O dizível
A única função do cuidar, creio que seja o de tornar possível a simbolização da dor de viver e ser livre do desejo alheio, sensações invasivas sentida por nossos dependentes.
Enquanto eles se permitirem a suposta orientação, pois prefiro exercitar uma tal de liberdade assistida, na qual, - processo que também supõe Ferrari, expoente contemporâneo, visivelmente baseado em Winnicott -, pode-se assistir certos ganhos para além da funcionalidade, uma certa independência.
Mas, para isso, a fim de ir além dos desejos alheios e da orientação que alcança apenas uma precária autonomia funcional, sustento fé no brincar como viés para ir do Imaginário ao Simbólico ante a dura vida do e no Real.
Nisso, também, especulo que ao brincar, não necessariamente, com e como concebemos utilidades aos objetos comumente usados, especialmente porque somos todos e temos diferentes maneiras de realizar e nos satisfazer em desejos. Que não criou usos diversos com um único objeto? E melhor, o uso diverso é sinal de genialidade e não mediocridade criativa.
Aquele primeiro teórico, ao falar de quem comumente chamo de pessoa no traço autista, cita a necessidade, que nos analistas temos, de ampliar nosso ponto de vista a partir da escuta do que acontece consigo e com o outro durante do encontro com paciente.
Claro que esse encontro, brincado, é a fim de desenvolver o Simbólico, no tocante a ajudar aos pequenos a suportar o Real, rascunhando do Imaginário os símbolos. Processo em que o paciente no traço tem que ser observado e favorecido a florescer. Para tanto, a intuição é instrumento elementar. É como uma comunicação inter – inconsciente.
Neste exercício o lúdico deita e rola, onde até a ecolalia deve e pode ser provocadora ao brincar e divertir, assim sendo, o medo ou os egoístas acertos não entram em questão, pois certo e errado ficou para juízes e deuses, especialmente, porque no olhar clínico junto a qualquer criança, o brincar estabelece no social a saída do Imaginário através da confiança e empatia e altruísmo sentido pela pessoa no traço como mecanismos de inclusão e pertencimento.
Mas o brincar não zombeteiro para com as ecolalias, por exemplo, mas sim para te ter amenizar os sentimentos dos pacientes quanto a sua participação verbo e corporal comunicação, como também considerando uma forma de arqueologia das expressões para além do verbal no processo comunicativo dele em Inclusive, em ensaio-erro buscando uma adaptabilidade possível a socialização, dentro e através das emoções.
Sobretudo, que no brincar tudo é permitido, mesmo havendo regras claras entre os brincantes respeitosas as dinâmicas dos pares, estas regras é base filogenética, por assim dizer, do humano para viver como dependente um do outro, na minha visão baseada em Lacan o Grande Outro, Este como determinismo pre-onipresente, ciente e potente.
Aquele que melhor se explica pela cultura, onde o pai é tão importante quanto a mãe, nas divisões de funções do e no brincar isso fica explícito, a paternidade com sinal da lei, mecanismo basilar para a socialização. O que me parece falho junto às famílias de pessoas no traço(na maioria ao menos das que acompanho, falha sobretudo, inconsciente). Enfim, para socialização a função paterna é crucial que seja desenvolvida firme e amorosamente .
Em produção que tem muita contribuição significativa de Pocconi, em texto winnicotiano, falando sobre o corpo, diz que as “respostas comportamentais insólitos e bizarras aos estímulos sensoriais(...) aparentemente incompreensíveis, sejam na verdade, ricas de significados”, e diante do Real apresentando por este Grande Outro invasor “estas crianças utilizam para manter e proteger certo tipo de sistema, isolado e isolador”, no qual este amor forte presente, pode dar segurança a pessoa no traço no acesso ao pertencimento social.
Aqui nos dispersamos do que ela mais a frente vai chamar de “ casulo protetor “, tanto que ela, a autora reconhece que a “criança lança mão de proteções manipuladoras“ ante a interrupção precoce do holding. Discordo, portanto, pois se a criança manipula o meio ele interaja e adapta a suposta da mãe suficientemente boa. E portanto, suponho, que o Amro forte de uma paternagem, deve ser um excelente atuar para sair dos ganhos secundários nessa manipulação por parte das pessoas no traço, pois assim, prova a sua não aceitação a socialização, pois esta suponhe uma negação individual em detrimento do coletivo, ausente nas pessoas que se utilizam da manipulação para ter seus desejos realizados.
Aqui cabe um adendo, quanto a essa falha. Winnicott supõe que temos a se utilizar de objetos transnacionais para suportar a falta que todos temos que vivenciar para se tornarmos quem somos. E são estas faltas, carências deixadas pela inabilidade natural da mãe ou outra cuidadora de nunca poder suprir todos nossos desejos. Mas para esses pensadores, parece-me ver as pessoas no traço muito fortes ou frágeis ante tais faltas. Ao ponto deles chamarem de aniquilamento sentido por tais pessoas se assemelhando ao vivido pelos psicóticos ao lidar com o real. Não creio em estremos e sim nos contextos de como são dados a essas pessoas inserções ao social.
Então conclui-se que não há culpa ante a es a suposta falha, pois nunca se alimentara o desejo por inteiro, bem como essas pessoas no traço não se colocam encapisulada pelo menos de imediato.
Penso que se em suas maneiras de se adaptar e de manipular o meio encontrar pessoas suficientemente boas para parafrasear Winnicott pode a ajudar a suportar o peso do Real tanto na descoberta de uma morada (corpo), gozar dele (falar), ou seja, descobrir que ele não é um pequeno Príncipe Tirano e que terá que também escrever seus desejos no mundo, no dizível possível a cada um deles, respondendo por seu desejo e assim, escrever sua independência pessoal.
sábado, 13 de agosto de 2016
O DIZÍVEL
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Autismo, brincar diferente: ensaio de um gênio
A importância
do brincar a todas fases se fazem, por ser a melhor maneira de socialização, pois ela
precedo do imaginário“O brinquedo
infantil (...) permite representar o papel (...) o brinquedo ensinar a exercer simultaneamente diversos papéis, ponde em
atividade, no indivíduo, a própria interação social, permitindo-lhe colocar em
lugar do outro” (pag.18).
No imaginário
podemos criar e recriar sem a destruição e sofrimento comum do mundo
adultocêntrico presos a status, “No campo traço da personalidade são muitas as
diferenças (...) Maslow, faz notar (...) os traços da personalidade ( são)
ligados aos diversos status” (pag.35-6).
Porém, na
infância não somos presos ao status, como também as pessoas no traço autista não
sofrem, ao menos inicialmente, com os preconceitos, talvez quando estes evoluem
a discriminação em sua violência comum é que eles são mais afligidos a isso. Todavia, é pertinente citar que as
discriminações são frutos sociais: pois “Muitos grupos aceitam como normal o
que chamaríamos de ilusões, alucinações, histerias ou neuroses” (pag.39).
O maior
alvo de discriminação as pessoas no traço autista talvez seja a ingenuidade,
passividade e a docilidade, onde se camuflam preconcebidos de incapacidades
cognitivas, todavia:
“Klineberg (...) os
fatores ecológicos são mais importantes do que os fatores raciais (...) a noção
de patrimônio psicológico inato, indispensável a interpretação dos fatos,
permanece vazia de conteúdo. (...)
Certamente, é admissível que o próprio meio traga elementos materiais que
contribuem para produzir os desempenhos intelectuais (...) somos induzidos a
imaginar a hereditariedade como conjunto de virtualidades positivas de um
indivíduo, que marcam o máximo de seus desempenhos admissíveis. ‘Mas esses
limites só muito excepcionalmente serão
atingidos, nos raros caso em que o meio social (...) seja favorável” (pag. 61)
Então, é possível que o meio cultural, que
chamamos de estímulos podem ser mais promissores que as informações genéticas
herdadas, se assim são também, cabe-nos sinalizar que provavelmente, ninguém
nasce com uma predisposição ao autismo e, necessariamente, a desenvolva sem que
seja favorecidos ou potencializados no social.
