar a cabeça para os discriminadores e mostrar que o estranho é quem não reconhece sua própria diferença.
Digo isso porque, sabe-se que os vícios  cristalizam-se, isso através dos comportamentos supostamente sociáveis, todos nós escondemos as nossas almas onde encontra-se estampados nossos vícios. E isso apreendemos se esconder por medos aprendidos  nas relações  familiares. 
Daí, sem querer, nasce desses  medos o preconceito que evolui para a discriminação. Esse processo pode ser melhor entendida como um "O processo de ancoragem se caracteriza pelo encaixe do desconhecido em categorias pré-existente"(1). Este desconhecimento pode se dar pelo menos por duas vertentes, por inacesso (ignorância) ou por por interesses bem pesado e medido. Por exemplo, enquanto  eu busco na ciência psicológica  fincar minhas ideias, alguns desinformados,alimentam-se nos desencontros da mídia  alienante, mas ambos são, ancoragem. E, também  nos dois exemplos, pode-se ter êxitos e descaminhos.
"A ancoragem é sinônimo de classificação e denominação. Ela está do lado da categorização do desconhecido que se torna familiar". Mas tudo depende do que se objetiva, "a objetivação se fundamenta na construção de imagens naturalizadas que tomam o lugar do desconhecido e assim o explicam (...)", no meu caso, pesquiso em psicologia baseando-se na objetivacão pois seu  "uso buscava conscientizar os sujeitos que são acometidos por representações sociais (RS) a serviço de forças ideológicas hegemônicas".(1)
 Aqui cabe sinalizar  que "as RS e a ideologia diferem se pensarmos que as RS são dinâmicas, relacionadas com a transformação, e a ideologia é estática, e, segunda, e mais interessante, as RS e a ideologia se assemelham, pois ambas são formas simbólicas. No entanto, a ideologia se caracteriza por ser uma forma simbólica a serviço de relações de dominação, logo, nem toda RS é ideológica, mas devemos verificar se ela fundamenta ou não uma relação de dominação (Guareschi, 2004). Os psicólogos sociais latino-americanos se debruçaram, em muito dos casos, nas representações sociais com o intuito de apontar o seu caráter ideológico." (1)
 Por sua vez "O materialismo histórico-dialético usado pelos psicólogos sócio-históricos, por outro lado, produzia uma visão comprometida com a realidade da população, já que defendiam o resgate da historicidade e a produção de conhecimento comprometido com a transformação social. Este é o compromisso aqui pretendido  por mim.
Assim,  como Guareschi, vejo "O homem é histórico e suas relações o constroem. Ele é produto e produtor da História. No entanto, sem o pensamento crítico, ele deixa de lado sua potencialidade de criador de sua própria história e reproduz as palavras hegemônicas regidas pelas ideologias dominantes".(1)
Aqui pesa duas variáveis. Uma, que as forma de vivida em cada história por famílias de pessoas com TEA,  fazem suas história e, outras tem sua historia escrita por uma ideologia mercadológica capitalista. Nesta última, o compromisso não  é  libertar as pessoas com TEA partir  da história  dessas pessoas  em seus limites de desabilitados (como sinaliza a Organização Mundial da Saúde - OMS, da Organização  das Nações  Unidas - ONU) e sim, os deixar apenas deficientes, como traduziu o Sistema Único  de Saúde -SUS a partir  da convenção  dos direitos  das pessoas com "deficiências" e ainda pouco evoluiu para vê-las como desabilitadas. Parece-me o SUA preso a ideológica consumista.
Digo isso por que "A compreensão da ideologia como dominação aponta o entendimento de uma psicologia social crítica que tende ao compromisso social e à conscientização. Assim, sua maior preocupação não está em formular leis gerais sobre o comportamento social, mas sim, no entendimento das relações de dominação ideológicas e de sua possível saída, através da conscientização. (1)".  Então, lembro que o que interessa  ao capitalista  é  vender, no cado do TEA vender supostas curas farmacológicas ou de terapêuticas descontextualizadas, são  formas de ciência  que não valorizam , por motivos  capitalistas, as RS das mães  de cada autistas, não porque cada uma delas é  poder do senso comum e sim porque com elas estão  também a solução particular má dinâmica  junto ao TEA e não  nos laboratórios ou consultórios. É  uma questão  de poder.
Todavia,  as RS construídas  Por essas mães, que são  psicólogas  24 horas, como uma delas fala, contribuem para eu elencar milhares de razões  para  pensar uma ciência  comprometida com as verdades dessas mães. Pois contrário  a isso estaria eu concordando  com que segue, a fala de Bauman.
"Bauman ao analisar a ética da modernidade. Para ele, o Holocausto nazista nada mais foi que uma consequência coerente da modernidade.  É conhecida a comparação que Bauman faz ao descrever esses procedimentos “científicos”: o mundo  deveria ser como um jardim todo alinhado, organizado e limpo.Tudo o que fosse desordem, ervas daninhas, deveria ir para a fogueira. E a ética que governava esse empreendimento (aqui a questão) era a eficiência, o rigor científico, o funcionamento prático e útil.(...) se não funciona é “ruim”. Um tipo de pragmatismo e o cientificismo de mãos dadas. "(2)
E, pior estaria ratificando  o que citou Bauman, para a prosperidade, pois eu estaria tratando  o conhecimento de cada mãe  como o irracionalismo denunciado por Moscovici "Procurando dar um exemplo de como uma ciência pode se tornar reducionista e servir para fins ideológicos, Moscovici comenta como alguns economistas projetaram as normas e atitudes de uma sociedade capitalista, baseados nos processos de troca.Como resultado de tudo isto, esta versão da economia concebe uma imensa área da conduta humana como irracional, uma vez que, dentro de sua prática, tudo o que vai além do individualismo e tudo o que diverge um pouco de um modelo de capitalismo, entra, por definição, no domínio da irracionalidade" (MOSCOVICI, 2002, p.125–126, grifos no original)(2)
Entretanto, prefiro me atrelar a crítica de Durkheim "O grupo e o coletivo, são a verdadeira e única realidade. Os elementos desse grupo (as pessoas) passam a ter importância a partir de sua pertença aos grupos. As pessoas são “peças” da máquina: o que vale é a máquina. Não importa a consciência individual: importa a consciência coletiva". 
Pois, em cada grupo familiar o conhecimento se faz no cotidiano diuturnamente,  esse impirismo é  base para entendermos como dar maior qualidade de vida a cada pessoa  com TEA, porque o conhecimento  distribuído  e repensando por essas mães  pode trazer uma nova prática de atenção às pessoas com autismo.
Então  para concluir inicio com que Lenin, pensa  – se somos parte da solução, provavelmente somos também parte do problema. Sobretudo  quando  se fala sobre conhecimento, especialmente  quando  é  uma  de RS do empírico. As mães  não me deixam enganar quando afirmo que na busca de acertar erramos. E assim se não  formos humildes não entenderemos  o que Lenin nos falou.
"Bader mostrou a relevância da dicotomia indivíduo-sociedade para o estabelecimento das concepções de comunidade no decorrer dos processos históricos de produção de conhecimentos. Constatou que na medida do avanço das relações comunitárias se fortaleceram utopias individualistas e vice-versa."(3). 