Mas, para lidar com este sociocultural, quero
dizer então, que sendo o brincar um grande mecanismo criativo é mais favorável,
suponho, que sendo os comportamento diferentes, manias e costumes ( que chamam
de estereotipias) se forem aceitos e delas criados, mutualmente, brincadeiras
dentro da dinâmica incomum da pessoa no traço autista, este se sentido
respeitado, aceito e acolhido pode desenvolver habilidades, quiçá geniais e inovadoras para não só sobreviver mais ser dignamente aceitos.
Afinal, não se conhece um gênio que não tenha sido rotulado de esquisito. Assim,
“o habitat, o nível econômico-social expresso pela profissão dos pais e a dimensão da família. Cingir-nos-emos aos resultados perfeitamente decisivos”.(pag. 57-9). O que me faz pensar que quanto melhor tempo e qualidade deste, no tocante dos afetos ( qualidade de vida) podem promover melhores escores (resultados), no processo de aculturação e socialização que não “se desenrolem inteiramente sem crise. O bloqueio de uma tendência, num ser vivo, acarreta um estado de tensão (...)As proibições e coerções de ordem fisiológicas produzem certamente graves frustrações (...) Não ter acesso direto às pessoas e às coisas origina também estados de ansiedade, não apenas fortemente sentido no momento, mas deixando trações duráveis” (...) Os traumatismos devidos à aculturação são mesmo capazes de provar certos efeitos (...) Um desses efeitos é ulterior reação à autoridade (...) A criança não sentirá ressentimento para com a autoridade, quando sua experiência tenha sido a de contato com os adultos que amenizavam a severidade das privações que impunham, que infligiam as frustrações com benevolência (...) Já a criança criada com brutalidade guardará, com respeito a autoridade, o ressentimento agudo que teve em relação aos pais e aos adultos em geral. Desincumbir-se-á dos mandados com hostilidade e repugnância e cada ação lhe custará um conflito interior. Conforme o temperamento, aproveitará todas as ocasiões para exprimir sua hostilidade; ou, se muito fraca ou medrosa para lutar, ficará ruminando seu agravos e tratará de livra-se deles em atividades dolosas ou obstrutivas” ( pag. 70-1)
Afinal, não se conhece um gênio que não tenha sido rotulado de esquisito. Assim,
“o habitat, o nível econômico-social expresso pela profissão dos pais e a dimensão da família. Cingir-nos-emos aos resultados perfeitamente decisivos”.(pag. 57-9). O que me faz pensar que quanto melhor tempo e qualidade deste, no tocante dos afetos ( qualidade de vida) podem promover melhores escores (resultados), no processo de aculturação e socialização que não “se desenrolem inteiramente sem crise. O bloqueio de uma tendência, num ser vivo, acarreta um estado de tensão (...)As proibições e coerções de ordem fisiológicas produzem certamente graves frustrações (...) Não ter acesso direto às pessoas e às coisas origina também estados de ansiedade, não apenas fortemente sentido no momento, mas deixando trações duráveis” (...) Os traumatismos devidos à aculturação são mesmo capazes de provar certos efeitos (...) Um desses efeitos é ulterior reação à autoridade (...) A criança não sentirá ressentimento para com a autoridade, quando sua experiência tenha sido a de contato com os adultos que amenizavam a severidade das privações que impunham, que infligiam as frustrações com benevolência (...) Já a criança criada com brutalidade guardará, com respeito a autoridade, o ressentimento agudo que teve em relação aos pais e aos adultos em geral. Desincumbir-se-á dos mandados com hostilidade e repugnância e cada ação lhe custará um conflito interior. Conforme o temperamento, aproveitará todas as ocasiões para exprimir sua hostilidade; ou, se muito fraca ou medrosa para lutar, ficará ruminando seu agravos e tratará de livra-se deles em atividades dolosas ou obstrutivas” ( pag. 70-1)
Então,
que criança estas forjando em vossos filhos? Independente de estar ou não no
traço autista, a regra é a mesma, a imitação será direcionada a autoridade que
tem mais ganhos no social. Se, ages com sua companheira a coloca-la submissa, ele
assim tratará a genitora e o próximo será você. E, se na escola existe uma hierarquia acentuada, ele tenderá imitar isso, aprovando regras dos adultos sobre os seus pares, porém, cada vez mais agradando a aqueles, ficando cada vez mais só, e não necessariamente anti social.
Portanto, por outro lado, para os incluir de maneira mais interativa e menos adultocêntrica, precisamos favorecer o lúdico, o que necessariamente temos que os facilitar é brincar. Brincando, eles podem sair do Imaginário indo ao Simbólico, ou seja, podem fantasiar brincando no Real, onde desenvolvendo o brincar pode-se desenvolver o ser e o estar, portanto, aliviando a grande responsabilidade de ter em si o sopro da vida. E, assim, podendo nos ensinar a sua forma verdadeira, franca e direta de ser, talvez de maneira menos abrupta.
Portanto, por outro lado, para os incluir de maneira mais interativa e menos adultocêntrica, precisamos favorecer o lúdico, o que necessariamente temos que os facilitar é brincar. Brincando, eles podem sair do Imaginário indo ao Simbólico, ou seja, podem fantasiar brincando no Real, onde desenvolvendo o brincar pode-se desenvolver o ser e o estar, portanto, aliviando a grande responsabilidade de ter em si o sopro da vida. E, assim, podendo nos ensinar a sua forma verdadeira, franca e direta de ser, talvez de maneira menos abrupta.
___________________________
JEAN
STOETZEL, Psicologia Social, Companhia Editora Nacional, São Paulo(1972)
sábado, 9 de julho de 2016
Educar para a vida.
Se
de repente os alunos atípicos denunciam nossas limitações, nos
colocado em cheque ante a nossa precário conhecimento
sobre eles mesmos, encaramos nossos limites de conhecimento, afetam
inevitavelmente a frágil estabilidade econômica
(status) e sobretudo, a nossa precária inteligência
emocional (subjetividade), especialmente se somos da rede privada de ensino.
Quero
dizer que assim, eles nos confronta em nossa particular dimensão social e psíquica afetando somática e diretamente nossos corpos
e, assim, interagimos com eles como sem regra, perdendo nosso destino de ser o melhor no que fazemos.
É um
dilema, que concerne à nossa segurança biopsicossocioespiritual de educador e/ou de outro qualquer profissional
que lida com a pessoa com traço do Transtorno do Espectro do Autismo TEA, bem como qualquer outro atípico.
Refiro-me
de imediato a segurança econômica
porque esta está diretamente
ligada a atual conjuntura ideológica. Sobretudo, porque em um mundo pós moderno, o neoliberalismo ensina que
somos mais livres tanto quanto podemos
consumir, ter em detrimento de ser.
Mesmo que não concorde que nem somos, apenas estamos sendo algo em cada
contexto, essa realidade da grande maioria, alienada. Eu não sou psicólogo e ativista em direito humanos
24 horas, tem horas que nem sei o que estou sendo, principalmente para os meus
pacientes, por exemplo. Logicamente, porque sei que o que estou sendo é dialetizado
com quem estou partilhando em determinado
contexto em perene dinâmica.
Enfim,
através do econômico nos aliena de nossas virtudes consumindo-nos, nos
aprisiona em precárias percepções errôneas
de nós, de contextos e dos demais mecanismos que nos enriquecem de vida real e
sapiência potencial em cada ser vivo, sobretudo, os nossos educandos, que
teimamos, eufemicamente chamar de especiais. Não nos enganemos, eles apenas sofrem devido a
nossa deficiência de não os entender colocando contra eles barreiras.