A autora, apesar de valorizar o conhecimento  advindo das experiências  coletivas sociais, parece me alertar para o que Lenin dizia, ao menos para sermos crítico em não sermos donos de verdades  absolutas para não caímos jo pecado semelhante  da ciência racional determinista e generalista, sobrepondo as demais pensamentos e conhecimentos:  
"No contexto da globalização, a comunidade pode ser depositária da utopia de conversão do egoísmo, da exclusão e da fluidez presentes nas relações humanas. Tal utopia atribui ao espaço das comunidades vivências de parceria e de solidariedade e reaviva a esperança de pertencimento a um grupo desprovido de interesses individualistas(...)" (3)
Bauman, diz isso que alertei anteriomentem pois A cada dia são  repensados as maneiras de destruir o conhecimento  empírico, a exemplo do de cada mãe:  "A desconstrução deste conceito, então, está marcada pelos processos de industrialização e de formação do estado-nação os quais favoreceram fenômenos de fragmentação da sociedade. Nesse contexto, a busca livre pelo lucro promoveu a dissociação entre produtores e fontes de subsistência, a ruptura entre laços morais e emocionais e propiciaram os modos de vida capitalistas com seus ritmos regulados externamente. Além disso, a racionalidade predominante impôs rotinas e processos de naturalização dos padrões de conduta “abstratamente projetados e ostensivamente artificiais”  (Bauman, 2003). (3)
Enfim,mo mesmo Bauman, diz "Numa sociedade na qual parceiros são adotados ou descartados, de acordo com sua utilidade e funcionalidade, os compromissos por tempo indeterminado e os vínculos mais duradouros poderiam interromper ou ameaçar os modos de vida contemporâneos". Faz-me concluir que dá mesma importância  da humildade de que aprendemos  a cada dia e em cada contexto tem suas próprias  soluções as parceiras de conhecimentos, ou seja, a troca entre mães  de pessoas com TEA humilde e colaborativa é  o meio mais efetivo e harmonioso  para alcançar dignidade e favorecimento de vida à  pessoa com TEA  mas também a uma relação  Social verdadeiramente , como cultura de paz.
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(1)ALMEIDA,Leonardo Pinto: Para uma Caracterização da Psicologia Social Brasileira, Universidade  Federal  Fluminenses.


(2) GUARESCHI,Pedro.O que é  Mesmo Psicologia  Social.Uma perspectiva crítica de sua historia e seu estado hoje.

 (3)(Psicologia & Sociedade; 19, Edição Especial 2: 100-108, 2007,Scaparo, H.; Guareschi, N. “Psicologia Social Comunitária e Formação.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Porque o homem é vítima do macho? Um Vigotski, para uma nova psicologia

 Todo o homem um dia foi macho, é,  ou será? Que será  que isso tem a ver com paternagem e, como ambos opostos, afetam à pessoa com Transtorno do Espectro  do Autismo  - TEA?
Prendam suas cabritas  (observe, plural) que meu bode (singular e desde de idade de cabrito, já tem título  de superioridade) está a solta. Esse ditado popular traz algo da filogenese, ramo científico que estuda a história  da evolução  humana. Pois, a grosso modo ela, de algum modo, explica  que ao homem foi dado atributo de desbravar o mundo externo,  enquanto, a mulher  ao cuidar, após gerar. Até  então, a mulher era divinizada, por ter o dom da vida. Entretanto, como existe quem cuide necessariamente precisa manter a subexistência,  assim  surgiu a propriedade  privada.   
Isto,surgiu com a suposta força  do caçador, destronado  pela sentinela e este pelo guerreiro. A saga da relação  de poder, baseado já  não mais do dar a vida e agregar através  do cuidar, em detrimento do matar e do medo.
No entanto este contexto, ainda não  explica  porque o macho é o mais violentado  e maior vitimado de sua próprio sanguinário modo de viver. 
Tentemos, clariar com o apoio de Vygotsky, ele diz que quanto a formação dinâmica da personalidade  "todas as funções superiores constituíram-se na filogênese, não biologicamente, mas socialmente (...) Elas são transferidas para a personalidade, relações interiorizadas de ordem social, base da estrutura social da personalidade. Sua composição, gênese, função (maneira de agir) – em uma palavra, sua natureza – são sociais".
 Então, voltando  ao macho, de personalidade estritamente grotesco, violento em tudo que faz, aquele que nem criança  aprendeu a ser, sua formação de si resume-me a procriação, saciedade e sobrevivência de modo geral. Assim, ele se encontra longe de ser ao menos filho, e dificilmente  será paternal, no máximo, genitor, ou ainda, em melhor das hipóteses, pai mantenedor. Todavia, seus atos são frutos violentos.Parece-te,  um discurso pessimista  ou antisocial, mas assim é  o macho. 
Pior é  que poucos são  agraciados em sua formação  sociocultural e histórica a chegar a ser homem, pois essencialmente, estes já são destruídos ainda quando crianças  ou na puberdade por esta sociedade posmoderna. 
Entretanto, a boa notícia  vem do socioconstrutivismo, reflexões  críticas, onde o humano pode reeditar dialeticamente sua personalidade e o mundo mutuamente, porque "Mesmo sendo, na personalidade, transformadas em processos psicológicos –, elas permanecem ‘quasi’-sociais. O individual, o pessoal – não é ‘contra’, mas uma forma superior de sociabilidade(...) atrás das funções psicológicas estão geneticamente as relações das pessoas".Então o psicólogo  russo,segue dizendo que "A questão está na personalidade (...) o mais básico consiste em que a pessoa não somente se desenvolve, mas também constrói a si. " Em pleno "construtivismo" dinâmica  e continuamente  estaremos  nos desenvolvendo
Sobretudo porque, se "A personalidade é o conjunto de relações sociais. As funções psíquicas superiores criam-se no coletivo", onde  pode-se recriar de macho a homem, através  de se ver criança, filho, por exemplo, no filho  TEA, que pode ser eternamente apenas criança, na essência, seja na pureza  inocente ou ainda na liberdade infantil. Mas também, apenas um pequeno tirano, destronado você  que se nega a paternagem, causando  a manutenção do ciclo da violência.
"O pensamento autista diferencia-se do pensamento filosófico não pelas leis do raciocínio, mas pelo papel (...)A diferença entre o doente mental e o saudável e entre diferentes doentes mentais não está tanto em que a) as leis da vida psíquica dos doentes mentais são violadas ou b) têm algo (novas formações) que não têm os saudáveis. Ou melhor, os saudáveis têm o mesmo que têm os doentes: delírios, suspeitas. Idéias fixas, medo, etc. Mas o papel de tudo isso, a hierarquia de todo sistema é diferente. Isto é, outra função, que não aquela que está em nós, destaca-se em primeiro plano e recebe funções reguladoras.  Não é a loucura que diferencia o doente mental de nós, mas o fato dele acreditar neste delírio, obedecer, enquanto nós não.Freqüentemente o infantil não desaparece, mas perde seu papel, lugar, significação".
Aqui, abro uma conclusão  provocando se o macho diante do TEA ou outra forma atípica  de ser e ver em sua condição  humana, o macho também  acredita na sua loucura de detentor  de um suposto poder?
O machismo  vitimiza a todos  e mais mata o homem em sua condição  de vida e ensina à pessoa com TEA a tirânica forma de esufruir da relação desigual desse poder, pois  "A essência do homem não é uma abstração, que pertença a um indivíduo específico. Em sua realidade ela é o conjunto de todas as relações sociais”. Estas, aprendidas e reprodutoras de adaptações em busca do bem  estar, neste contexto, cobrando o preço  das diversas violações contra a mulher e destronando  o homem de um trono erguido, do sofrimento, também  deste, o que pode explicar porque o homem que mais morre precocemente e de forma quase sempre letais. E algumas pessoas com TEA exacerbam traços  machistas.
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 (Marx K. e Engels F. Lev S. Vigotski: Manuscrito de 1929*Educação & Sociedade, ano XXI, nº 71, Julho/00 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O porque não ao modelo biologista ao tratar do humano e, muito menos ainda, quando se fala da pessoa com TEA.