Especiais
são as ciências que eles desenvolvem para lidar
com esse mundo adoecedor. Basta citar aqueles educadores, ainda, alienados,
educam a partir de pressupostos desumanizantes ampliando nossas diferenças como
se não fossem virtudes. Estas diferenças que nos pune e nos limita e a os no
traço TEA infinitamente mais.
A
maioria de nós, somos, por exemplo, manipulados a um processo alienante e
desumano de como são elaborados as especializações. Através delas, formamo-nos especialistas
em um foco minúsculo de determinado conhecimento e, com isso, caso nos
fecharmos ao universo e dinâmica dos
novos saberes, nos transformam em doutores iletrados, especialmente quando se referimos ao ser, e muito menos a vida e
para que aqui estamos e para onde viemos. Pois, sabemos muito pouco além do
nada que nos especializamos.
Nesse
sentido, o educador, o maior profissional e cidadão, nesta concepção de sociedade,
é o mais mal remunerado, em sua dura missão
de libertar cativos da ignorância, o que mais trabalha, pois tem que
estar (re) editando a todo instante suas práticas, este profissional é quem melhor espelha a verdade de que nunca estamos
prontos, que somos sempre uma obra em
desenvolvimento.
Nisso,
nasce a humildade de estar aberto permanentemente
ao novo. Caso não queira ficar ao
caminho, presa fácil, também, à alienação. Mas diferente da humilhação que
vivem os educadores, a humildade é que pode ajudar a nos se libertar, mas apenas
se nos colocar como aberto a aprender a aprender cotidianamente com o alunado.
Por sua
vez, humildade é mais indispensável quando lidamos com uma atípico. Junto a um
deste fica mais evidente a célebre frase “eu
sei que nada sei”. Com uma criança com
traços TEA temos que além de humildes se deixar guiar pela criança, para além
do desenvolver de uma empatia e uma força
respeitosa, amar o que se faz e a
quem faz. Todavia, isso apenas se instrumento de vínculo. Ensina para a vida,
através disso.
E ai
surge outro mistério, a criança é quem escolhe a que(m) se vincular. A pessoa com traço TEA
introduz essa máxima, como marca de sua autonomia e sua forte interação com o
meio. Tudo depende disso e, assim o escolhido, provando que eles não vivem em
seu “mundinho”, ele também escolhe o que fazer, através do vínculo estabelecido,
pode-se adaptar o conteúdo à dinâmica da pessoa com o traço TEA.
Portanto,
todos que se dispõe dar acesso ao
conhecimento a essas criaturas tão únicas como nós, precisam atuar através de uma
independência significativa ( através de uma boa dose de inteligência
emocional) para ser guiado pela criança em sua
peculiar forma de ver e viver nesse mundo. Não foi por engano que
coloquei “que (m)”, pois, para sua proteção parece-me, comum entre algumas
pessoas com traço TEA, quem se utilize das
pessoas como objetos, na busca de
atenção e cuidado, usam as pessoas como instrumentos de acessos aos seus
desejos.
Esse
é o instrumento, onde o educador humilde
( para além do pensamento paulofreiriano) se coloca para partilhar um pouco da
forte invasão sensorial que essas crianças sofrem, em nos permitindo ser
objetal, podemos favorecer que eles (quicá) possam se adaptar aos contextos de
maneira menos sofrida e, assim também, encontramos meios mais estimulantes para
os educar.
domingo, 26 de junho de 2016
Pessoa no Traço Autista e a Intolerância a frustrações
Escutando relatos e observando
algumas crianças ou pessoas com necessidades expressas de maneiras diferentes de
nós, tidos comuns, especialmente daqueles no traço do autismo, parece ter-me
mostrado um vetor de canalização da intolerância a frustração ou ao adiamento
da satisfação para comportamentos incomuns, estranhamente chamados estereotipias.
Pois considerando que “as estereótipos, (são) a formação de
impressões e a percepção de pessoas” vistas por terceiros, enquanto, “Em
contraste com os autoesquemas, que contêm as estruturas de conhecimento sobre o
próprio indivíduo”, denuncia, então, que
para nós, os comportamentos das pessoas no traço autista é estranhamente
vistos, para eles são as formas de adaptações a vida, que como a nós, a eles,
foi-lhes dada. E assim, incomum ou estranhamente eles se inserem no social,
onde não vejo, portanto, nada de anormal, muito menos adoecido, porque,
sobretudo, é uma forma de buscar inserção e não evitação social. Nós é que não
os entendemos, assim agimos como deficientes e construímos barreiras com nossos
medos e frustrações.
E é na sociedade que “dependendo de sua motivação e habilidade, poderá
corrigir essa impressão inicial, com base em informações mais individualizadas
e que se mostrem congruentes ou incongruentes com seus estereótipos"
(Quinn & cols., 2003). Mas, creio que a abertura
para as esteriopias é como canal para suportar a necessidade na qual a
frustação parece ativar ou ampliar. E então, não entendendo suas necessidades
os barramos, ampliando a frustração.
Porém, por sua
vez, estas necessidades podem nascer ou serem reforçadas socialmente, “Adolphs (2009) adverte que cognição social
também é sensível ao contexto, o que faz com que a interface entre cérebro e
cognição social seja modulada pelo contexto social e pelo autocontrole volitivo
( vontade)”. Quero, enfatizar então, o que dizem "os psicólogos sociais
evolucionistas defendem que processos similares à evolução genética operam na
transmissão da cultura”.
Então, “algumas dessas variantes culturais
são mais prováveis de serem aprendidas e lembradas, em geral aquelas
transmitidas por modelos mais proeminentes (pais, celebridades etc.)”.
Aqui, cabe-nos entender o que de fato se
baseia este texto quanto a aprendizagem social através da
imitação: “Nesse sentido, a transmissão da cultura se dá por meio de processos de imitação e aprendizagem social, por meio dos quais ocorre a seleção natural dos valores a serem transmitidos à outra geração" (Mesoudi, 2009).
imitação: “Nesse sentido, a transmissão da cultura se dá por meio de processos de imitação e aprendizagem social, por meio dos quais ocorre a seleção natural dos valores a serem transmitidos à outra geração" (Mesoudi, 2009).
Talvez, não tenhamos percebido que nossas
pessoas no traço autista imitam-nos em comportamentos anteriores aos que
chamamos erroneamente a esteriopias, que na realidade são expressões ora de
frustrações ante a necessidade não saciada e, em todos outros contextos,
expressões adaptativos a realidade que os invade pelos sentidos, sobretudo,
pela pele, como maior órgão vivo em nós. Em suma, tais comportamentos são
adaptativos.
Todavia, chorar, agredir, gritar em outras
formas de expressar as diversas frustrações podem ser aprendidas e reforçadas
por pessoas significativas que se rendem ao desejo da pessoa no traço autista,
quando estas agem destas formas. A problemática disso que reforçando birras ou
demais manias infatilizadas não favorecemos autonomia funcional, muito menos independência,
através da liberdade assistida.
Afinal quem não quer seus desejos realizados
e, quando não, agimos infantilmente? Basta lembrarmos de tantas ações
passionais de pessoas em grau acentuado de ciúmes, para ficar com esse exemplo
das diversas formas da violência infantilóide do mundo adultocentrico.
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Falar da subjetividade humana é falar em objetividade em que vivem
os homens (...) As capacidades humanas devem ser vistas como algo que surge
após uma série de transformações qualitativas (...) a linguagem é a
mediação para internalização da objetividade, permitindo a construção de
sentidos pessoais que constituí a subjetividade. O mundo psicológico
é um mundo relação dialética com o social".
Tentando
concluir, apenas por pedagogia, pois precisamos pensar um pouco sobre os traços
de autismos encontrados nas diversas pessoas que atendemos direta ou
indiretamente, trago a reflexão de necessidade de um novo empoderamento
feminino, um que combatam toda a forma de relação desigual de poder. Tentaremos
ver como os estereótipos (rótulos) são miseravelmente as nossas atuais formas
de justificar todas a manutenção das discriminações às diferenças, estas que
ferem-nos por sermos únicos. Sobretudo porque somos únicos, isso é a única
verdade. Dela nasce a verdadeira essência da vida, a humildade de que temos
apenas um sopro de vida. Uma simples centelha de divindade.
" Os estereótipos consistem em esquemas ou representações
mentais sobre grupos sociais. (...) eles interferem ativamente no processo de
formação de impressão e percepção de pessoas, que é o responsável pela
integração de informações e avaliação de outros indivíduos, ou seja, pelas
formas com que o percebedor interpreta os indivíduos que o rodeiam”(1).
Nestas representações
é que criamos os rótulos a partir da “primeira impressão”, aquela que nunca
fica como verdade, ou que negamos a todo preço por ser quase sempre inconsciente,
“As pessoas costumam
realizar inferências iniciais (formação e percepção de pessoa) baseadas em
estereótipos, o que significa dizer que essas categorias sociais são ativadas
de modo automático ou inconsciente”(1)
Todavia, na
aproximação com o real, as representações fazem vencermos ou não o
desconhecido, e nesse sentido podemos transformar conhecimento em poder
político de efetivação dos direitos" a função das representações sociais é dar
sentido ao desconhecido, transformando o não familiar em algo familiar". Neste sentido
o autor Martin-Baró diz que para enfrentar a injustiça social presente no mundo
latino americano:
“A principal tarefa do psicólogo social deve ser a
conscientização de pessoas e grupos, como forma de levá-los a desenvolver um
saber crítico sobre si e sobre sua realidade, que lhes permita controlar sua
própria existência. De contribuam para a construção de
identidades pessoais, coletivas e históricas capazes de romper a situação de
alienação das maiorias populares oprimidas e desumanizadas que vivem à margem
da sociedade dominante e, consequentemente, levar à mudança social. Trata-se,
assim, de desenvolver um saber psicológico historicamente construído que se
mostre capaz de compreender e contribuir para sanar os problemas que atingem as
maiorias populares e oprimidas”(1).
Bock em sua Psicologia Sócio- Histórica,
traz que mesmo que o capitalismo trouxe o individualismo como direito, através
da noção do “eu” surge a necessidade da existência da psicologia e em um
contexto de ideias liberais, ela deve ajudar-nos a desenvolver nossas potencialidades.
"Sentimento
do eu (...) uma ciência que estude esse sentimento também
é resultado desse processo histórico ( da individualização,
sobretudo com o capitalismo) assim a psicologia torna-se necessária"(2)
Em pesquisa Bock, junto a 44 psicólogos, percebeu a importância
da percepção no processo consciente e inconsciente do ser humano e este visto
bio-psico-social ( a qual comumente acrescento o espiritual), que ela também
cita a interação entre as pessoas e o indivíduo como agente e sujeito no fenômeno
psicológico. Este que nos habita o corpo e em certos "momentos de crise nos domina" em o meio social como "estranho ao nosso eu". (2). Essa diferença é que nos
coloca humilde dependente ao outro, "falar em fenômeno psicológico é falar em sociedade. Falar
da subjetividade humana é falar em objetividade em que vivem os homens (...) O
mundo psicológico é um mundo relação dialética com o social".(2)A autora alerta que nessa relação temos
algo a combater “do cultural somos mediados pelas
ideologias que mantém a submissão e alienação do ser humano, pois segundo Chaui
as " as ideias das ideologias são, pois, universais abstratos" (2), exemplifica, portanto, a existência de um perigo
necessariamente para quem é acrítico: "mãe e do pai sem se falar da família como
instituição social marcada historicamente pela apropriação do sujeito (...)
fala-se de identidade da mulher sem se falar das características do machismo de
nossa cultura (...) na verdade não se fala nada, se faz ideologia"(2) Pergunto-me quem lucra com essa
ideologia? Bock aponta um exemplo de como nós psicólogos estivemos e, muitos
ainda estão, a serviço de uma "higienização moral da sociedade". Ou
seja, exclusão dos que só conseguem viver sem as mentiras sociais, como a
pessoa no espectro:" o
diferente não é anormal, é menos provável, menos comum. Porque não se deu
acesso as condições necessárias para o desenvolvimento daquelas
características". (2)
Neste, exemplo de exclusão do diferente,
sabe-se que a relação de poder está
impregnada em tudo não apenas na relação de gênero como, de certo modo se omite
o movimento feminista:
"A ideologia, neste contexto, não pode mais ser vista como
ilusão, mistificação ou falsa consciência. Precisa ser vista como instrumento
de dominação.(...)Introduz-se, sim, a questão do poder, ou dos interesses; O
indivíduo, nesta perspectiva, seguindo a tradição vigotskiana (Vigoysky, 1978),
é sempre uma entidade social e, como tal, um símbolo vivo do grupo que ele
representa.(2)
Mas, enfim, é
em Morin (1984), que Bock, vai trazer a necessidade de união das forças
de todos e todas destituídos de acesso as conquistas devido a relação desigual
de poder, especialmente as causas das pessoas no espectro, que como disse em
outras publicações, acomete a todos indicriminadamente:
Tudo o que é humano é ao mesmo tempo psíquico, sociológico,
econômico, histórico, demográfico. É importante que estes aspectos não sejam
separados, mas sim que concorram para uma visão poliocular. O que me estimula é
a preocupação de ocultar o menos possível a complexidade do real” (2)
Nesse sentido
enfim, chegamos ao que desejava conclamar a todas as mães de pessoas no
espectro a de fato a atuarem politicamente organizada diante da perspectiva de
unirem-se em torno de uma causa maior em
nome da inclusão de todos aquelas pessoas que sofrem com as diversas
desigualdades nas relações de poder. Isto posto, afianço que somente em
organização social é que se faz de fato um saúde do bem estar física, mental,
social e espiritual, ou seja, biopsicossocioespiritual, a fim de fato,
valorizarmos o sopro de vida em cada um de nós, como dom divino que nos foi
confiado para amar como forma única de viver.
É nesta perspectiva
que estivemos silenciosos montando um projeto basilar chamado Espaço Azul a fim
de contemplar de maneira humanizada e respeitosa as todas as dinâmicas que nos
chegar, a fim de empaticamente trazer reflexões para melhor adaptação junto a um bem estar físico, mental e social.
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1.Psicologia: Teoria e Pesquisa 2010,
Vol. 26 n. especial, pp. 51-64A Psicologia Social Contemporânea: Principais
Tendências e Perspectivas Nacionais e Internacionais Maria Cristina Ferreira1
Universidade Salgado de Oliveira
2.O Conceito
de Representação Social na Abordagem Psicossocial - Mary Jane P. Spink.
quinta-feira, 21 de abril de 2016
A não liberdade da mulher, contribui para a indignidade da pessoa noTEA
Dificilmente
podemos prognosticar onde leva o caminho das atuais gerações, sobretudo no
tocante as relações humanas. No tocante, ao fim da antiga lógica da função do
pai, onde creio, criarmos o que chamo de paternagem, pois com a ampliação do
acesso aos meios de produção à mulher, essa inovação se fará indispensável.
Pois, se o
machismo levou a várias violações, tanto que hoje no Brasil foi instituído pela
Presidenta, a lei do Feminicídio, imagino que ante a ampliação de jornadas às
mulheres, elas além de serem filhas das violências mil ao longo da história da
humanidade, elas de “prisioneiras domiciliares”, agora também, estão “escravas”
ao mercado de trabalho, “prisioneiras em meio semi-aberto”. Em suma, são
punidas por serem vítimas e agora cumprem pena mais severa, e,por isso, não
sabemos que resultará deste contexto.