A fim de clareiar a razão, na qual creio que o filho com TEA que se comporta  ditatoriamente, denuncia, que a relação  de poder é  uma forma errônea  de viver, não só  porque neste contexto  quem manda não são os adultos. Mas, porque me pergunto com quem ele aprendeu estar assim? Então, segue reflexão  crítica.
Para tanto, preciso protestar contra que "apesar de muito se falar do modelo biopsicossocial, observa-se que se continua privilegiando a etiologia biologicista, a concepção fragmentada de saúde e o caráter impositivo e normatizador da visão positivista de ciência, esquecendo-se a relevância dos aspectos sociais, psicológicos e ecológicos como mediadores dos processos saúde-doença. O modelo biomédico mostra-se totalmente funcional para as necessidades do sistema socioeconômico vigente, condicionando uma visão individualista, fragmentada e descontextualizada dos comportamentos humanos relacionados à saúde e à doença"(1).  
Esta verdade, se não alimenta  culpa, ela serve para  deixar as mães de mãos atadas imersas em impotência, enquanto, alguns pais por sua vez, agem  cegos, por estarem descontextualizados conscientes ou inconscientes condenam as suas companheiras. Neste contexto o filho  com TEA, de alguma forma, calado observa e pode aprender  a manipulação da relação  desigual  do poder.
Então temos que,  prioritementem vencer a crítica e fatalmente ir além da denuncia de Traverso-Yépez: "o modelo biopsicossocial tem sido apenas uma postura paliativa com relação ao modelo biomédico, acrescentando as dimensões psicológica e social muito mais como retórica, que como prática real"(1). Esta é  uma das justificativas do meu neologismos, biopsicossocioespiritual. Sendo esse espiritual, amor incondicional. Pois, o exemplo do biologismo é  base para alienação e sofrimento destas famílias desassistidas, desinformados ou apenas mal acolhidas.
Procedimentos não  estruturantes não veem em um filho com TEA,  a inteligência  de cada um deles, esta mais  holística da inteligência  emocional do que reducionista  da inteligência  racional, cartesiana. Porém, basta  notar como eles dobram os seus pais em busca  de realizarem seus desejos. Perdem-se, assim, temporariamente, em seu amor egoísta afetados pelas relações  utilitaristas desse século, ond etodos precisam de ir ao amor altruísta através da empatia  dos adultos, a fim de se encontrar, no  amor crítico dos não's necessários.
Todavia, mesmo que eu tente minimizar, mas é inevitável apontar que o reducionismo  no biologismo encontra-se vetor da postura de culpabilzação do ser humano, em especial contra as mulheres, estas bode expiatórios das mazelas dessa doentia sociedade."Realmente, o modelo mostra-se totalmente funcional às necessidades do sistema sócio-econômico vigente. Isso acontece não apenas no que se refere aos interesses econômicos que vêem no modelo uma das melhores fontes de lucro no mercado de consumo de medicamentos e alta tecnologia (Barros, 1995; Velasquez, 1986), mas também no campo das idéias, já que este reforça a visão individualista e fragmentada dos fatos sociais. É assim que, decorrente desse acentuado individualismo e antropocentrismo do sistema, condiciona-se uma visão descontextualizada dos comportamentos humanos, focalizando a responsabilidade das doenças e sofrimentos nos indivíduos, tanto em seus estilos de vida considerados como inadequados quanto nos denominados aspectos “mórbidos” da personalidade (1)(Sarafino, 1994).
Então,necessariamente estas reflexões nasceram  da mais recente palestra  sobre as relações  em família (12/02/16). Na ocasião, aprendi que a pessoa com TEA é,   de alguma forma, presa a um individualismo dele, que precisamos  entender, como proteção deste mundo. Todavia, como eles ficarão  mais autônomos sem relacionarem-se? E com suas mães como culpadas, podemos esperar ser aceito e acolhido? Posso supor, que as pessoas  com TEA imitam quem detém  o suposto  poder sobre ele é a mãe, pelo  menos no tipo de núcleo  familiar, onde isso  fica evidente? É  mais plausível que  eles imitem os dominantes,  usurpando, inconscientemente, do cuidado da dominada, de forma arbitrária?