Sei que há séculos
crianças são, depois das mulheres, mais violadas no seio familiar; adolescentes
e jovens são mortos e ou abusados, com saldo contemporâneo de vítimas mais que
as duas grandes guerras. E, dos que sobrevivem, muitos acabam retroalimentando
o que aprenderam como meio socializador, em uma sociedade neocapitalista morrem
subjetivamente, em um individualismo narcisista hedônico insaciável. Sonham
alienações televisivas e se relacionam artificialmente nas redes assustados com
contato humano como em uma histeria coletiva, a caminho de uma sociedade “autística”,
mas em doentia auto exclusão.
Neste sentido,
não sei se ainda cabe “a
desconstrução da grande narrativa do homem branco, moderno e ocidental”(1), porque
penso criticamente que os movimentos ideológicos parecem ilhados, como se pudessem
ignorar que estamos falando de relações desigual de poder que está sim, baseado
na lógica hierárquica e, crer que apenas as mulheres são vítimas, parece um
reducionismo. Todas as ideologias são necessárias mais não como
“autisticamente” aleias à cada momento histórico.
Afianço a
necessidade da união de todos os excluídos em prol ao acesso a todos aos bens
conquistados socialmente e de maneira equânime, pois quando fechados a uma
causa excluímos outras.
Como, sou
ativista em Direitos Humanos, e milito em bandeiras como a da pessoa no
Espectro do Autismo, sinto que a unanimidade pode ser excludente. O espectro
abençoa com sintomas a todos sem distinção de raça, etnia, crença, gênero,
geração e renda.
Neste
sentido, precisamos pensar mobilizações de excluídos onde o discurso único
destes ressoe acesso a direitos não exclusivos e sim coletivos. Pois comungo de
uma ciência política crítica e historicamente que estuda a subjetividade em e
com a coletividade: “urge, portanto, que os psicólogos
sociais contribuam para a construção de identidades pessoais, coletivas e
históricas capazes de romper a situação de alienação das maiorias populares
oprimidas e desumanizadas que vivem à margem da sociedade dominante e,
consequentemente, levar à mudança social.”(2)
Assim portanto,
não se fala de saúde, por exemplo, sem o bem estar físico, mental e social, ao
qual incluo o espiritual. E isso não se concebe sem contextualizar“(...)Trata-se, assim, de desenvolver um
saber psicológico historicamente construído que se mostre capaz de compreender
e contribuir para sanar os problemas que atingem as maiorias populares e
oprimidas. Para ele (Martin-Baró, 1989), então, a construção teórica em
psicologia social deve emergir dos problemas e conflitos vivenciados pelo povo
latino-americano, de forma contextualizada com sua história”.(2)
Neste sentido
fica evidente que as mulheres que agora “prisioneiras em meio semi-aberto” do
sistema neoliberal, pouco terão, como os homens que foram apolíticos, meios de
efetivar ganhos reais socialmente, se continuarem alienadas aos supostos ganhos
capitalistas?
No caso das
mães de pessoas no espectro do autismo isso é tão evidentes que muitas que
conseguem vencer as amaras do preconceito transformados em armas a partir da
discriminação de ser mãe de alguém TEA, culpabalizam-se ante o Transtorno e seu
estigma; ficam perdidas nos sintomas do Espectro de tantas contradições e
negociatas farmacotécnicas de “a-profissionais” em suas éticas questionáveis;
pois, o Autismo, o pequeno traço que o filho possa ter, precariamente se
encaixa nos sintomas adestrados por uma medicina pouco preventiva, proibindo as
mães, de fato, acessarem um caminho terapêutico que inclua de fato, a pessoa do
filho.
Neste
sentido, as pessoas no espectro, tornam-se com alguns falam, o sintoma dos
dilemas sócio familiares dos discursos adultocentricos, antrocentricos,
eurocêntricos (...) enfim, de homens e mulheres esteticamente seguindo modelos
que não respeitosos as nossas reais características, hoje, americanizados, pois
nos tornamos, ideologicamente, colônia, quintal do país ianque. E nossa
medicina excludente provém dessa ideologia.
Nesse sentido
não se tem razão uma pessoa no espectro e sua família lutarem isoladas visto
que nessas pessoas fica nítida a dependência a suas mães, sobretudo, essas
sobrecarregadas não têm meios de lutar, seja pela demanda do TEA ou a diversas
jornadas. Especialmente porque muitas delas são as únicas provedoras e, pois,
muitas são abandonas por homens fracos em suas condições machistas.
Portanto, as vítimas que coletivamente
se levantem e se empoderem, ou seja, façam do conhecimento armas de poder
articulador de atos inclusivos de direitos a dignidade à pessoa no espectro e
qualidade de vida a todas os excluídos, que afinal, alcançando-se conquistas
beneficiaram a tod@s.
________________
1. João Manuel de Oliveira Centro de
Investigação e de Intervenção Social Lígia Amâncio Instituto Superior de
Ciências do Trabalho e da Empresa,
Teorias feministas e
representações sociais: desafios dos conhecimentos situados para a
para a psicologia social;
2. Psicologia: Teoria e Pesquisa 2010,
Vol. 26 n. especial, pp. 51-64. A Psicologia Social Contemporânea: Principais
Tendências e Perspectivas Nacionais e Internacionais Maria Cristina
Ferreira;Universidade Salgado de Oliveira
domingo, 3 de abril de 2016
PATERNAGEM ( DE TANTO AMAR) O SER ÚNICO QUE HÁ EM CADA UM!
De fato, o paternal é o ser mais
evoluído de todos os tempos, pois humildemente é aquele que foi alvo de um
suposto poder em si mesmo sobre os outros e a natureza, abdica dessa
mentira e assume que nada sabe e estar aberto, através do amor, a aprender a aprender, tentando parafrasear Morin.
O homem que decide ser paterno,
passa de genitor (o que gera), vai além do pai (que mantém
socioeconomicamente) e chega à paternidade, que não contente em apenas dividir as demandas
com a companheira, consciente exercitará o cuidar, a paternagem, que cuida pelo
menos de duas pessoas: a mulher, que geralmente, mesmo que é de fato mais forte,
é historicamente tolhida por tudo e todos; e pode cuidar do filho que de acordo com a criação executará o desejos de seus genitores.
Mas Atualmente,é a mulher que sustenta imponente a logica dessa sociedade, basta ver quantas
jornadas elas têm, hoje além de manter todas as demandas da casa, dos filho e
do companheiro, tem que trabalhar, além de cuidar de si mesma; é neste
contexto, mesmo que quase impossível, que se pode desenvolver a paternagem, pois a sociedade está se destruindo e não sabemos qual seu destino sem o real amor.
Esse desenvolvimento vai de
filhote macho, ao evoluir do homem,
genitor, pai, paterno e, enfim chegar à paternagem, o que carece de um auto
conhecimento. Isso em ter consciência e assumir que igualmente a todo ser humano sofre,
padece dor e precisa de cuidado. Todavia, muitos sabem disso mas não aceitam,
outros sofrem e desconhecem e, muitos, agridem e nem percebem, por estarem
sofrendo, assemelhando tal qual animal acuado ataca para se proteger. A
maioria vive na defensiva.
Aquele que se abre a paternagem
se verá como ilhado, a princípio, pelo menos, devido a dor de conviver, ao se auto responsabilizar pela forma que nos tratam; pois ser humilde a partir do
perdão e aprender a amar verdadeiramente como o outro é e não como nós
desejamos, em suma, porque os três (genitores e o a pessoa no TEA),
desenvolvem uma forma padecedora de lidar com as diferenças entre si, onde o
TEA vira apenas um sintoma do adoecimento dos três, nisso com certeza, o filho
no TEA é o mais, se não único sadio, deste contexto.
Por outro lado na paternagem, aceitando-se ilhado, poderá
através da humildade, facilitar o diálogo baseado no perdão e para além
precária forma de amar. Esse diálogo será o caminho de saída da defensiva, em
se aceitar como errante, mas que era querendo acertar.
Neste processo havermos de
perceber três variáveis antropologicamente construídas.
Uma, é aquela que, em um processo
inconsciente ou não, a imagem do homem, é imagem da autoridade e este é alvo,
direta ou indiretamente, de nossos rancores advinda deste poder por quase
sempre ser atuado de forma arbitrária e impeditiva de prazer estremo. Lembremos
que desde cedo, o menino tudo pode, enquanto ela quase nada, apenas ser alvo.
A outra variável é que diante de
todas mulher lidamos com as frustrações de origens, também inconscientes, ora
desamparos devido que ela nunca nos protegerá de tudo; sentimento de preterido,
porque ela um dia busca prazer para além de nós etc., são diversos exemplos,
mas quase todos as colocam com alvo de nossas dores.
E a maior, no meu ver, variável é
a necessidade de sermos nós mesmos, psicologicamente, que temos que matar os pais
idealizados (perfeitos) ( perfeição, das
variáveis anteriores por exemplo), isso é o parricídio e o um auto
infanticídio, ou seja, matar os resquícios dos desejos de nossos pais em nós,
caso contrário, sobretudo, no infanticídio, ficamos presos querendo agradecer
ao desejos infindos dos outros, substitutos de nossos pais. Isso fica evidente
em casos que nos surpreendemos quando vemos que nossas mulheres parecem ou são
o extremo contrário de nossas mães e, no caso das mulheres os pais delas. Mas não é
regra tem homens que são preso ao desejo do pai e mulheres ao da mãe. E até a
ambos. Cada caso, em si com suas complexidades.
Enfim, busquei enfatizar o
processo do como nasce o filho no filhote, para esse fazer nascer o homem, como
ser consciente e humildemente na impotência da condição humana e não arrogante
de não aceitar os pais como errantes. Caso não assumimos o parricídio achamos
que eles são heróis e nós iguais, nos achamos prontos, o que impede nossa
permanente evolução.
Mas se aceitarmos os limites
deles, os nossos serão meios para buscarmos melhorias perenemente e caminhar
para uma postura mais assertiva ante nossos sonhos, desejos e projetos baseados
no no caminho que eles levam ou não, no amor se for de modo mais divino, o modo de viver. Pois, como mentem o amar é muita sacrificial, quando guiados pelos sonhos
Mas, viver é a condição humana através de amar incondicionalmente e a todos em
suas formas únicas de ser e estar em evolução. Amar é uma liberdade biopsicossocioespiritual.sábado, 2 de abril de 2016
O MUNDO DEVERIA APRENDER UM MELHOR MODO DE AUTISTA SER ( POESIAS)
AUTISTA QUE NOS ENSINA O QUE MELHOR SER
Amanhã não é viver
Ontem também não será
O hoje até pode ser
Mas não tão belo quanto agora
Quanto d'Olhar Azul sonhar.
A sombra mais suave
Lá fora o sol a brilhar
Pássaros a cantar
Mas nada é mais belo que o sorrir
De anjo azul a brincar.
Dia ou noite
Ele sozinho a amar
Eu atenta ao seus singelos
Tempos
Na sua paz a se eternizar.
Nada é tão suave que seu querer
Tão sincero quanto o seu amar
Tão claro quando sua sede de viver
Porém digno é seu desejar.
Não a dor
Desamparo
Frieza ou morrer
Tudo é a mais pura essência
No seu modo de viver.
Que guiamos cada pessoa Autista
A seu melhor em nosso querer
Para ele melhor ser?
Não eles nos ensina a bem viver
Nos mostram evitar o sofrer
Eles são canais emocionais
Nos mostram como florescer
Que galhos deixar crescer
Que caule se fortalecer
De que líquidos pelas raízes beber
Que semente
Pura germinar para
O verdadeira essência ser.
Humildade sem correr
Sinceridade sem o sonho perder
Amar sem sofrer
Singeleza de viver
Simplicidade ter
Eis o desejo de cada uma pessoa TEA
Carrega e alimenta em nosso ser.
Ontem também não será
O hoje até pode ser
Mas não tão belo quanto agora
Quanto d'Olhar Azul sonhar.
A sombra mais suave
Lá fora o sol a brilhar
Pássaros a cantar
Mas nada é mais belo que o sorrir
De anjo azul a brincar.
Dia ou noite
Ele sozinho a amar
Eu atenta ao seus singelos
Tempos
Na sua paz a se eternizar.
Nada é tão suave que seu querer
Tão sincero quanto o seu amar
Tão claro quando sua sede de viver
Porém digno é seu desejar.
Não a dor
Desamparo
Frieza ou morrer
Tudo é a mais pura essência
No seu modo de viver.
Que guiamos cada pessoa Autista
A seu melhor em nosso querer
Para ele melhor ser?
Não eles nos ensina a bem viver
Nos mostram evitar o sofrer
Eles são canais emocionais
Nos mostram como florescer
Que galhos deixar crescer
Que caule se fortalecer
De que líquidos pelas raízes beber
Que semente
Pura germinar para
O verdadeira essência ser.
Humildade sem correr
Sinceridade sem o sonho perder
Amar sem sofrer
Singeleza de viver
Simplicidade ter
Eis o desejo de cada uma pessoa TEA
Carrega e alimenta em nosso ser.
OLHAR AZUL, FORMA ÚNICA DE SER, TÃO INTENSO COM A COR DO MAR
Poeta, não aceito mais sofrer
Vim cantar o AZUL da COR do MAR e do bem querer
Louvar o amor de cada Pessoa Azul que aprendi
Na beleza de em tudo de seu sorrir.
Vim cantar o AZUL da COR do MAR e do bem querer
Louvar o amor de cada Pessoa Azul que aprendi
Na beleza de em tudo de seu sorrir.
Tem o belo e verdadeiro amar
Na diferença brindar
Pois todos desejos são só estranhos antes de aflorar!
Mas aos realizar todos neles querem se cortejar.
Na diferença brindar
Pois todos desejos são só estranhos antes de aflorar!
Mas aos realizar todos neles querem se cortejar.
Realizando-me eno meu estranhar
Dos que dizem defeitos meus
Fazendo cativeiros os sonhos
Em bando voando cantando o azul sublime do meu eu
Dos que dizem defeitos meus
Fazendo cativeiros os sonhos
Em bando voando cantando o azul sublime do meu eu
Saber da dor poeta, só mãe, que amou primeiro meu único eu
Todo coração corre sangue vermelho tanto meu quanto seu
Diferente é o desespero de quem não assume o seu
Modo único de pulsar, mas em muitas amor não morreu.
Todo coração corre sangue vermelho tanto meu quanto seu
Diferente é o desespero de quem não assume o seu
Modo único de pulsar, mas em muitas amor não morreu.
Pois em cada autista a mentira social não o corrompeu
Sua pureza não se perdeu
A paz preciosidade, na realidade, tudo se verteu
Pois a liberdade em tudo nela se deu.
Sua pureza não se perdeu
A paz preciosidade, na realidade, tudo se verteu
Pois a liberdade em tudo nela se deu.
Cada pessoa no TEA nos ensina a viver
Na mais bela forma benevolente do não ter
Nega a simplicidade de apenas ser
E humildemente estar sendo o que é o melhor no viver:
Na mais bela forma benevolente do não ter
Nega a simplicidade de apenas ser
E humildemente estar sendo o que é o melhor no viver:
Cada molécula respirada
Lapidar o ser
Humano sonhar sem dormi
Realizar paz aqui agora e no povir.
Lapidar o ser
Humano sonhar sem dormi
Realizar paz aqui agora e no povir.
De forma a amar o bem estar para mim e para ti
Assumindo o único que há em cada si
Apoiando a diferença que está em mim
Vivendo a pessoa azul dele que verte ao mundo enfim.