Isso, não sei em que  proporção, mas  ocorre, também não sei se posso se utillizar de uma  generalização, todavia, nesta sociedade o profissional deve favorecer criticamente  e, assim, facilitar o fortalecimento  dos desejos de cada um, enfim, se assim se satisfazem torcemos  que não  gere violências. Mesmo  assim, fica-nos o risco  do individualismo:"Defende-se, ainda, a necessidade de superar essa visão antropocêntrica e individualista do modelo vigente, acreditando que o agir do profissional de saúde deveria ser forçosamente mais humilde, baseado na escuta, no diálogo e não na imposição de “receitas” (1)(Campos, 1997a; Vasconcelos, 1997, 1999).
Dito isto, reitero que apesar  do risco  da exacerbação, já observada, do individualismo, torcemos  que conscientes dos seus desejos, sejam críticos a perceber que estamos em desenvolvimento e nunca prontos e, portanto, carentes um dos outros:Estamos hoje conscientes de que não existem comportamentos ou ações separadas das relações e valorações que as pessoas fazem de suas condições de existência.Acreditando na necessidade de mudanças e com o referencial teórico fornecido pela psicologia social crítica, pensa-se ser impossível deixar de considerar, junto com as pessoas implicadas (profissionais incluídos), o universo simbólico que está permeando esses comportamentos e a relevância de que os próprios agentes sociais envolvidos “construam” criticamente suas próprias alternativas. bem como o reconhecimento da necessidade de estabelecer formas horizontais de intercâmbio tanto, entre os membros da equipe de profissionais, como na relação profissional/paciente-usuário do serviço(1).
 Então, concluo, humilde que nada sei. Apenas vou semeando  o melhor  possível, crente que acolhendo o outro com o amor que  quero  ser acolhido, faço  da emoção  uma linguagem, que comunica-me ao outro, não necessitando que falemos, pois a inteligência  emocional nos protege e não deixa que a mentira  seja a mediadora. Essa inteligência  ler no corpo o melhor para o bem, se estiver estar abertos para  evoluirmos. E, não atado a um individualismo  doentio dessa pós modernidade  que imita o autismo. Como se  ele  fosse doença ou desamor "tem-se também verificado que a codificação, elaboração e julgamento sociais são mediados pelas emoções, na medida em que elas contribuem para a ativação de informações com elas congruentes, além de provocarem reorganizações mentais que se mostrem mais consistentes com as experiências afetivas individuais (2)(Quinn & cols., 2003).
Na realidade, o conteúdo  biológico  do TEA, até  no quadro mais grave é  apenas  uma  parte  da que,a pessoa, temos o psicossocialespiritual, estas dialeticamente trazendo novas sínteses em contato  com o contexto e as demais estruturas biopsicossocioespirituais que afetamos e somos afetados. Em suma,  a pessoa TEA, como qualquer  um outro pode resignificar seu destino que desejar através do verdadeiro amor e aprender outra forma de  viver além de ser um pequeno  ditador. 
Então, pagará além  da visão  apenas biologia tá que busca uma culpa, abramos-nos para a inteligência emocional, humildade  de carentes  um dos outros. Quiçá os nossos  autistas assim também  imitem  essa forma de relacionar.

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1. Traverso-Yėpes, Marta A INTERFACE PSICOLOGIA  SOCIAL E SAÚDE: PERSPETIVAS E DESAFIOS. Psicologia  em Estudos, Maringá, v.6, n.2, p.49-56, jul./dez.2001;

2. Ferreira ,Maria Cristina. A Psicologia Social Contemporânea: Principais Tendências e Perspectivas Nacionais e Internacionais Universidade Salgado de Oliveira,55Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2010, Vol. 26, n. especial,  pp. 51-64 Psicologia Social

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Discurso contra à violência do nosso Desejo: Quando elegemos o Outro como fonte de vida.

Em outras publicações tenho falado do Desejo do outro, como dos pais sobre o filho.
Creio, que se temos que aprender a barrar nosso desejo. Porque a violência do nosso desejo barra até os vestígios dos sonhos e matam na criança as delícias de viver. Para cada Pessoa Sem Desejo há mais de uma pessoa propensas a ser infanticida.
Produto da culpa, a vergonha e a punição, pois diferentes da solidão libertadora, vive-se  no seu próprio corpo como prisão, apenado com a solidão adoecida entre a angustia e a ansiedade.
Se ficarem presos aos corpos dos filhos, como fonte de vosso desejo de não realização, ficá-se-á atado a possível determinismo imersos a um destino morto no hoje.
Enfim temos que viver  para além destas amaras, sair da solidão que esteja ligada ao desejo não realizado e ir a a peculiar solidão que ensine quanto ao nosso estágio e, como se pode evoluir.
Neste contexto, trago alguns apontamentos sobre representação social, conceito pensado na psicologia social que é concernente ao conhecimento humano para além do cientificismo cartesiano, pois considera o conhecimento do senso comum fonte inesgotável de significativas contribuições ao inserção das diferenças como meio de efetivação da dignidade humana, como as mãe de filhos com TEA.
 Jovchelovitch, em seu artigo "Psicologia Social, saber, comunidade e cultura", sabendo da vitalidade desse conhecimento popular alerta "A representação também distorce, mente, ilude e confunde. A hiper-representação é, naturalmente, parte do poder da representação, já que o simbólico é uma esfera onde a lei do “faz-de-conta” se aplica".  Nessa citação alerto da necessidade de não esquecermos que todo conhecimento é instrumento dotado de poder  e pode ser usado de maneira não libertadora, pois toda a mãe por exemplo, é maculada por um simbólico que não a fortalece como pessoa de direito e, pode ela, mesmo que inconsciente, em busca de espaço nesta sociedade, desfavorecer o filho.
Neste sentido, a autora articula o conceito de representação com o das relações de poder,   sabendo que essas coexistem em todas as relações humanas  e, quando um adulto impõe seu desejo à criança são relacionados interesses e projetos adutocêntricos independente do gênero junto as questões geracionais, sempre penalizado é o dependente ( crianças, adolescentes e idosos, por exemplo).
 Lembro-me, assim das relações objetais que ocorrem quando se quer transformar o outro em responsável pela realização do nossos desejos, como as crianças são usadas.
Enfim, Sandra Jovchelovitch, no mesmo artigo , foca ,sobretudo, na polifasia cognitiva, deste conceito podemos apreender que contrário a impor nossos desejos as nossas crianças e, em especial às pessoas com TEA, devemos a elas novas formas de relações sociais, para produzirmos juntos as infantes, novos formas de conhecimento.
Tal como as mães que lidam com filhos complexos como pessoas com TEA:  "para as psicologias de Piaget e Vygotsky, que tinham um entendimento claro da natureza social da lógica e se propuseram a demonstrar em detalhe a maneira através da qual a sociedade dá forma ao desenvolvimento das estruturas lógicas na criança. Os dois mostraram que relações sociais diferentes levam a modos de saber diferentes".
Esse modo de saber multi é basilar para aceitarmos as diferenças e também funda a aceitação do diferente como cidadão de direitos e deveres e favorecer melhor escuta à maior riqueza humana, a diferença: "A análise da constrição e da cooperação - os dois tipos de relação social que Piaget estudou – forneceram mais evidência à proposição de que formas diferentes de interação produzem lógicas diferenciadas". Não há muitas alternativas para a vida em sociedade que vencermos a lógica utilitarista e competitiva dessa sociedade do consumo.