Assumindo o único que há em cada si
Apoiando a diferença que está em mim
Vivendo a pessoa azul dele que verte ao mundo enfim.
quinta-feira, 24 de março de 2016
Psicanálise Religião do Pai
Na mitologia
grega, Édipo ao cruzar com o pai o mata e desposa a própria mãe, e ao saber arranca-se os olhos; na ética judaica, Abraão é levado a ofertar o filho. Nisso lhe é negando seu desejo três vezes, de ter filho com idade avançada, de ter que
sacrificar e de não o fazer.
Não é em vão
que a Religião do pai, na época de Freud, hoje a psicanálise estuda o filho. (...) “As famílias de hoje se definem mais com base
na criança do que no pater famílias”(1).
O filho não
castrado em seus desejos tem sido constante na sociedade atual. A pós
modernidade tem ofertado suposto gozo desmedido. “Freud propõe a
imagem da satisfação do lactante saciado que adormece no seio para ilustrar o
que se repetirá mais após a experiência do orgasmo”. (2)Como se reproduzindo esta satisfação.
Este gozo psíquico
funciona como carrasco, a pulsão de morte, ao seio da mãe estendendo o acesso ao todo corpo, o objeto de desejo da mãe, como Édipo que após o incesto vai ao deserto após extirpar
os glóbulos oculares. No caso atual,
temos a atual geração livre ao gozo estremado, adormecido entre tantas formas de entorpecentes, crente que sempre
terá a mãe para saciá-lo, autistica (mente).
Ante a isto, fica nítido que nunca se foi tão gritante a necessidade do Édipo pai não temer o oráculo que
anuncia a tragédia e, enfrentar sua necessidade do amor e humildemente entender
que todo este sistema o faz de apenas peça de desejos alheios. É preciso
reconquistar o sonho de ser pai, para não ser apenas genitor e chegar a
paternidade libertadora onde nossos pais falharam.
Lacan,
anuncia em Freud que (inconscientemente), “ A
lei freudiana, a do Édipo, era correlata ao amor pelo pai (...) lei do amor,
isto pai versão” (1). Entendo esse conceito de pai versão, a do macho (apenas
gera) vencendo seus instintos de filho (
como neste século de gozos ilimitados), não se contento de ser aquele que apenas mantém, provém (pai), evolui a paternagem aquele que cuida em favorecer o filho através
de reflexão dos caminhos do desejos dele, guiando-o quanto as consequências do
destino traçado por ambos
.
_______________________
1. Sophie,Gayard.: Pais Versões, in Scilecet, O corpo Falante – Sobre o inconsciente no sécuo XXI, Escola Brasileira de Psicanálise, Rio de Janeiro, 2016;
1. Sophie,Gayard.: Pais Versões, in Scilecet, O corpo Falante – Sobre o inconsciente no sécuo XXI, Escola Brasileira de Psicanálise, Rio de Janeiro, 2016;
2.
Béraud,Anne.: Orgasmo, in Scilecet, O corpo Falante – Sobre o
inconsciente no sécuo XXI, Escola Brasileira de Psicanálise, Rio de Janeiro,
2016
quinta-feira, 10 de março de 2016
EM NOME DO PAI
Em tempos que a ordem e lei está sendo
destronados por uma ética individualista, faz-se necessário pensar sobre a
função paterna. O individualismo é, para mim, expressão gritante das
satisfações mais desumanizantes. A isso, Lacan, poeticamente, diz “(...) o sujeito alucina seu mundo. As satisfações
ilusórias do sujeito são evidentemente de ordem diversa das satisfações que
encontram seu objeto no real puro e simples. Nunca um sintoma aplacou a fome ou
a sede de forma duradoura, sem a absorção de alimentos que as satisfaçam”.
(1).
No Em Nome do Pai, o freudiano amplia que “elementos de comportamento instintivo deslocado no animal são
suscetíveis de nos fortalecer o esboço de um comportamento simbólico. O que, no
animal, denominamos um comportamento simbólico é o fato de um segmento
deslocado assumir um valor socializado e servir ao grupo animal como referência
para certo comportamento coletivo” (1). Essa coletividade melhor acontece
através da paternagem, ela gera um verme da sociabilidade ao filho. Isso
se dá quando o pai proíbe ao filho de prazer extremo do corpo da mãe, assim o
filhote pode perceber sua existência para além do corpo dela e, portanto, tem
que lutar pela sua, ainda, sobrevivência, visto que só se viverá, quando este
torna-se livre, metaforicamente, parricida. Neste sentido temos em Lacan “O eu é isso em que o sujeito só pode
reconhecer incialmente alienando-se” (1). Esse é o filho.
Por sua vez, o pai, Freud, fala “O pai primordial é anterior (...) ao
surgimento da lei(...) da cultura”(1), ele introduz tanto a lei e a cultura
( como poder que liberta) ao filho, poder horizontal em cada núcleo familiar.
Seguindo esse princípio, basta dizer que o nome do pai nasce da mitologia hebraica,
a de Abraão e infanticídio sobre Isaque. É o fim do genitor (na fala de Freud o
pai perverso), surge o pai, e disso provoco, o paterno cuidador e harmonizador junto à
maternagem.
Quero dizer que, o homem sem direito ao infanticídio, surge a
possiblidade de nova regra de uma lei democrática participativa. Onde o poder
não é desigual e, sim harmônica. Assim, o dom de gerar filhos é dado ao humano,
a morte Deus retém a si. Então o filho pode definir, quando livre, seu destino,
salvo sejam os pais, também, livres, ou seja materna e paterno.
Em seu artigo Pai-Versão, alcunha de Lacan, Sophie Gayard, afirma que “Estilhaçados, recompostas, monoparentais
(...) as famílias de hoje se definem mais com base na criança do que no pater
família que por muito delas definiu o estatuto”(2). Lacan, traz em sua
noção de Pai-Versão, o pai morto, do mito edipiano. Aquele, onde o filho
inconscientemente mata o pai e casa-se com a mãe. Aqui incluído a metáfora do parricídio,
que entendo como a negativa do pai de poder sobre o corpo do filho, uma negação
a morte do desejo do filho, pelo contrário permissão para que ele deseje e faça
seu destino. Pois, ambas metáforas, falam da morte (necessária) do sonho do
filho idealizados pelos pais.
Falei que o pai introduz o filho
ao mundo através da lei e da cultura, vejamos como quanto temos que os ajudar. Em
Corpo da Criança, Neus Garboneu, diz
que “A chegada ao mundo implica que os
efeitos da linguagem no organismo o transformem em corpo. É dessa maneira o
bebê deve chegar a conquistar seu corpo(...) E deve fazê-lo precocemente” (...)
a impotência motora da criança será a chave para conceber o peso (...) na formação
do eu(2A). Esse peso, em diversos casos de filhos, como pessoas com TEA, é
mais duradoura e esse eu fica menos visível a olhos não treinados. Garbonel, faz-me
lembrar que crianças típicas jubilam com sua imagem refletida, ao tempo que a
criança com TEA, isso, possivelmente, não ocorrerá tão facilmente assim. E esse
jubilar ajuda a montar a consciência do seu corpo, que para Lacan é imaginário.
E, isto, junto ao fato do objeto transacional pensado por Winnicott, que são objetos
que ensinam a criança a se libertar da ausência do corpo da mãe. Tal fenômeno é
mais complexo para a pessoa com TEA. Este parágrafo foi dirigido ao pai, o que
pode se permitir às metáforas do parricídio e do infanticídio, especialmente se
vosso filho estiver dentro do espectro.
E, assim podemos citar enfim, Alba Flesler, em sua obra A Psicanálise de Crianças e o Lugar dos
Pais, onde ela diz que a criança só existirá a partir da mãe, através
mediado com o paternal como a lei. E quando essa função falha, abre-se para
morte, um vazio orientador, aqui basicamente se instala o infanticídio.
Assim, concluímos que a
paternagem nasce da morte do macho que apenas procria, evolui ao pai apenas
provedor, até chegar no paternal, favorecedor do amor, da liberdade da criança,
capacitando-a a escrever seu destino.