Neste sociedade pós- moderna os estudos de Vygotsky e Luria tem pouco valor, pois o biologismo poda e exclui o poder das relações humanas, como a mãe-bebê, precisamos resgatá-la como meio mais que curativo, preventivo: (graças) "a estes estudos hoje nós podemos afirmar que tanto o conhecimento como a mentalidade do sujeito do saber que lhe corresponde são organicamente vinculados ao contexto social da comunidade em que eles são produzidos".
 Portanto, o conhecimento das mães de filhos com TEA não pode servir apenas para elas precisam ser estudados e disseminados.   Pois, o saber é amarrado a uma comunidade e seu contexto, segue-se a derivação quase óbvia que os saberes variam. Há um número infinito de formações sociais que produzem um número infinito de formas diferentes de saber. 
Por outro lado, sabe-se que a partir de "Durkheim e Piaget era claro que formas superiores de saber, encontradas em adultos e populações “civilizadas”, deslocariam formas primitivas, encontradas em crianças e povos “primitivos”". Aqui vamos a autora vai além do valor do adulto ( aproveito para citar a mãe), e onde me apoio para citar a virtudes de nossas pessoas com TEA, precisamos as escutar e favorecermos suas experiências, isso para melhor lidar tanto com as diversas formas de autismo, como também as psicopatologias. E quicá, aprendermos mais sobre nós de fato,através do amor às diferenças.
Lévy-Bhrul, me dá base para afirmar que se cada pessoa com TEA é única e produzem ela com sua mãe forma particular de viver a sua realidade dentro do espectro, podemos com cada vivência, aprender mais sobre a riqueza da vida humana, através da aceitação das diferenças, assim, este autor, "demonstrou que lógicas diferentes não são mutuamente excludentes e não operam sob o imperativo da substituição". 
Neste sentido, Vygotsky  coincidia  com ele na noção mais fundamental de que "a transformação do saber é descontínua e não há substituição nas formas do saber, mas co-existência" (parafraseio co-existência das diferenças).
Segundo Moscovici, "os saberes coexistem e podem ser contraditórias, mas isso não é um problema se nós abandonamos a lógica formal e sua dualidade ao concebê-las como opostas e abraçamos uma perspectiva dialética". Neste ínterim, cada dialética entre mãe- pessoa com TEA, nascem, portanto, novas riquezas humanas e dessa interação nascem novas formas de viver com maior dignidade.
A autora, baseada em Moscovici, "o conceito de polifasia cognitiva mostram que todo saber é produzido em uma relação entre sujeito-sujeito-objeto, no tempo e no espaço. O entendimento dos saberes e de suas múltiplas lógicas envolve o entendimento da representação, enquanto um sistema de relações psicossociais que envolvem".Neste sentido,portanto, ela é enfática  "o saber é sempre obra de uma comunidade humana e, portanto, deve ser entendido no plural". 
Enfim, posso afirmar que ninguém melhor que cada autista pode ensinar o que é o TEA e mesmo suas mães que são as suas melhores alunas, não sabem quanto eles sobre o que vivem. Então, nessa relação de poder mãe-filho com TEA, temos que favorecer que eles sejam os vencedores. Eles livres dos nossos desejos,nos libertaram de certos limites que nos podam a vida.
E é nesse posicionamento que temos que os libertar favorecendo  como a autora conclui seu artigo e aproveito para findar essa reflexão:  diálogo entre formas diferentes do saber não apenas é possível como é desejável; se o que todo saber deseja é, de algum modo, dar sentido ao estranho, isso significa dizer que todo saber é capaz de encontrar a estranheza do outro desconhecido e mediar as diferenças que encontra.

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(Jovchelovitch, S. “Psicologia Social, saber, comunidade e cultura”  Sandra Jovchelovitch London School of Economics and Political Science)

A MORTE PEDE CARONA: ADULTOCENTRISMO E INFANTICÍDIO, NÃO SÓ SOFRIDOS PELAS PESSOAS NO TRAÇO AUTÍSTICO

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