Para isso, nega-se o poder matar
os sonhos e, também, de ser dono da verdade. Nasce humildemente a possibilidade para o que
Winnicott, chama com a Mãe Suficiente Boa, aquela que não castra os sonhos do
filho, mas sonham os três juntos. Pois, pode ela, assim, não precisar ser muito
defensiva para proteger o filhote o sufocando, nem tão pouco o abandonará, o
negando, por ela também estar só e, pelo contrário, os três serem um só.
____________________________
1. Em Nome do Pai , JAQUES LACAN 1901-1981. Ed. Zahar, Rio de Janeiro 2005;
2. Pai-Versão, SOPHIE GAYARD. SCILICET O Corpo Falante, sobre o inconsciente no
século XXI, X Congresso da Associação Mundial de Psicanálise, Rio de Janeiro,
2016 ;
2A. Corpo da Criança, NEUS GARBONEU. SCILICET O Corpo Falante, sobre o inconsciente no
século XXI, X Congresso da Associação Mundial de Psicanálise, Rio de Janeiro,
2016 ;
3. A Psicanálise de Crianças
e o Lugar dos Pais, ALBA FLESLER,Ed. Zahar,Rio de Janeiro,2007.
segunda-feira, 7 de março de 2016
As relações na rede social, o olhar que não ver a pessoa no TEA
A
sociedade que mais enxerga e nada ver, pouco observa, então nunca verá o que
estar para além do que se precisa ser
refletido. Se enxerga então como se diz
da pessoa enquadrada no Transtorno do Espectro do Autismo -TEA.
Se
essas pessoas, apenas olham de relance, usam os objetos de maneira incomum,
usam-nas em parte, não no todo, é porque a parte que não é um todo completo,
não o interessa e o deixa em sua forma de usar o mundo, diferente como nós usamos
o celular, pouco ou não falamos por ele. Será que também estamos pouco ou não
nos relacionamos com as pessoas?
Existe
uma tese, a da Gestalt, da soma das partes, que não é o todo. O todo não é sem estas somadas, para fechar a Gestalt, a
imagem a ideia a relação, precisamos conhecer as partes para viver o todo.
Penso
que como, para psicologia social, somos o que nos diz que somos. E sei da a
psicologia do desenvolvimento e da psicanálise, que o mundo onde cada um nasce,
já vem pronto e querem que nos adaptemos a ele. Uma dura violência ocorre ai. Então
se nos relacionamos em parte e não totalmente, dizem-nos que somos parte e não
um todo? E nos relacionamos em parte e cada dia ficamos mais sós?
De
alguma forma, sim somos em parte vazios e não nos buscamos nas relações mais
profundas, ficamos sós e vazios. Onde, a pessoa íntima nos mostre que estamos
sendo e aprendemos ser melhor para nós e para o mundo que nos circunda.
Assim,
para ser relacionar a três ( pais e filhos), com a pessoa em o TEA – digo assim
em o, no, porque estou me indagando se o
termo “com o TEA” não comunga com uma ação
passiva da pessoa em questão. Ou seria uma parceira, não sei, apenas
indago que “em o ou no TEA” tenha algo mais dinâmico e essencialmente, ativo(...)
-, enfim, isso me ajuda a refletir que se somos ativos, vivos e não levados a
torto e a direito manipulados como marionetes dos desejos alheios, podemos ser o que nossos
desejos nos direcionar. Como também a pessoa no TEA não é passivo, por mais
solilóquio, monólogo, só seja o agir dela.
Entretanto,
tudo isso ajuda a entendermos que o nosso desejo é contaminado devido a
realidade de sermos os desejos de nossos pais, antes mesmos de nascer. Até que
começamos a enxergar de fato e nos constituírmos desejantes para além do que a
nossa visão alcança. Mas mesmo ainda assim, dependeremos da cultura contextual
que nos toma como presa fácil. Nesse, sentido, só quando fazemos dois processos
de assassinatos e mortificação é que
nasceremos, para desejar por nós mesmos.
A primeira ação violenta nossa é o parricídio temos que psicologicamente mortificar os desejos que ouvimos de
nossos pais em nós. E depois matar o que
as culturas deles em nós, seguirá um último,
mas muito necessário, assassinato psíquico, mortificar o nosso corpo
como foi concebido até então, um auto infanticídio. Ambos, parricídio e infanticídio que contextuei, são
psicológicos e, portanto, atos de autoconsciência tratadas apenas em trabalho facilitado
por um a pessoa treinada a apoiar o desenvolvimento a partir da dor ao amor.
Socializarei
tal perspectiva a partir da superficialidade da interação social via as redes
sociais. Onde a vida parece menos compromissada, ou ao menos, não há o olhar
discriminador do outro. E sim o gozo violento do olhar do outro, onde não se
pagar para ver.
Em, “Imagem Virtual” Ennia Favret, citando
Lacan, no Seminário “A Angústia”, diz “O que o homem tem diante de si nunca é
senão a imagem virtual”, parece uma enunciação do desastre
do vínculo, das relações intimas o fim do amor. Ela diz,“as inovações tecnológicas proporcionaram novas realidades
virtuais, novas encruzilhadas entre o real e o imaginário”.
São,
novas fontes de vida no “Império do
olhar, do gozo e satisfação imediata”. E como um excelente catalizador do
prazer, um filho em o TEA, vai tomar ou
tentar ser o alvo de tamanha fonte do prazer, ser alvo dos olhos do outro, o
mais importante olhar, geralmente da mãe, pois o filho no TEA,
aprendo com o pai, que a mulher é alvo de ser conquistada, de ter a atenção
dela.
Suponho
até que muitos deles são tão perfeccionistas para serem alvo desse gozo escópico,
do olhar do outro, que se tornam os melhores em determinado atividade. E assim
se excluem, ou são socializados a partir suas habilidades e não por si
próprios. Cortejando quase sempre o desejo avassalador, imediato e indesejável de
seus pais. Vivem suas habilidades e não a pessoa, que luta desesperadamente
negar o TEA que nele estar.
Não
faço essas provocações a fim de me odiarem, mas afim que amem-se como estão sendo capazes serem, pois gênios não se fazem de desejos alheios de seus pais
(pois todos querem filhos gênios) e, sim de desejos íntimos de cada filho um apoiados em cada
contexto familiar Ou outra comunidade íntima. Mas ser ou não,
apenas esconde quem realmente quem estamos sendo e, como apenas queremos
ser acolhidos como de direitos a vida, mesmo sendo, todos de modos
diferentes de viver, e a diferença é nossa maior riqueza. Como se diz, “ter direito a ter direitos” de viver como nós é possível.
E
não escravos do nosso olhar alienado. País que vivem as vidas alheias na
distância fria das redes sociais, seja por medo de não ser aceitos, ou e
também, incapacidade de aceitar o que lhe fazem ri ou repudiar, mas misteriosamente
desejam, ao menos ver. Enquanto, filhos tem que se tornarem tão hiper(tensos)
para ser centro de atenção e não vivem suas prazer.
Hiper
tensos porque atos que os ajudavam a equilibrar as angustiantes reações intraorgânicas ( expressos em estereotipias), que eram alvo
de cuidados e atenção, viram únicos meios
de ter o olhar daqueles que agora é viciado na fuga das redes sociais. Levando-os a manter maior tempo em
comportamento estereotipados para conquistar a atenção do olhar amado.
_________________________
Créditos das imanges, Instragram sentimentosdasociedade;
Citações:“Imagem Virtual” Ennia Favret, in: O Corpo Falante: Sobre o conhecimento do inconsciente no século XXI, Associação Mundial de Psicanálise, Rio de Janeiro, 2016
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A MORTE PEDE CARONA: ADULTOCENTRISMO E INFANTICÍDIO, NÃO SÓ SOFRIDOS PELAS PESSOAS NO TRAÇO AUTÍSTICO
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